Não se abate o Pessach por um indivíduo isolado — palavras de Rabi Yehudá. Mas Rabi Yossei permite. Mesmo uma turma de cem que não consigam comer um azeitona de tamanho, não se abate por eles. — Rabi Yehudá sustenta que o korban Pessach, por definição, precisa ser designado a uma pluralidade de pessoas — nunca a um único indivíduo isolado, sozinho, sem ninguém mais junto a ele — independentemente de esse indivíduo ser perfeitamente capaz de comer sua porção inteira. Rabi Yossei discorda dessa exigência de pluralidade: para ele, o que realmente importa não é o número de pessoas designadas, mas a capacidade concreta de consumir a carne — um único indivíduo capaz de comer um azeitona de tamanho é suficiente para que se abata o korban por ele, enquanto uma turma inteira de cem pessoas, se juntas não conseguem comer sequer o volume mínimo de um azeitona, não tem korban algum abatido por ela, pois a carne, nesse caso, certamente sobraria como resto.
E não se forma turma de mulheres, escravos e menores. — Além do critério de capacidade de comer, a mishná estabelece uma restrição adicional sobre a composição da turma: não se organiza uma turma formada exclusivamente por mulheres, nem uma turma que junte escravos e menores. No primeiro caso, o receio é de que a ausência de homens na turma leve a uma condução leviana e pouco cuidadosa da refeição sagrada; no segundo, o receio recai sobre a possibilidade de comportamento impróprio entre escravos e menores reunidos sem supervisão adequada. Isso não significa, porém, que mulheres não possam formar turma entre si sob outras circunstâncias, ou que escravos não possam formar sua própria turma separadamente — a proibição específica é a combinação problemática dentro de uma mesma turma.
Deste versículo — "não poderás abater o Pessach em uma de tuas cidades" —, Rabi Yehudá deriva, por meio de uma leitura que enfatiza a palavra "uma", que o korban Pessach também não pode ser abatido por "um" indivíduo isolado, transpondo o sentido de exclusividade geográfica para uma exigência de pluralidade de pessoas. Rabi Yossei, por sua vez, deriva sua própria posição de outro versículo — "cada um segundo o que come" (Shemot 12:4) —, que ele lê como um critério puramente prático de capacidade de consumo, e não de número mínimo de designados: o que importa, para ele, não é haver mais de uma pessoa, mas haver carne suficiente para que cada designado coma seu volume mínimo.
O Rambam, no Perush HaMishná, esclarece as duas razões distintas por trás da proibição de turma de mulheres, escravos e menores, e confirma que a lei segue Rabi Yossei.
E quer dizer, ao falar de mulheres e escravos, por causa de leviandade; e menores e escravos, por causa de comportamento impróprio. Mas cada tipo por si só é permitido: mulheres por si só, escravos por si só. E a lei segue Rabi Yossei.
Bartenura explica a fonte bíblica de Rabi Yehudá e o critério de Rabi Yossei, segundo o qual a lei segue este último; Rashi, na Guemará, traz o mesmo debate com maior detalhe sobre a leitura do versículo de Devarim.
"Não se abate o Pessach por um indivíduo isolado" — pois está escrito "não poderás abater o Pessach etc.", isto é, por um só. "Mesmo uma turma de cem" — Rabi Yossei diz isso, isto é, o que importa é apenas a capacidade de comer. Um indivíduo isolado, se consegue comer um azeitona de tamanho, abate-se por ele; cem pessoas, se nenhuma delas consegue comer um azeitona de tamanho, não se abate por elas. E a lei segue Rabi Yossei. "Não se forma turma de mulheres e escravos" — para abater o Pessach, mulheres e escravos numa mesma turma, por causa do costume de transgressão; e não menores e escravos numa mesma turma, por causa da leviandade da relação entre homens. Mas mulheres e escravos, cada um por si, podem formar turma.
"Mishná: por um indivíduo isolado" — a razão é derivada na Guemará. "Mesmo uma turma de cem" — Rabi Yossei diz isso, isto é, o assunto do Pessach só depende da comida: um indivíduo isolado, se consegue comer um azeitona de tamanho, abate-se por ele; cem pessoas, se entre todas não conseguem comer um azeitona de tamanho, não se abate por elas. "E não se forma turma de mulheres, escravos e menores" — a razão é explicada na Guemará. "Guemará: não poderás abater o Pessach numa de tuas cidades" — e se interpreta "numa" como referência isolada, sobre o indivíduo. "Escravos e menores, por causa de leviandade" — da relação entre homens.