O feiticeiro que pratica um ato é responsável, mas não o que ilude os olhos. Diz Rabi Akiva em nome de Rabi Yehoshua: dois colhem pepinos — um colhe e é isento, e um colhe e é responsável. O que pratica um ato é responsável; o que ilude os olhos é isento. — A mishná encerra o capítulo com o mesmo princípio que orientou toda a discussão sobre as transgressões puníveis: a responsabilidade capital exige um ato real e efetivo, não uma mera aparência. No caso da feitiçaria, isso significa que apenas quem realiza de fato uma operação de feitiçaria é passível de apedrejamento; quem apenas cria a ilusão de estar praticando algo — sem qualquer efeito real — não incorre em pena, pois nada de fato aconteceu. Rabi Akiva ilustra a distinção com um exemplo concreto: de dois praticantes que parecem colher pepinos por feitiçaria diante de uma mesma plateia, um deles de fato retira os pepinos do campo por meio de sua arte, e por isso é responsável; o outro apenas faz parecer, aos olhos dos presentes, que os pepinos foram recolhidos, sem que nada tenha efetivamente se movido — e por isso é isento.
Rambam esclarece que "isento" nesta mishná não significa que o ato de iludir os olhos seja permitido, mas apenas que ele não gera a pena capital — trata-se de um caso "isento, mas proibido", da mesma categoria de certas isenções conhecidas em matéria de shabat e de transgressões puníveis apenas por decreto rabínico. O gesto de fazer parecer que se pratica feitiçaria, mesmo sem efeito real, permanece proibido em si.
Bartenura confirma que "pratica um ato" significa um ato real de feitiçaria, punido com apedrejamento, enquanto "iludir os olhos" é apenas fazer parecer aos presentes que algo foi feito, sem qualquer efeito concreto. Explica o exemplo dos pepinos: diante da mesma plateia, um dos dois praticantes de fato os retira do campo por meio de sua arte — e por isso é responsável pela pena capital —, enquanto o outro apenas faz parecer, aos olhos de todos, que os pepinos foram reunidos num só lugar, quando na realidade nenhum deles saiu de seu lugar original — e por isso está isento da pena capital.
Rashi confirma a leitura do exemplo: diante da mesma plateia, dois praticantes parecem colher pepinos por feitiçaria — um deles de fato retira os pepinos de um campo real, praticando um ato efetivo, e por isso é responsável; o outro apenas cria a aparência de que os pepinos foram reunidos num só lugar, quando na realidade nenhum saiu de sua posição original — e por isso está isento, encerrando o Perek Zayin com o mesmo princípio de exatidão técnica que atravessou todo o capítulo: a pena capital recai sobre o ato real, nunca sobre a aparência dele.