As águas ‘atacadas’ (nocivas) são inválidas. Estas são as (águas) ‘atacadas’: as salgadas e as mornas. As águas que ‘mentem’ (que cessam) são inválidas. Estas são as águas que mentem: as que cessam uma vez em sete anos. As que cessam em tempos de guerra ou em anos de seca são válidas. Rabi Yehudá as invalida.
A nona mishná continua a listar as qualidades que desqualificam a água usada na consagração, agora sob o critério da própria natureza da fonte, e não mais de sua origem (mar ou fonte). As águas ‘atacadas’ — salgadas ou mornas — carecem da vitalidade exigida pela expressão bíblica ‘água viva’. Já as águas ‘que mentem’, isto é, fontes que periodicamente secam, revelam por essa intermitência que não são verdadeiramente vivas; mas a mishná distingue entre a seca regular, que desqualifica a fonte de modo permanente, e a seca ocasional causada por guerra ou por anos excepcionais de estiagem, que não compromete o estatuto da fonte, segundo o primeiro sábio anônimo — embora Rabi Yehudá discorde mesmo neste último caso.
‘Mucim’ (atacadas) — nocivas; e explicou de que modo são nocivas: se são salgadas ou quentes; e ainda que jorrem, não são água viva. E, do mesmo modo, as fontes que secam em certas ocasiões são as que se chamam ‘mechazevot’ (mentirosas); disse o versículo (Yeshayahu 58): ‘como manancial de águas cujas águas não mentem’ — isto é, que não cessam nem secam.
Depois, disse (a mishná) que, se não secam senão após longo tempo, elas são válidas — ‘pulmasiot’ (tempos de campanha militar) do governante; e já te precedeu isto em Sotá (49a), a respeito da campanha de Vespasiano — quer dizer que isto ocorreu nos dias de tal ou tal governo, ou em determinada época distante, quando esta fonte secou, ou em anos ruins (de seca). E a lei não é como Rabi Yehudá.
Sobre “águas atacadas”: as nocivas — como, por exemplo, que são salgadas e mornas.
Sobre “inválidas”: para a água de chatat.
Sobre “águas que mentem”: as que cessam; como ‘…cujas águas não mentem’ (Yeshayahu 58).
Sobre “inválidas”: pois precisamos de água viva.
Sobre “uma vez em sete anos”: mas (que cessam) uma vez no jubileu, chamam-se, com razão, água viva.
Sobre “em pulmasiot”: exércitos de tropas que bebem e as arruínam.
Sobre “em anos de escassez”: anos de retenção das chuvas.
Sobre “Rabi Yehudá invalida”: mesmo aquelas que só cessam em tempos de campanha militar e em anos de seca. E a lei não é como Rabi Yehudá.