O Pessach é abatido em três turmas, pois está dito "e o abaterá toda a assembleia da congregação de Israel" — assembleia, congregação e Israel. — Mesmo quando a comunidade é pequena e todos poderiam, em tese, abater seus sacrifícios de uma só vez, é mitsvá dividir os abatedores em três turmas sucessivas, uma após a outra. Essa divisão é derivada do próprio versículo bíblico, que emprega três termos diferentes — assembleia, congregação e Israel — interpretados como uma alusão a três grupos distintos.
Entrou a primeira turma, o átrio se encheu, fecharam-se as portas do átrio. Tocaram, alarmearam e tocaram. Os cohanim ficavam em fileiras, e em suas mãos bacias de prata e bacias de ouro. Uma fileira toda de prata, prata, e uma fileira toda de ouro, ouro — não se misturavam. E as bacias não tinham fundo, para que não as pousassem e o sangue coagulasse. — Assim que o átrio se enchia com a primeira turma, as portas eram fechadas e um toque triplo de shofar anunciava o início do abate. Os cohanim se dispunham em fileiras ordenadas, cada uma composta inteiramente por bacias do mesmo metal — sem misturar prata e ouro — como sinal de refinamento cerimonial. E essas bacias eram propositalmente feitas sem fundo plano, de modo que não pudessem ser pousadas no chão, forçando os cohanim a mantê-las sempre em movimento até a entrega do sangue, evitando que ele coagulasse por descuido.
A divisão em três turmas é uma leitura homilética do acúmulo de termos coletivos no versículo — "assembleia", "congregação" e "Israel" — que, tomados em separado, sugerem três agrupamentos distintos do povo reunidos para a mesma tarefa. Essa estrutura tríplice também tem uma função prática essencial: o átrio do Templo tinha capacidade limitada, e era impossível que toda a nação abatesse seu korban Pessach simultaneamente; a divisão em turmas sucessivas permitia que, ao longo da tarde, todo o povo cumprisse o preceito com ordem e solenidade.
O Rambam observa, no Perush HaMishná, que o conteúdo desta mishná é essencialmente descritivo, dispensando maiores esclarecimentos halachicos além dos já expostos por Bartenura e Rashi.
"O Pessach é abatido em três turmas, etc.": isto é evidente.
Bartenura descreve o cerimonial completo — a mitsvá de dividir em três turmas mesmo quando desnecessário, o significado das bacias sem fundo; Rashi, na Guemará, acrescenta o mesmo quadro ao comentar diretamente a mishná.
"O Pessach é abatido em três turmas, etc.": isto é evidente.
"O Pessach é abatido em três turmas" — seja quando o público é numeroso, seja quando o público é pequeno e todos poderiam abater de uma só vez, é mitsvá dividir em três turmas, uma após a outra.
"Pois está dito: e o abaterá toda a assembleia da congregação de Israel" — assembleia, congregação e Israel: eis três turmas.
"Bacias" — colheres grandes para receber nelas o sangue. "Uma fileira toda de prata, prata" — pois assim é mais elegante.
"E as bacias não tinham fundo" — eram largas em cima e estreitas embaixo, para que não pudessem se assentar no chão. "Para que não as pousassem" — os cohanim, no chão, até receber outro sangue, por serem numerosos, e as esquecessem, e o sangue coagulasse e se tornasse impróprio para a aspersão.
"Mishná: o Pessach é abatido em três turmas" — os sacrifícios pascais da comunidade. Seja quando o público é pequeno e todos poderiam ser abatidos de uma só vez, é mitsvá dividir em três turmas, uma após a outra.
"Bacias de ouro e bacias de prata" — colheres grandes para receber nelas o sangue.
"E as bacias não tinham fundo" — largas em cima, mas estreitas embaixo, para que não pudessem se assentar no chão. "Para que não as pousassem" — os cohanim, no chão, até receber outro sangue, por serem numerosos, e as esquecessem, e o sangue coagulasse e não fosse mais apto para a aspersão.