Aquele que transporta, seja na sua direita seja na sua esquerda, dentro do seu seio ou sobre seu ombro, é responsável — pois estas são as maneiras normais e dignas de carregar — pois assim era a carga dos filhos de Kehat — a família levítica encarregada de transportar os objetos sagrados do Mishcan no deserto, que os carregava sobre o ombro, conforme relatado na Torá. Ao inverso da sua mão — com as costas da mão, e não com a palma, um jeito incomum — no seu pé, na sua boca e no seu cotovelo, na sua orelha e no seu cabelo, e na sua faixa com a abertura voltada para baixo — de modo que o objeto tende a cair, um jeito que ninguém usa para de fato transportar algo — entre sua faixa e sua túnica — um espaço apertado e instável — e na barra da sua túnica, no seu sapato, na sua sandália, está isento — de trazer oferenda — pois não transportou à maneira costumeira de quem transporta — e o versículo que fundamenta a proibição de transportar fala da "obra" no sentido de uma ação normal e deliberada, não de um gesto incomum e descuidado.
A mishná apoia sua definição de "maneira costumeira" no relato bíblico sobre como os levitas da família de Kehat carregavam os utensílios sagrados.
Por que "ao ombro" define a maneira normativa de transportar. Quando Moshé distribuiu carroças aos levitas para o transporte do Mishcan, os filhos de Kehat — responsáveis pela arca, pela mesa, pela menorá e pelos demais utensílios sagrados — não receberam carroças, pois sua carga deveria ser levada "ao ombro". Este versículo é a fonte de que carregar sobre o ombro é uma forma respeitável e deliberada de transportar algo, contrastando com o transporte incidental ou descuidado. A Guemará amplia esse princípio: se o ombro é a maneira digna e normativa de carregar cargas pesadas e importantes, também o são a mão (direita ou esquerda) e o seio — modos igualmente comuns e intencionais de portar objetos — enquanto qualquer outro método (nas costas da mão, entre os dentes, dependurado no cabelo) é considerado atípico e, por isso, isento da responsabilidade bíblica plena, ainda que rabinicamente desaconselhado.
Como o Rambam codifica a regra da "maneira costumeira de transportar" em Hilchot Shabat, capítulo doze.
Isento mas proibido. O Rambam acrescenta um detalhe essencial que a mishná apenas implica: a isenção da oferenda pelo pecado nestes casos incomuns não significa permissão. Os sábios proibiram, por decreto preventivo (shevut), transportar objetos mesmo por esses meios atípicos, para que a prática de recorrer a métodos "isentos" não banalize o respeito à proibição bíblica de transporte.
Os comentadores explicam o significado técnico de cada termo — a fundá (faixa oca), o cotovelo, e a barra da túnica.
O transporte dos filhos de Kehat referente à arca era feito ao ombro, e o próprio Nome, bendito seja, chamou isso de "serviço", como está dito: "pois sobre eles estava o serviço sagrado — e ao ombro o carregavam".
"Ao inverso da sua mão" significa: sobre o dorso da mão. "Cotovelo" — assim se chama em árabe mirfaq, e é a articulação intermediária do braço. "Sua fundá" é a peça de roupa para o suor, uma vestimenta justa que a pessoa veste colada ao corpo, com espaços costurados e ocos como bolsos, onde guarda o que deseja, vestindo por cima dela sua roupa chamada túnica. E quando se vira a fundá de baixo para cima, a abertura desses bolsos fica voltada para baixo, e certamente cairá o que houver dentro deles com algum peso.
"Barra da túnica" é a borda inferior de sua roupa.
"Pois assim era a carga dos filhos de Kehat" — como está dito: "ao ombro o carregavam"; e a direita, a esquerda e o seio são o modo costumeiro do mundo, tal como o ombro.
"Seu cotovelo" — a articulação intermediária do braço, e em árabe assim é seu nome, mirfaq.
"Na sua fundá" — uma faixa oca. "Com a abertura para baixo" — não é modo costumeiro de transportar assim; mas com a abertura para cima, é modo costumeiro de transportar assim. Outra explicação: a fundá é uma roupa que se veste junto ao corpo para absorver o suor, e costuma-se fazer nela uma espécie de bolsos; e quando se a vira de baixo para cima, a abertura do bolso fica voltada para baixo.
"Barra da sua túnica" — a orla inferior da túnica.
"Rasga" — termo usado na Guemará ao discutir um caso relacionado de objeto preso por cordões: significa cortar.
"Em barras" — isto é, em pedaços compridos de metal; e enquanto parte deles ainda está dentro, não os adquiriu por completo, princípio análogo ao da cesta de frutas na mishná anterior.
"E perguntamos: já que há cordões" — tiras que se chamam eshtoldetz — e os puxa até a boca do recipiente e os retira — então, já que é capaz de retirá-los, já os adquiriu; mas quanto ao Shabat não se torna responsável até que retire os cordões, pois por meio deles o objeto ainda está atado ao domínio privado, já que eles próprios ainda não saíram.
"E os enrolam sobre ele" — pois não é possível retirá-lo sem os cordões.
De onde vem a próxima distinção. Depois de estabelecer quais partes do corpo constituem a "maneira costumeira" de transportar, a próxima mishná refinará ainda mais o critério de responsabilidade: não mais o modo físico de carregar, mas a direção pretendida do transporte — o que acontece quando a intenção original da pessoa (transportar para a frente, por exemplo) não coincide com o resultado final do seu movimento (o objeto acabando atrás dela).