Pai e filho que viram a lua nova devem ambos ir — não que se juntem um ao outro como testemunhas, mas para que, se um deles for desqualificado, o outro se junte a uma outra testemunha. — Ainda que pai e filho não possam formar juntos o par de testemunhas exigido, pois parentes próximos não se combinam como duas testemunhas independentes, ambos devem comparecer: caso o depoimento de um seja invalidado por algum motivo, o outro ainda estará disponível para se juntar a uma terceira pessoa e completar um testemunho válido.
Rabi Shimon diz: pai e filho e todos os parentes são aptos para testemunho sobre a lua nova. — Rabi Shimon discorda dos sábios anônimos e sustenta que, especificamente para o testemunho sobre a lua nova — por se tratar de um assunto que qualquer pessoa capaz pode ter visto, e não de um litígio entre partes — mesmo parentes próximos podem testemunhar juntos como par válido.
Disse Rabi Yossi: houve um episódio com Tovyá, o médico, que viu a lua nova em Jerusalém — ele, seu filho e seu escravo alforriado — e os cohanim aceitaram a ele e a seu filho, e desqualificaram seu escravo; e quando vieram perante o tribunal, aceitaram a ele e a seu escravo, e desqualificaram seu filho. — O episódio ilustra a incerteza prática em torno da questão: um primeiro grupo, de cohanim menos versados, seguiu a opinião de que parentes não se combinam, mas aceitou o escravo alforriado como testemunha separada por engano quanto à sua condição; o tribunal formal, mais rigoroso, corrigiu ambos os erros — aceitando pai e escravo como testemunhas válidas e independentes, e desqualificando o filho apenas por sua relação de parentesco com o pai já aceito.
É deste mesmo verso, dirigido a Moshé e Aharon — que eram irmãos — que a Guemará extrai a divergência sobre parentes testemunhando juntos sobre a lua nova. Rabi Shimon lê "este mês será para vós" como incluindo o próprio Moshé e Aharon no testemunho válido, apesar de serem irmãos, e generaliza esse princípio para permitir que qualquer par de parentes testemunhe sobre a lua nova. Os sábios que discordam leem o mesmo verso de modo distinto: "este testemunho vos será confiado" — não a qualquer pessoa que veja a lua, mas confiado especificamente aos que ocupam a posição de autoridade no tribunal, como Moshé e Aharon a ocupavam, sem que isso implique permissão geral para parentes testemunharem juntos.
O Rambam e Bartenura explicam as duas leituras opostas do mesmo verso de Shemot que sustentam, respectivamente, Rabi Shimon e os sábios anônimos, e concluem que a halachá não segue Rabi Shimon.
"Pai e filho que viram a lua nova devem ambos ir — não que se juntem etc." — quem considera apto o testemunho de parentes sobre a lua nova traz prova do verso: "e disse D-us a Moshé: este mês será para vós" — este testemunho será apto entre vós, ainda que sejam irmãos. E os sábios dizem: "este testemunho vos será confiado" — significando que o assunto da visão da lua será confiado ao tribunal, não a qualquer pessoa que a veja, para que possa fixar a festa segundo sua própria visão. E a halachá não segue Rabi Shimon.
"Pai e filho e todos os parentes são aptos para testemunho sobre a lua nova" — pois D-us disse a Moshé e a Aharon: "este mês será para vós" — este testemunho sobre o mês será apto entre vós, ainda que sejais irmãos. E os sábios que discordam dele dizem: "este mês será para vós" — este testemunho vos será confiado, isto é, aos grandes da geração como vós. E a halachá não segue Rabi Shimon.
Rashi, no daf que abre esta seção, explica o objetivo prático de o filho comparecer junto ao pai — para não fracassar em sua própria fala caso seja examinado sozinho.
"A mishná: pai e filho que viram a lua nova etc." — "se for desqualificado" — quer dizer que tropece em sua própria fala quando os examinadores o interrogarem sobre os detalhes de sua visão da lua; por isso ambos devem comparecer juntos, de modo que, se um deles falhar no exame, o outro ainda esteja presente para se juntar a uma terceira testemunha e validar o depoimento.