Aquele que lança um objeto quatro amot na parede — do domínio público, do início das quatro amot até o final delas — acima de dez tefachim é como quem lançou no ar — pois a parede, acima de dez tefachim de altura, é considerada lugar isento, tal como o próprio ar do domínio público naquela altura — e está isento. Abaixo de dez tefachim, é como quem lançou no chão — ou seja, como se o objeto tivesse pousado diretamente sobre o solo do domínio público — e aquele que lança um objeto quatro amot no chão é responsável. Lançou um objeto pretendendo que pousasse dentro de quatro amot, e o objeto rolou para fora de quatro amot, está isento — pois não teve intenção de realizar o lançamento pleno de quatro amot, condição para a responsabilidade — lançou para fora de quatro amot, e o objeto rolou para dentro de quatro amot, é responsável — pois já houve, no momento do lançamento, a intenção de transportar além da medida mínima, e o fato de o objeto ter rolado de volta não anula essa intenção original.
Esta mishná estende ao lançamento contra uma parede o mesmo princípio dos dez tefachim que separa o domínio público de seu ar isento, e trata da questão da intenção quando o objeto rola após o pouso inicial.
Por que a intenção original determina a responsabilidade. A mishná ensina um princípio central das leis de Shabat: a responsabilidade pela transgressão de "transportar" depende não apenas do resultado físico — onde o objeto efetivamente pousou — mas também da intenção de quem o lançou. Se a intenção era que pousasse dentro de quatro amot (distância que não configura transporte pleno no domínio público) e o objeto, por acaso, rolou além dessa distância, não há responsabilidade, pois faltou a intenção de realizar a transgressão. Mas se a intenção era lançar além de quatro amot, e o objeto rolou de volta, a intenção original de transgredir já estava presente no momento do lançamento, e isso basta para gerar responsabilidade.
Como o Rambam codifica a regra do lançamento contra a parede e o caso do objeto que rola, em Hilchot Shabat, capítulo catorze.
A regra prática que emerge. A halachá segue integralmente esta mishná: contra a parede, os mesmos dez tefachim que delimitam o domínio público em relação ao seu ar isento aplicam-se verticalmente. E quanto à rolagem, a halachá acompanha o critério da intenção no momento da akirah (o "arrancar" do objeto do lugar de origem): o resultado final físico não isenta quem já tinha, desde o início, a intenção de transportar por uma distância que configura transgressão plena.
Os comentadores esclarecem o exemplo clássico de uma tâmara amassada aderida à parede, e a razão pela qual a espessura do objeto não interfere na medida das quatro amot.
"Aquele que lança quatro amot na parede, acima de dez tefachim etc." — Já explicamos no início deste capítulo que acima de dez tefachim no domínio público é lugar isento, e do mesmo modo abaixo de dez tefachim na terra. O princípio conosco é que aquele que transfere quatro amot no domínio público é responsável.
E disseram "como quem lança no chão", querendo dizer que é responsável, com a condição de que aquilo que lançou fique aderido à parede, como barro oleoso ou massa e semelhantes.
E disseram que está isento aquele que lançou pretendendo que pousasse dentro de quatro amot e rolou para fora — isto é mais evidente, pois ele não teve intenção de um lançamento de transgressão.
"Aquele que lança quatro amot na parede" — do início das quatro até o final das quatro, e pousou na parede próxima ao domínio público, acima de dez tefachim — por exemplo, se era uma tâmara amassada oleosa que aderiu à parede acima de dez tefachim no ar do domínio público — está isento, pois tudo que está acima de dez tefachim no domínio público é lugar isento.
"Abaixo de dez, é como quem lança no chão" — do início das quatro até o final das quatro no domínio público, e é responsável, ainda que do lugar onde o objeto foi arrancado até a parede não haja senão quatro amot exatas — não dizemos que a espessura da tâmara diminui a medida das quatro amot.
"E rolou para fora de quatro amot, está isento" — pois não teve intenção de um lançamento de responsabilidade.
"E rolou para dentro de quatro amot, é responsável" — e isto quando o objeto pousou, ainda que minimamente, fora das quatro amot antes de rolar para dentro.
"Não é este seu pouso" — a Guemará discute quando um objeto em repouso momentâneo é considerado verdadeiramente pousado — e se alguém o tirou dali, não é considerado um "arrancar" válido para os fins da lei.
"Isto não é o que ensina nossa mishná" — objeção da Guemará ao tentar harmonizar a opinião de Rabi Yochanan com o texto da mishná — pois ela ensina que, quando o objeto rolou para fora de quatro amot, é responsável; e Rabi Yochanan disse que isso vale apenas quando o objeto de fato pousou ali antes de rolar, mas se não pousou, não. Isto porque Rabi Yochanan não explicou o caso como sendo quando o objeto veio a repousar dentro de três tefachim do chão.
"Está dizendo que rola" — pergunta da Guemará para esclarecer a natureza do rolamento — está se referindo a algo que o vento faz rolar pelo ar.