O Sumo Sacerdote julga, e outros o julgam; testemunha, e outros testemunham a seu respeito; faz chalitzá com a viúva de seu irmão, e seu irmão faz chalitzá com sua esposa; e fazem ibum com sua esposa — mas ele não faz ibum, porque lhe é proibido a viúva. — O Sumo Sacerdote participa normalmente da vida judicial e testemunhal do povo, sem privilégio nem restrição nesses pontos. Quanto ao cunhado que morre sem filhos, ele pode realizar a chalitzá com a viúva, e seu próprio irmão pode fazer chalitzá com a esposa dele, ou consumar o ibum com ela — mas se for o Sumo Sacerdote quem enviuvou, ele mesmo nunca pode consumar o ibum com a viúva de seu irmão, porque a Torá lhe proíbe casar com qualquer viúva (Vayikra 21:14), e uma yevamá é, por definição, uma viúva.
Se lhe morre um morto, não sai atrás do leito fúnebre; antes, eles se ocultam e ele se revela, eles se revelam e ele se oculta, e sai com eles até a entrada da cidade — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: não sai do Templo, pois está dito: "e do Templo não sairá, e não profanará" (Vayikra 21:12). — Mesmo pelo luto de um parente próximo, é proibido ao Sumo Sacerdote tornar-se impuro (Vayikra 21:11). Segundo Rabi Meir, ele acompanha o cortejo à distância, alternando-se com ele conforme as esquinas da rua, até o portão da cidade, de onde o corpo era levado para fora, já que não se enterrava dentro de Jerusalém. Rabi Yehudá discorda e sustenta que ele não sai do Templo em absoluto, fundamentando-se no versículo que exige presença contínua ali.
E quando consola outros, o costume de todo o povo é passar um após o outro, e o encarregado o coloca no meio, entre ele e o povo. — Ao contrário do luto por seus próprios parentes, o Sumo Sacerdote pode participar normalmente do consolo a enlutados alheios. O funcionário encarregado (o segan) caminha à sua direita, colocando-o entre si e o restante do povo, para que ele não fique exposto sem proteção.
E quando é consolado por outros, todo o povo lhe diz: "nós somos tua expiação", e ele lhes diz: "sejais abençoados desde os Céus". — A fórmula de consolo dirigida a ele é distinta da usada com o povo comum: em vez de desejar-lhe consolo, o povo se declara pronto a expiar em seu lugar, e ele os abençoa em resposta.
E quando o alimentam [na primeira refeição de luto], todo o povo se reclina sobre o chão, e ele se reclina sobre o banco. — Um enlutado está proibido de comer sua própria comida na primeira refeição após o enterro; parentes e amigos o alimentam. Nessa ocasião, todo o povo se senta no chão em sinal de partilha de seu pesar, mas o Sumo Sacerdote se reclina sobre um banco, em respeito à sua dignidade.
A mishná se apoia diretamente em dois trechos de Vayikra 21 sobre as restrições únicas do Sumo Sacerdote: a proibição de tornar-se impuro mesmo por parentes próximos, e a proibição de casar com uma viúva.
Rambam esclarece o alcance de "testemunha" na mishná — não em qualquer caso, mas especificamente perante o rei — e explica os termos do consolo e da primeira refeição de luto. Bartenura detalha o motivo de cada restrição de luto do Sumo Sacerdote.
Rambam precisa o alcance da palavra "testemunha": não se trata de testemunhar em qualquer caso comum que se apresente, mas especificamente de uma testemunha singular, exigida diante do próprio rei — dada a grandeza de sua posição, pois todos observam o rei de perto, o Sumo Sacerdote não se abstém de testemunhar por causa disso — e a halachá segue Rabi Yehudá. Sobre o consolo, Rambam explica que a frase que o povo dirige ao Sumo Sacerdote é a própria fórmula de consolo dirigida a ele. Explica também que "mavrin" significa alimentar [na refeição de luto], e que o "safsal" é uma espécie de assento pequeno.
Bartenura explica, passo a passo, a razão de cada detalhe: o Sumo Sacerdote não sai atrás do leito fúnebre para não correr o risco de tocar o corpo em meio à agitação do cortejo, conforme a proibição "e por nenhuma pessoa morta ele não virá". Ele se revela assim que os carregadores do leito se ocultam de sua vista num beco, e vice-versa; e pode sair com eles até a entrada da cidade, pois dentro dela há becos suficientes para permitir esse jogo de ocultar-se, o que já não é possível fora dos muros — daí a halachá seguir Rabi Yehudá, que restringe a saída ao próprio Templo. Sobre o encarregado que o coloca no meio: ele caminha à direita do Sumo Sacerdote, com todo o povo à esquerda, de modo que o Sumo Sacerdote fica ao centro. E "nós somos tua expiação" significa: que em nós se expie o que te seria devido. Sobre a primeira refeição: o enlutado está proibido de comer de sua própria comida na primeira refeição após o enterro, sendo alimentado por parentes e amigos.
Rashi, sobre a Guemará de Sanhedrin 18a-19a, explica cada detalhe do jogo de "ocultar-se e revelar-se" no cortejo, a posição do encarregado no consolo, e acrescenta, a partir da continuação da Guemará, por que o Sumo Sacerdote fica abalado quando outro assume seu posto temporariamente.
Rashi explica que a razão da restrição de acompanhar o cortejo é o risco de que, na agitação e no descuido do momento, o Sumo Sacerdote acabe tocando o corpo — o que o próprio versículo insinua ao dizer "do Templo não sairá", entendido como "de sua santidade não sairá", ou seja: deve se afastar de qualquer situação repugnante que possa levá-lo à impureza. Sobre "eles se ocultam e ele se revela": quando os carregadores do leito saem de um beco e entram em outro, ocultando-se de sua vista, ele se revela e entra nesse primeiro beco; e quando eles se ocultam do segundo beco, ele se revela e entra nele — um jogo contínuo de alternância pelas ruas da cidade. Rabi Yehudá, explica Rashi, interpreta a expressão "do Templo" de modo literal e restritivo. Quanto ao consolo: quando o Sumo Sacerdote retorna do enterro de alguém que não é seu parente, o costume comum se aplica normalmente — todo o povo passa em fila consolando o enlutado parado em seu lugar; e o encarregado (o segan, o vice do Sumo Sacerdote) o posiciona à sua direita, com o povo à esquerda, deixando o Sumo Sacerdote exatamente no meio. E a fórmula "nós somos tua expiação" significa: que em nós se expie o que a ti seria devido, e nós estamos em teu lugar por tudo que te sobreviria.