Quer tenha sido vista claramente, quer não tenha sido vista claramente, profana-se o Shabat por sua causa. — Seja a lua nova avistada de modo evidente, alta no céu e visível a todos, seja avistada apenas tenuemente, próxima ao horizonte e encoberta pelo vermelho do poente, em ambos os casos as testemunhas que a viram em Nissan ou Tishrei têm permissão de violar o Shabat para irem relatar seu testemunho ao tribunal.
Rabi Yossi diz: se foi vista claramente, não se profana o Shabat por sua causa. — Rabi Yossi discorda: quando a lua é avistada de modo evidente e inequívoco, ele presume que ela certamente já foi vista também em Jerusalém por outras testemunhas, tornando desnecessário que as testemunhas mais distantes violem o Shabat para relatar o que o próprio tribunal já constatou.
A própria palavra "baalil", que a mishná usa para descrever a lua "vista claramente", é emprestada deste verso, onde descreve a prata refinada e evidente a todos, sem véu nem dúvida. A Guemará explora esse verso para discutir os limites da percepção humana e da certeza que ela pode fornecer: assim como a prata purificada "sete vezes" atinge um grau de pureza total, a lua "vista claramente" atinge, segundo Rabi Yossi, um grau de evidência tão total que dispensa qualquer dúvida sobre se já foi avistada em Jerusalém — e é essa mesma raiz textual, sobre a evidência plena, que a mishná aplica ao caso concreto do testemunho da lua nova.
O Rambam explica o que significa a lua ser vista "de modo evidente", alta acima do horizonte; Bartenura acrescenta a imagem oposta, da lua encoberta pelo vermelho do sol poente, e conclui que a halachá não segue Rabi Yossi.
"Quer tenha sido vista claramente quer não tenha sido vista claramente etc." — "claramente" significa evidente e notório, e isso ocorre quando a lua aparece grande, graças à limpidez do ar, alta acima do horizonte, de modo que todo o povo a veja; pois às vezes ela aparece encoberta, próxima ao vermelho visível no momento do pôr-do-sol, a ponto de só a perceber quem tem vista aguçada. Disse Rabi Yossi: quando ela é evidente a todo o povo, foi vista em todo lugar, pois com certeza também foi vista em Jerusalém, e não se necessita de testemunhas — por isso não se profana o Shabat. E a halachá não segue Rabi Yossi.
"Claramente" — bem alto acima do horizonte, de modo que todos a veem. "Não claramente" — na parte baixa do céu, próxima ao horizonte, e o vermelho do sol a encobre, de modo que não é tão perceptível. "Não se profana" — pois certamente a viram também em Jerusalém. E a halachá não segue Rabi Yossi.
Rashi, no mesmo daf da mishná anterior, situa a razão de Rabi Yossi na desnecessidade do testemunho quando a lua é evidente a todos.
"A mishná: se foi vista claramente, não se profana o Shabat" — segundo a opinião de Rabi Yossi, porque não há necessidade: uma vez que a lua foi avistada de modo evidente a todo o povo, presume-se que já foi constatada também em Jerusalém, e o testemunho das demais testemunhas, distantes, deixa de ser indispensável a ponto de justificar a violação do Shabat.