O que profana o shabat: em algo pelo qual, feito deliberadamente, são responsáveis por karet, e por sua transgressão inadvertida, uma oferenda de pecado. — Nem toda violação das leis do shabat é punível com apedrejamento; apenas a categoria de trabalho que, segundo a definição já estabelecida em outro tratado, acarreta karet quando cometida com pleno conhecimento e intenção, e exige uma oferenda de pecado quando cometida por engano. Trabalhos de gravidade menor, ainda que proibidos, ficam fora do escopo desta pena.
O que amaldiçoa seu pai e sua mãe não é responsável até que os amaldiçoe com o Nome. Se os amaldiçoou com um substituto, Rabi Meir declara responsável, e os sábios isentam. — Assim como no caso da blasfêmia contra Deus, a responsabilidade por amaldiçoar os pais exige que a maldição tenha sido pronunciada usando o próprio Nome divino, não bastando uma expressão genérica de maldição. A divergência entre Rabi Meir e os sábios surge quanto ao uso de um epíteto substituto do Nome — como "o Misericordioso" ou "o Compassivo" — em vez do Nome propriamente dito: Rabi Meir considera essa forma suficiente para gerar responsabilidade, ao passo que os sábios a consideram insuficiente, isentando o transgressor da pena capital.
Rambam explica que a formulação desta mishná — "em algo pelo qual são responsáveis" — pressupõe a opinião de Rabi Akiva, para quem existe uma categoria de "profanação do shabat" que não acarreta karet nem oferenda de pecado, a saber, a proibição rabínica de ultrapassar os limites da cidade em shabat, que Rabi Akiva considera de origem bíblica. Os sábios, porém, consideram essa proibição de origem rabínica, e reservam o termo "profanação" apenas para os trabalhos que efetivamente acarretam karet e oferenda de pecado. A halachá segue os sábios.
Bartenura precisa que "o Nome" exigido pela mishná se refere a um dos nomes próprios e exclusivos de Deus, e não a qualquer menção genérica. E exemplifica o que a mishná chama de "substituto": epítetos descritivos como "o Misericordioso", "o Compassivo" ou "o Longânime" — atributos divinos que não são, em si, um dos Nomes próprios, e cujo uso na maldição é objeto da divergência entre Rabi Meir e os sábios.
Rashi confirma que a mishná trata apenas da profanação por trabalho pleno e completo, com intenção e ação efetivas — excluindo quem age sem propósito consciente. Reforça que "com o Nome" significa com um dos nomes plenos de Deus, e exemplifica os substitutos aceitos como epítetos: "Shadai", "Tzevaot", "Chanun", "Rachum".