Seder Tehorot · Massechet Ohalot · Perek Yud-Bet · Mishná 8 de 8

O pedaço de morto colado à soleira

כְּזַיִת מִן הַמֵּת מֻדְבָּק לָאַסְקֻפָּה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fecha o Perek Yud-Bet com um pedaço do tamanho de uma azeitona de um cadáver colado à soleira ou à verga da porta: controvérsia entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre se a casa fica impura; a regra de "metade por metade" quando o pedaço está debaixo da soleira; e a diferença, segundo Rabi Yehoshua, entre quem toca abaixo ou acima de um palmo, pois a impureza tende a sair, não a entrar

Um pedaço do tamanho de uma azeitona de um morto, colado à soleira: Rabi Eliezer declara a casa impura. Rabi Yehoshua declara pura. Se estava colocado debaixo da soleira, julga-se metade por metade. Colado à verga, a casa fica impura. Rabi Yosei declara pura. Se estava colocado dentro da casa, quem toca na verga fica impuro. Quanto a quem toca na soleira: Rabi Eliezer declara impuro. Rabi Yehoshua diz: abaixo de um palmo permanece puro; acima de um palmo fica impuro.

Esta última mishná do capítulo retoma, num caso concreto, o princípio de que uma impureza suspensa do chão — como um pedaço de cadáver colado à parte alta de uma soleira larga — se comporta como um túmulo fechado, capaz de impurificar tudo ao redor por meio de sua própria tenda. A controvérsia entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua gira em torno de saber se a soleira, do lintel para fora, ainda é considerada parte da casa: Rabi Eliezer entende que sim, e por isso a impureza ali colada torna a casa inteira impura; Rabi Yehoshua entende que não, e por isso a declara pura — halachá que prevalece. Quando o pedaço está debaixo da soleira, aplica-se a regra de metade por metade: da metade interna da soleira para dentro, considera-se como se estivesse dentro da casa, e a casa fica impura; da metade externa para fora, considera-se como se estivesse fora, e a casa permanece pura; e exatamente na metade, a casa fica impura. Já colado à verga da porta — mesmo do lado externo do lintel —, todos concordam que a casa fica impura, pois toda a verga é considerada parte da casa; apenas Rabi Yosei discorda, sem que a halachá o siga. Por fim, a mishná examina o caso inverso, em que a impureza está dentro da própria casa: quem toca a verga fica sempre impuro, mas quanto a quem toca a soleira, Rabi Yehoshua distingue — abaixo de um palmo de altura, ela se assemelha ao próprio chão e permanece pura; acima de um palmo, torna-se parte da tenda da casa e transmite a impureza — pois, como explica o Rambam, o caminho da impureza é sair, não entrar.

כְּזַיִת מִן הַמֵּת מֻדְבָּק לָאַסְקֻפָּה, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְטַמֵּא אֶת הַבַּיִת. רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מְטַהֵר. הָיָה נָתוּן תַּחַת הָאַסְקֻפָּה, יִדּוֹן מֶחֱצָה לְמֶחֱצָה. מֻדְבָּק לַמַּשְׁקוֹף, הַבַּיִת טָמֵא. רַבִּי יוֹסֵי מְטַהֵר. הָיָה נָתוּן בְּתוֹךְ הַבַּיִת, הַנּוֹגֵעַ בַּמַּשְׁקוֹף טָמֵא. מִטֶּפַח הַנּוֹגֵעַ בָּאַסְקֻפָּה, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְטַמֵּא. רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, מִטֶּפַח וּלְמַטָּן טָהוֹר, מִטֶּפַח וּלְמַעְלָן טָמֵא:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Ohalot 12:8
הַטֻּמְאָה כַּאֲשֶׁר הָיְתָה גְבוֹהָה מִן הָאָרֶץ…

Já precedeu, em lugares deste tratado, que a impureza, quando está elevada do chão, é como um túmulo fechado e impurifica tudo ao seu redor, e a casa toda fica impura por estar fazendo-lhe sombra.

E disseram “julga-se metade por metade”, o que significa que examinamos o lugar da impureza: se estava na metade da largura da soleira que se estende para fora da casa, a casa permanece pura, como se a impureza estivesse dentro das paredes da casa, conforme se esclareceu neste tratado.

E desta halachá se esclarece que quem entra com parte do corpo na tenda do morto fica impuro; e a expressão do Sifrei (Números 19:14) é: “todo aquele que entra na tenda” — este é aquele que entra com parte de si; “e tudo o que está na tenda” — este é aquele que entra por inteiro. E a halachá é como Rabi Yehoshua, e a halachá não é como Rabi Yosei.

Bartenura · Ohalot 12:8
מֻדְבָּק לָאַסְקֻפָּה. שֶׁהָאַסְקֻפָּה רְחָבָה…

Sobre “colado à soleira”: quando a soleira é larga e a impureza está colada à soleira, do lintel para fora; Rabi Eliezer considera toda a soleira como parte da casa, por isso declara a casa impura. E Rabi Yehoshua entende que, do lintel para fora, a soleira não é considerada parte da casa. E a halachá é como Rabi Yehoshua.

Sobre “julga-se metade por metade”: da metade da soleira para dentro, considera-se como dentro, e a casa fica impura; da metade para fora, considera-se como fora, e a casa permanece pura; exatamente na metade, a casa fica impura.

Sobre “colado à verga”: debaixo da verga, do lintel para fora.

Sobre “a casa fica impura”: pois mesmo do lintel para fora é considerado parte da casa.

Sobre “e Rabi Yosei declara pura”: pois ele não o considera parte da casa. E a halachá não é como Rabi Yosei.

Sobre “Rabi Eliezer declara impuro”: pois ele considera toda a soleira parte da casa.

Sobre “abaixo de um palmo permanece puro”: pois se assemelha ao próprio chão.

Sobre “acima de um palmo fica impuro”: e ainda que, quando está colada à soleira, Rabi Yehoshua declare a casa pura, aqui, quando a impureza está na casa, Rabi Yehoshua declara impuro quem toca a soleira acima de um palmo, porque o caminho da impureza é sair, e não entrar. E a halachá é como Rabi Yehoshua.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Ohalot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste capítulo.
אֵין דֶּרֶךְ טֻמְאָה לִכָּנֵס אֶלָּא לָצֵאת

Com esta oitava mishná, encerra-se o Perek Yud-Bet de Massechet Ohalot, um capítulo dedicado, quase inteiramente, a estruturas isoladas — tábuas, grelhas, sandálias, vigas, colunas e soleiras — que separam ou transmitem a impureza conforme critérios precisos de medida e de material.

O capítulo abriu (12:1–12:3) retomando o forno, já estudado em capítulos anteriores, sob o ângulo específico da tábua que o cobre: forno novo, ainda não recebido como vaso, permite que a tábua funcione como tenda genuína e separe impurezas; forno velho, já sendo ele mesmo um vaso, não se beneficia dessa proteção, pois vasos se tornam tendas para impurificar mas não para purificar — princípio central de todo o tratado. A mesma lógica se estendeu à grelha vedada (12:2) e à tábua que só sobra de dois lados, culminando na figura do betach e da saliência que sobre ele se apoia, com a controvérsia entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua decidida a favor deste último (12:3). A mishná 12:4 voltou ao tema da abertura mínima de um palmo, agora no caso pitoresco da sandália de um berço visível através de um rombo no teto. As mishnayot 12:5–12:7 formaram um bloco geométrico coerente: vigas alinhadas ou intercaladas do teto de uma casa e de seu sótão, aplicando os princípios de “puxa e desce” e “puxa e sobe” a divisória; uma única viga entre duas paredes, com o cálculo da circunferência necessária, redonda ou quadrada, para produzir a largura mínima de um palmo; e, por fim, a coluna cilíndrica deitada ao ar livre, cujo tratamento exigiu do Bartenura um cálculo minucioso de diagonais e frações para determinar a circunferência exata — vinte e quatro palmos — que basta para formar, sob sua lateral curva, o vão cúbico necessário. E a mishná final (12:8) retornou ao tema da soleira e da verga da porta, já explorado no capítulo anterior, agora sob a forma de um pedaço de morto do tamanho de uma azeitona: a controvérsia entre Rabi Eliezer, Rabi Yehoshua e Rabi Yosei sobre os limites exatos da casa, e o princípio, formulado pelo próprio Rabi Yehoshua, de que o caminho da impureza é sair, não entrar.

O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Yud-Guimel, que continuará a explorar, ao longo dos seis perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.