Aquele que lança um objeto quatro amot no mar está isento — pois o mar tem status de carmelit, um domínio intermediário que não é nem privado nem público, onde não há responsabilidade plena por transportar quatro amot — se havia um baixio de água — uma extensão rasa, com lama e barro no fundo — e o domínio público passa por ele — ou seja, as pessoas costumam caminhar por essa água rasa — aquele que lança um objeto quatro amot nele é responsável — como quem transportou quatro amot no domínio público comum, pois este baixio, sendo raso e transitado, tem o próprio status de domínio público — e qual é a profundidade de este baixio? — pergunta que define a medida exata que confere ao baixio o status de domínio público — menos de dez tefachim — de profundidade: se a água tem menos de dez tefachim de profundidade, mesmo sendo, em princípio, parte do mar, é tratada como domínio público, pois as pessoas efetivamente atravessam por ali.
Esta mishná introduz a quarta categoria de domínio para as leis de Shabat: a carmelit, um espaço intermediário que não é nem domínio privado nem domínio público pleno, e explica quando um baixio de água toma o status de domínio público.
O que é a carmelit. A tradição oral identifica quatro categorias de domínio relevantes para o Shabat: domínio privado (reshut hayachid), domínio público (reshut harabim), lugar isento (mekom petur), e a carmelit — espaços como o mar, um deserto não transitado, ou uma área cercada sem uso residencial, que não se enquadram plenamente em nenhuma das outras três categorias. A proibição de transportar dentro da carmelit, ou de transportar entre ela e os outros domínios, é de origem rabínica (shevut), não bíblica plena — e por isso o lançamento de quatro amot no mar está isento de responsabilidade por oferenda, embora permaneça proibido.
Como o Rambam codifica a definição da carmelit e a lei do baixio de água transitado, em Hilchot Shabat, capítulo catorze.
Por que a profundidade, e não a largura, é decisiva. A halachá segue precisamente esta mishná: a medida que determina se um baixio de água tem status de domínio público pleno (e não de carmelit, como o restante do mar) é sua profundidade — menos de dez tefachim — e não sua largura. Isso porque a razão fundamental que confere status de domínio público é o trânsito real de multidões, e água rasa, mesmo larga, permite esse trânsito, enquanto água profunda, mesmo estreita, o impede.
Os comentadores explicam por que a mishná repete duas vezes a expressão "baixio de água" e detalham o critério do "caminhar com esforço".
"Aquele que lança no mar quatro amot está isento; se havia um baixio de água etc." — O mar é carmelit. E a explicação de "baixio de água" é uma extensão rasa de água. E o sentido de dizer "o domínio público caminha por ele" é que as pessoas caminham nele. E quando a profundidade desse baixio for dez tefachim ou mais, não é considerado domínio público, pois tem seu próprio status de domínio distinto, conforme já explicado em outras ocasiões.
"Aquele que lança no mar" — do início das quatro amot até o final das quatro está isento, pois é carmelit.
"Baixio de água" — que não é fundo em relação ao solo, e nele há lodo e barro, e é chamado baixio.
"E o domínio público caminha por ele" — pois multidões caminham por ele.
"E qual é este baixio" — qual é sua profundidade, para dizermos que ainda é domínio público e não se tornou carmelit.
"Baixio de água e o domínio público caminha por ele" — o motivo de o tanaíta repetir sua expressão duas vezes é nos ensinar que, mesmo um baixio largo de quatro amot, uma vez que tem menos de dez tefachim de profundidade, é tratado como domínio público. E repetiu também "o domínio público caminha por ele" para nos ensinar que, ainda que as multidões só caminhem ali com esforço e dificuldade, caminhar com esforço ainda se chama caminhar.
"Isto não é o que ensina nossa mishná" — discussão paralela da Guemará sobre o lançamento na água, aplicando o mesmo raciocínio do pouso e do rolamento — pois ela ensina que, quando o objeto rolou para fora de quatro amot, é responsável; e Rabi Yochanan disse que isso vale apenas quando o objeto de fato pousou, mas se não pousou, não.
"Já que ao final ele há de pousar" — argumento sobre um objeto que ainda está em movimento em direção ao repouso — e se a pessoa se lembrou antes que o objeto pousasse, devemos dizer que é como se já estivesse pousado, pois, de qualquer forma, há de pousar, e já chegou a menos de três tefachim do chão.