Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Zayin · Mishná 12 de 12

A intenção de reconstruir a cerca ou secar os figos não desqualifica, encerrando o Perek Zayin

הַפּוֹרֵץ עַל מְנָת לִגְדֹּר, כָּשֵׁר. וְאִם גָּדַר, פָּסוּל. הָאוֹכֵל עַל מְנָת לִקְצוֹת, כָּשֵׁר. וְאִם קָצָה, פָּסוּל. הָיָה אוֹכֵל וְהוֹתִיר וְזָרַק מַה שֶּׁבְּיָדוֹ לְתַחַת הַתְּאֵנָה אוֹ לְתוֹךְ הַמֻּקְצֶה בִּשְׁבִיל שֶׁלֹּא יֹאבַד, פָּסוּל׃
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Derrubar com a intenção de reconstruir, comer com a intenção de secar: quando a mera intenção não desqualifica, e quando o ato consumado sim

Aquele que derruba (uma cerca) com a intenção de reconstruí-la (depois), está válido; mas se (de fato) a reconstruiu, está desqualificado. Aquele que come (figos) com a intenção de secá-los, está válido; mas se (de fato) os secou (para guardá-los), está desqualificado. Se estava comendo, e sobrou (algo), e jogou o que tinha na mão debaixo da figueira, ou entre os figos postos para secar, para que não se perdesse, está desqualificado.

A última mishná do Perek Zayin fecha o capítulo com o princípio inverso ao que dominou boa parte dele: aqui não é a intenção que desqualifica, mas somente o ato efetivamente realizado. Pensar em reconstruir a cerca, ou em secar os figos para guardá-los, não constitui trabalho enquanto permanece mera intenção; a água só se desqualifica quando o carregador de fato reconstrói a cerca ou de fato deposita os figos no local de secagem. O caso final — jogar o resto do alimento sob a figueira para que não se perca — ilustra a mesma regra: o motivo de preservar o alimento transforma o gesto em ato de guardar, que é considerado trabalho e desqualifica a água.

הַפּוֹרֵץ עַל מְנָת לִגְדֹּר, כָּשֵׁר. וְאִם גָּדַר, פָּסוּל. הָאוֹכֵל עַל מְנָת לִקְצוֹת, כָּשֵׁר. וְאִם קָצָה, פָּסוּל. הָיָה אוֹכֵל וְהוֹתִיר וְזָרַק מַה שֶּׁבְּיָדוֹ לְתַחַת הַתְּאֵנָה אוֹ לְתוֹךְ הַמֻּקְצֶה בִּשְׁבִיל שֶׁלֹּא יֹאבַד, פָּסוּל׃

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 7:12
אוכל על מנת לקצות. הוא שיחתוך הפירות כשהן פגים לייבשן וישירם ואחר יאכלם…

‘Come com a intenção de secá-los’ — isto é, que corta os frutos ainda verdes para secá-los e deixá-los à parte, e depois os come — eis que ele não desqualifica as águas, assim como no caso do que caminha (fora do seu trajeto): se sua intenção é reconstruir (a cerca), ele não desqualifica por esta intenção, até que de fato a reconstrua. E, do mesmo modo, este não desqualifica, ainda que tenha colhido destes frutos, e já tenha completado seu pensamento (a intenção de secá-los) e feito o trabalho — e tudo isto está conforme já explicamos, que não há em toda a matéria do enchimento desqualificação (por mera intenção).

E o que disseram ‘para que não se perdesse’ é uma condição para a desqualificação, pois, se ali o jogou porque não tinha necessidade dele e não se importava se permaneceria ou se perderia, ele não desqualifica.

Bartenura · Pará 7:12
הַפּוֹרֵץ עַל מְנָת לִגְדֹּר. כְּלוֹמַר אֲפִלּוּ עַל מְנָת לִגְדֹּר, לָא חֲשִׁיב מְלָאכָה…

Sobre “aquele que derruba com a intenção de reconstruir”: isto é, mesmo com a intenção de reconstruir, isto não é considerado um trabalho, e o enchimento está válido.

Sobre “aquele que come com a intenção de secá-los”: depois de encher a água, antes de consagrá-la, ele estava colhendo figos com a intenção de secá-los para fazer deles figos secos (grogarot), e depois de colhê-los, os comeu — o pensamento de que queria fazer deles figos secos não desqualifica a água; antes, é como se tivesse colhido para comer, o que não desqualifica — semelhante ao que derruba (a cerca) com a intenção de reconstruí-la, cujo pensamento de reconstruir não desqualifica até que de fato a reconstrua; também aqui (o mesmo se aplica).

Sobre “mas se os secou”: se os colocou no lugar onde se costuma deixar os figos para secar, está desqualificado.

Sobre “para que não se perdesse, está desqualificado”: porque guardar alimentos para que não se percam é considerado um trabalho.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.
סְלִיקָא לֵיהּ פֶּרֶק שְׁבִיעִי

Aqui termina o Perek Zayin de Massechet Pará — que reúne as leis do trabalho realizado durante o enchimento e a consagração da água de expiação: a mudança de intenção entre múltiplas consagrações (7:1); a regra geral de que o trabalho desqualifica o enchimento, seja para si, seja para outro (7:2), e a regra inversa da consagração, que só se desqualifica quando o trabalho é para si mesmo (7:3); as quatro fórmulas de troca entre dois homens, distinguindo consagrar por salário — que desqualifica — de encher por salário — que é permitido (7:4); a ordem de enchimento e a posição do cântaro da chatat sobre o ombro (7:5); a corda devolvida ao dono dentro ou fora do caminho normal, e a decisão temporária de Yavne (7:6–7); os cuidados com o próprio utensílio de enchimento e a limpeza do tanque (7:8); a regra geral de Rabi Yehudá sobre o que constitui trabalho para quem carrega a água no ombro (7:9); a água confiada a um guarda puro ou impuro (7:10); o auxílio mútuo entre dois que enchem para a mesma consagração (7:11); e, por fim, a distinção entre a mera intenção e o ato consumado, no caso de quem derruba uma cerca ou colhe figos para secar (7:12).