Filho rebelde e contumaz — a partir de quando se torna filho rebelde e contumaz? Desde que traga dois pelos, até que se rodeie de barba — a inferior, e não a superior; mas os sábios falaram em linguagem pudica. Como está dito: "Se um homem tiver um filho" (Devarim 21) — filho, e não filha; filho, e não homem adulto. O menor está isento, pois ainda não chegou à inclusão nos mandamentos. — A mishná encerra o Perek Zayin com a lista dos apedrejados e abre o Perek Chet definindo a janela precisa de idade em que a categoria do filho rebelde e contumaz pode, tecnicamente, aplicar-se: começa quando o rapaz traz os dois primeiros pelos púbices — sinal de que deixou a infância — e termina quando essa mesma região se rodeia por completo de pelos, o que os sábios preferiram descrever com a expressão pudica "barba", referindo-se não ao rosto, mas à região inferior. Antes desse ponto de partida, o próprio versículo que institui a lei — "se um homem tiver um filho" — já exclui o menor, pois a expressão "filho" ali pressupõe alguém que já chegou à idade de responder pelos mandamentos; e o mesmo versículo exclui, pelas próprias palavras, tanto a filha quanto o homem já adulto, que passou do ponto final dessa janela.
Rambam esclarece que "barba" é aqui um eufemismo para o pelo púbico, e que a idade em que os dois pelos costumam surgir é a partir dos doze anos e um dia — antes disso, quem quer que aparente esses sinais é considerado menor, e os pelos não têm valor de sinal de maioridade, mas de simples sinal físico incidental, matéria já tratada extensamente pelo próprio Rambam em Yevamot. Acrescenta um limite adicional: assim que se completam três meses depois do surgimento dos dois pelos, o rapaz deixa de poder tornar-se filho rebelde e contumaz — mesmo que a barba inferior ainda não tenha se rodeado por completo — porque o versículo diz "filho", e não "pai". Passados três meses da primeira puberdade, já é fisicamente possível que ele mesmo tenha gerado um filho, pois uma mulher engravidada nesse momento já teria a gravidez perceptível ao fim desses três meses; e, como nesse ponto ele já poderia ser pai, deixa de se enquadrar na categoria de "filho" para efeito desta lei — mesmo que o crescimento completo da barba inferior ainda não tenha ocorrido.
Bartenura precisa cada elemento: os "dois pelos" definem o rapaz de treze anos e um dia, já que antes dessa idade os pelos não valem como sinal de maturidade, mas apenas como marca física incidental. "Barba inferior" é o pelo que rodeia a região genital; "não a superior" exclui a barba propriamente dita do rosto. Quanto ao versículo "filho, e não homem", explica que, mal o rapaz completa o crescimento da barba inferior, é considerado um homem adulto — e, embora tecnicamente ainda seja chamado "filho" desde a infância, a lei só passa a se aplicar depois que ele traz os dois primeiros pelos, pois antes disso é menor e está isento por ainda não estar incluído nos mandamentos. Assim lê o versículo "se um homem tiver um filho": um filho já próximo do vigor de um homem — no início de sua idade adulta a Escritura o obriga —, e assim que a barba inferior se completa, ele já é considerado homem pleno, saindo, portanto, da janela desta lei.
Rashi confirma que, antes dos dois primeiros pelos, o rapaz simplesmente não é punível, pois ainda não chegou à idade de responder pelos mandamentos — o próprio ponto que a mishná explicita ao final. "Até que se rodeie de barba" significa que essa região deve estar completamente cercada de pelos, não apenas os primeiros sinais. E confirma o eufemismo: "a inferior, e não a superior" não se refere à barba do rosto, mas à mesma região do corpo mencionada no início — e os sábios preferiram nomeá-la com uma palavra pudica. Por fim, explica que, embora um filho seja chamado "filho" desde a infância, a lei do filho rebelde e contumaz só passa a valer a partir da primeira puberdade — precisamente porque, antes disso, ele é menor e está isento por ainda não estar incluído nos mandamentos; sua responsabilidade começa, portanto, depois desse ponto.