Seder Nezikin · Massechet Sanhedrin · Perek Zayin · Mishná 8 de 11

A profanação do shabat e a maldição aos pais

הַמְחַלֵּל אֶת הַשַּׁבָּת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná define, em uma única frase técnica, qual grau de profanação do shabat é punível com apedrejamento: apenas o trabalho cuja transgressão deliberada acarreta karet e cuja transgressão inadvertida exige oferenda de pecado.

O que profana o shabat: em algo pelo qual, feito deliberadamente, são responsáveis por karet, e por sua transgressão inadvertida, uma oferenda de pecado.Nem toda violação das leis do shabat é punível com apedrejamento; apenas a categoria de trabalho que, segundo a definição já estabelecida em outro tratado, acarreta karet quando cometida com pleno conhecimento e intenção, e exige uma oferenda de pecado quando cometida por engano. Trabalhos de gravidade menor, ainda que proibidos, ficam fora do escopo desta pena.

הַמְחַלֵּל אֶת הַשַּׁבָּת, בְּדָבָר שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנוֹ כָרֵת וְעַל שִׁגְגָתוֹ חַטָּאת.
A mishná passa então a quem amaldiçoa pai e mãe, exigindo, tal como no caso da blasfêmia, o uso do próprio Nome divino na maldição — com a divergência entre Rabi Meir e os sábios sobre se um epíteto do Nome já basta.

O que amaldiçoa seu pai e sua mãe não é responsável até que os amaldiçoe com o Nome. Se os amaldiçoou com um substituto, Rabi Meir declara responsável, e os sábios isentam.Assim como no caso da blasfêmia contra Deus, a responsabilidade por amaldiçoar os pais exige que a maldição tenha sido pronunciada usando o próprio Nome divino, não bastando uma expressão genérica de maldição. A divergência entre Rabi Meir e os sábios surge quanto ao uso de um epíteto substituto do Nome — como "o Misericordioso" ou "o Compassivo" — em vez do Nome propriamente dito: Rabi Meir considera essa forma suficiente para gerar responsabilidade, ao passo que os sábios a consideram insuficiente, isentando o transgressor da pena capital.

הַמְקַלֵּל אָבִיו וְאִמּוֹ, אֵינוֹ חַיָּב עַד שֶׁיְּקַלְּלֵם בַּשֵּׁם. קִלְּלָם בְּכִנּוּי, רַבִּי מֵאִיר מְחַיֵּב וַחֲכָמִים פּוֹטְרִין:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Sanhedrin 7:8
הַמְחַלֵּל אֶת הַשַּׁבָּת בְּדָבָר שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנוֹ כו׳; הַמְקַלֵּל אָבִיו וְאִמּוֹ אֵינוֹ חַיָּב עַד שֶׁיְּקַלְּלֵם כו׳: מִשְׁנָה זוֹ לְדַעַת רַבִּי עֲקִיבָא, שֶׁסּוֹבֵר שֶׁיֵּשׁ שָׁם חִלּוּל שַׁבָּת שֶׁאֵין חַיָּבִין עַל זְדוֹנוֹ כָּרֵת וְעַל שִׁגְגָתוֹ חַטָּאת, וְהוּא אִסּוּר תְּחוּמִין אֵצֶל רַבִּי עֲקִיבָא דְּאוֹרַיְתָא; אֲבָל חֲכָמִים אוֹמְרִים אִסּוּר תְּחוּמִין דְּרַבָּנָן, וְאֵין קוֹרִין אוֹתוֹ חִלּוּל אֶלָּא הַמְּלָאכוֹת בִּלְבַד שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנָן כָּרֵת וְעַל שִׁגְגָתָן חַטָּאת. וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים.

Rambam explica que a formulação desta mishná — "em algo pelo qual são responsáveis" — pressupõe a opinião de Rabi Akiva, para quem existe uma categoria de "profanação do shabat" que não acarreta karet nem oferenda de pecado, a saber, a proibição rabínica de ultrapassar os limites da cidade em shabat, que Rabi Akiva considera de origem bíblica. Os sábios, porém, consideram essa proibição de origem rabínica, e reservam o termo "profanação" apenas para os trabalhos que efetivamente acarretam karet e oferenda de pecado. A halachá segue os sábios.

Bartenura · Sanhedrin 7:8
עַד שֶׁיְּקַלְּלֵם בַּשֵּׁם. בְּאֶחָד מִן הַשֵּׁמוֹת הַמְיֻחָדִים: קִלְּלָם בְּכִנּוּי. רַחוּם, חַנּוּן, אֶרֶךְ אַפַּיִם.

Bartenura precisa que "o Nome" exigido pela mishná se refere a um dos nomes próprios e exclusivos de Deus, e não a qualquer menção genérica. E exemplifica o que a mishná chama de "substituto": epítetos descritivos como "o Misericordioso", "o Compassivo" ou "o Longânime" — atributos divinos que não são, em si, um dos Nomes próprios, e cujo uso na maldição é objeto da divergência entre Rabi Meir e os sábios.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi · רש״י
Sanhedrin 66a, s.v. מתני' המחלל את השבת; שחייבין על זדונו כרת ועל שגגתו חטאת; עד שיקללם בשם; קללם בכנוי
מַתְנִי' הַמְחַלֵּל אֶת הַשַּׁבָּת — דְּחָשִׁיב לֵיהּ תַּנָּא בְּנִסְקָלִין, כְּגוֹן שֶׁחִלְּלוֹ בִּמְלָאכָה גְּמוּרָה: שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנוֹ כָּרֵת וְעַל שִׁגְגָתוֹ חַטָּאת — כְּגוֹן דָּבָר שֶׁיֵּשׁ בּוֹ מַעֲשֶׂה וּמְלֶאכֶת מַחֲשָׁבֶת, וְלֹא הַמִּתְעַסֵּק: עַד שֶׁיְּקַלְּלֵם בַּשֵּׁם — שֶׁיְּקַלֵּל בַּשֵּׁמוֹת הַגְּמוּרִין: קִלְּלָם בְּכִנּוּי — כְּגוֹן שַׁדַּי, צְבָאוֹת, חַנּוּן, רַחוּם.

Rashi confirma que a mishná trata apenas da profanação por trabalho pleno e completo, com intenção e ação efetivas — excluindo quem age sem propósito consciente. Reforça que "com o Nome" significa com um dos nomes plenos de Deus, e exemplifica os substitutos aceitos como epítetos: "Shadai", "Tzevaot", "Chanun", "Rachum".