Houve um episódio em que passaram mais de quarenta pares de testemunhas, e Rabi Akiva deteve-os em Lod. — Rumo a Jerusalém para testemunhar sobre a lua nova, passaram por Lod mais de quarenta pares de testemunhas — um número muito maior do que o necessário — e Rabi Akiva, considerando que o tribunal já teria testemunho suficiente, deteve-os ali, evitando que continuassem viajando em Shabat sem necessidade.
Rabán Gamliel enviou-lhe: se detiveres o povo, tu os farás tropeçar no futuro. — Rabán Gamliel repreendeu Rabi Akiva: mesmo que este grupo específico de testemunhas fosse dispensável, detê-los ensinaria ao povo que seu testemunho não é bem-vindo, e no futuro, quando realmente for necessário, as pessoas relutariam em vir testemunhar — fazendo-as "tropeçar" ao deixarem de cumprir, por desânimo, uma mitzvá que poderiam ter cumprido.
A Torá exige apenas duas testemunhas para estabelecer um fato, mas o episódio relatado na mishná mostra um zelo popular que ultrapassava em muito esse mínimo — mais de quarenta pares vieram testemunhar sobre a mesma lua nova. A disputa entre Rabi Akiva e Rabán Gamliel não é sobre a validade legal do testemunho excedente, que de fato já não era necessário perante a Torá, mas sobre a atitude correta diante do zelo do povo: Rabán Gamliel ensina que desencorajar quem vem cumprir uma mitzvá, ainda que tecnicamente dispensável, arrisca desanimar o povo a cumpri-la no futuro, quando for verdadeiramente indispensável — um princípio que vai além da letra da lei sobre o número mínimo de testemunhas e toca a formação do hábito comunitário de vir testemunhar.
O Rambam explica o raciocínio de Rabán Gamliel sobre o risco futuro, e conclui que a halachá segue sua posição; Bartenura detalha o motivo de Rabi Akiva ter agido como agiu.
"Houve um episódio em que passaram mais de quarenta pares de testemunhas e detiveram-nos etc." — Rabi Akiva assim procedeu porque viu que o testemunho deles já não tinha utilidade. E disse-lhe Rabán Gamliel: ainda que estes testemunhos sejam sem utilidade, talvez em algum mês futuro o testemunho de um deles seja de fato útil, e ele se absterá de vir testemunhar por não terem sido ouvidas suas palavras no passado. E a halachá segue Rabán Gamliel.
"Quarenta pares" — grupos de testemunhas, par após par. "E Rabi Akiva deteve-os" — porque o tribunal já não tinha necessidade deles. "Tu os farás tropeçar no futuro" — pois se absterão de vir testemunhar quando virem que suas palavras não foram ouvidas. E a halachá segue Rabán Gamliel.
Rashi, no mesmo daf, preserva o nome próprio associado ao episódio, tal como transmitido na Guemará.
"Houve um episódio em que passaram mais de quarenta pares de testemunhas etc." — "Shazfar" era assim chamado: a Guemará conserva o nome próprio de uma das testemunhas envolvidas no episódio, detalhe que situa a narrativa como um fato concreto, e não apenas uma ilustração jurídica abstrata.