Aquele que come da carcaça (nevelá) de ave pura, enquanto ela está na garganta, contamina as vestes; a própria carcaça não contamina as vestes. Eis que ela (a veste) diria: ‘Os que te contaminaram a mim não me contaminaram, e tu me contaminaste.’
A quarta mishná apresenta um caso peculiar de impureza rabínica: a carcaça de uma ave pura não é, por si mesma, fonte de impureza — ao contrário da carcaça de um mamífero puro, que é impura por lei da Torá. Mas os sábios decretaram que, enquanto o bocado permanece na garganta de quem o engoliu, antes de ser digerido, ele contamina o próprio homem, que por sua vez contamina as vestes que veste — um decreto destinado a preservar, também aqui, um resíduo do respeito devido à carne, ainda que a carcaça, tocada diretamente, não contamine nada.
Já explicamos na introdução que a carcaça de ave pura contamina o homem (apenas) enquanto está na garganta, e então ele contamina as vestes ao tocá-las — e isto é por decreto rabínico. Mas, se a própria carcaça de ave pura tocou nas vestes, não as contamina; e do mesmo modo, não contamina o homem por contato. E ainda se explicarão as provas disto em Taharot, no início do tratado.
Sobre “aquele que come da carcaça de ave pura”: a carcaça de ave pura não tem impureza alguma se tocou num homem ou em vestes; apenas na garganta ela contamina o homem, para que ele contamine as vestes, conforme se ensina no tratado Taharot (capítulo 1, mishná 1); e é isto que as vestes dizem ao homem: ‘os que te contaminaram a mim não me contaminaram, e tu me contaminaste’ etc.