O Pessach cujo sangue foi lançado, e depois se soube que ele — o Pessach ou o sangue — era impuro, o Tzitz expia. — Se, depois que o sangue do korban Pessach já foi aspergido sobre o altar, descobre-se que havia uma impureza envolvida — seja no próprio animal, seja no sangue lançado —, a falha não é tratada como uma transgressão irreparável. A lâmina de ouro que o Cohen Gadol usa na testa, inscrita com o Nome Divino, tem o poder de expiar precisamente este tipo de falha involuntária ligada à impureza no serviço do Templo. Graças a essa expiação, os donos do sacrifício são considerados como se tivessem cumprido corretamente sua obrigação, e não precisam trazer um segundo Pessach.
Se o corpo se contaminou, o Tzitz não expia, pois assim disseram: o nazireu que faz o Pessach — o Tzitz expia a impureza do sangue, mas o Tzitz não expia a impureza do corpo. — Já quando a impureza não está no animal ou no sangue, mas no próprio corpo do dono — que estava impuro no momento em que deveria trazer seu Pessach —, o Tzitz não tem poder de expiação, e ele é obrigado a trazer um segundo Pessach como qualquer outro impuro que perdeu o primeiro. Essa distinção é apoiada no princípio já estabelecido a respeito do nazireu: da mesma forma que a impureza corporal do nazireu anula os dias de sua nazireidade já contados, mesmo que o Tzitz expie a impureza ligada aos sacrifícios que ele trouxe, ela não tem poder algum sobre a impureza que atingiu diretamente o corpo da pessoa.
Se contaminou-se com impureza do abismo, o Tzitz expia. — Existe uma terceira categoria de impureza, ainda mais extraordinária: quando alguém entra em contato com um cadáver ou sepultura tão profundamente ocultos que absolutamente ninguém, em lugar algum, jamais teve conhecimento de sua existência — como se estivesse escondido no fundo do abismo. Nesse caso específico de impureza corporal, mesmo assim o Tzitz expia, dispensando a pessoa de trazer um segundo Pessach, porque esta é uma halachá recebida por tradição oral desde Sinai, que reconhece que é humanamente impossível se precaver contra algo que nunca foi percebido por ninguém.
Este versículo é a fonte direta do poder expiatório do Tzitz: ele "carrega a iniquidade das coisas sagradas", tornando aceitáveis diante do Eterno oferendas que, de outra forma, teriam sido invalidadas por uma falha involuntária ligada à impureza. É desse mesmo versículo que a mishná deriva os limites dessa expiação: o Tzitz cobre a impureza que afeta a oferenda e seu sangue — pois é sobre "as coisas sagradas" que ele carrega a iniquidade —, mas não se estende à impureza pessoal do próprio dono do sacrifício, exceto no caso extraordinário da impureza do abismo, recebida por tradição como uma exceção adicional, por ser impossível de qualquer forma detectar ou evitar.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica os três tipos de impureza tratados na mishná e a razão pela qual apenas a impureza do abismo, sendo impossível de perceber, é expiada mesmo sendo impureza corporal.
E a impureza do abismo é impureza de cadáver oculta, que nunca é conhecida, como se estivesse no abismo. E por isso o Tzitz expiava, pois é impossível conhecê-la em algum momento, já que não há no mundo pessoa que saiba que naquele lugar havia um morto ou uma sepultura. E que o Tzitz seja expiação sobre a invalidade que nasce e ocorre nas coisas sagradas é a própria linguagem da Torá: disse o Nome "e estará sobre a testa de Aharon, e Aharon carregará a iniquidade das coisas sagradas" etc.
Bartenura distingue com precisão a impureza do sangue, a impureza do corpo e a impureza do abismo, explicando as consequências práticas de cada uma para o Pessach e para o nazireu; Rashi, na Guemará, confirma as mesmas distinções.
"O Pessach cujo sangue foi lançado, e depois se soube que ele etc.": "e depois se soube que era impuro" — quer dizer, o sangue que se contaminou. E "impureza do corpo" — que se contaminou o cohen que o oferece. E "impureza do abismo" é impureza de cadáver oculta, que nunca é conhecida, como se estivesse no abismo. E por isso o Tzitz expiava, pois é impossível conhecê-la em algum momento.
"E depois se soube que era impuro" — o Pessach ou o sangue. "O Tzitz expia" — e é isento do segundo Pessach. "Se contaminou-se" — o dono, com impureza do corpo por cadáver. "O Tzitz não expia" — e é obrigado no segundo Pessach, pois no momento da aspersão ele não é apto a fazer o Pessach, já que o Misericordioso o afastou.
"O nazireu" — pois está escrito "e se alguém morrer perto dele... os dias anteriores caem", pois se ele se contaminou por cadáver antes de trazer suas oferendas, elas se anulam. "O Tzitz expia a impureza do sangue" — e sua raspagem é válida, e é permitido beber vinho e contaminar-se por mortos. "E o Tzitz não expia a impureza do corpo" — e se ele se contaminou no momento de trazer suas oferendas, tudo se anula.
"Se contaminou-se" — seu corpo. "Com impureza do abismo" — toda impureza de cadáver que ninguém conheceu antes é chamada de impureza do abismo. "O Tzitz expia" — pois é halachá recebida por Moshé em Sinai que a impureza do abismo lhes foi permitida, já que ninguém jamais teve conhecimento dessa impureza.
"Mishná: o Pessach cujo sangue foi lançado, e depois se soube que era impuro" — o Pessach ou o sangue. "O Tzitz expia" — e é isento do segundo Pessach. "Se contaminou-se" — o dono, com impureza do corpo por cadáver. "O Tzitz não expia" — e é obrigado a fazer o segundo Pessach, pois no momento da aspersão ele não é apto a fazer o Pessach, já que o Misericordioso o afastou.
"O nazireu" — pois está escrito sobre ele "e se alguém morrer" etc. "os dias anteriores caem": se ele se contaminou por cadáver antes de trazer suas oferendas, elas se anulam. "O Tzitz expia a impureza do sangue" — e sua raspagem é válida, e é permitido beber vinho e contaminar-se por mortos. "E o Tzitz não expia a impureza do corpo" — e se ele se contaminou no momento de trazer suas oferendas, tudo se anula.
"Se contaminou-se seu corpo com impureza do abismo" — impureza de dúvida, ela é expiada, pois é halachá recebida por Moshé em Sinai que a impureza do abismo lhes foi permitida.