Um homem e uma mulher que fizeram suas necessidades dentro da mesma bacia, e se encontrou sangue sobre a água: Rabi Yossei declara pura. E Rabi Shimon declara impura, pois não é comum ao homem produzir sangue (ao urinar), mas sim que a presunção dos sangues é de que vêm da mulher.
Este caso agrava a dúvida da mishná anterior: agora há duas incertezas somadas — se o sangue veio do homem ou da mulher, e, se da mulher, se veio da fonte menstrual ou não. Rabi Yossei estende sua posição branda mesmo a esta dúvida dupla e declara pura. Rabi Shimon, ao contrário, sustenta que, como não é natural que o homem produza sangue ao urinar, todo sangue encontrado é automaticamente presumido como vindo da mulher — reduzindo, a seu ver, o caso a uma única dúvida (se veio ou não da fonte), e por isso declara impura. A lei segue Rabi Yossei.
Rambam explica: se um homem e uma mulher urinaram no mesmo recipiente e se encontrou sangue nessa urina, há aqui duas dúvidas: dúvida se é do homem, dúvida se é da mulher; e, se dizes que é da mulher, ainda há dúvida se é da fonte — tendo a água retornado à fonte e feito sair sangue — ou se não é assim. E, ainda que haja aqui dúvida sobre dúvida, Rabi Shimon declara impura, mesmo que ela estivesse sentada, pois, uma vez que se diz que a água retornou à fonte, Rabi Shimon declara impura. E a lei não é conforme Rabi Shimon, mas sim conforme Rabi Yossei, que disse que, mesmo que ela estivesse em pé para urinar e se encontrasse sangue em sua urina, ela é pura, como já se disse antes.
Bartenura explica: sobre “que fizeram suas necessidades” — urinaram. Sobre “Rabi Yossei declara pura” — pois, mesmo no caso de uma mulher sozinha, em que há apenas uma única dúvida — se veio da fonte ou do lugar da urina —, Rabi Yossei já declarou pura acima; com muito mais razão aqui, onde talvez tenha vindo do homem. E a mishná repetiu “Rabi Yossei declara pura” para ensinar, com esta lição adicional, que ele a declara pura mesmo de antemão, permitindo-lhe ocupar-se de coisas puras — para que não se pensasse que ele só declara puras as coisas que ela já manuseou depois do fato. Sobre “e Rabi Shimon declara impura” — mesmo aqui, onde há dúvida sobre dúvida, conforme o motivo que a mishná ensina. Sobre “pois a presunção dos sangues é da mulher” — e acima já decidimos que a lei é conforme Rabi Yossei, que declara pura mesmo numa única dúvida; com muito mais razão aqui, onde há duas.
Rashi explica: sobre “suas necessidades” — urina. Sobre “Rabi Yossei declara pura” — pois, mesmo numa mulher sozinha, onde há apenas uma dúvida — se veio da fonte, se veio do lugar da urina —, ele já declara pura; com muito mais razão aqui, onde talvez tenha vindo do homem. E na Guemará se pergunta: se já numa única dúvida ele declara pura, em duas dúvidas por que seria necessário dizê-lo?