Estava comendo terumá e sentiu que seus membros estremeceram — segura o membro e engole a terumá. E tornam impuros em qualquer quantidade, mesmo como um grão de mostarda, ou menos que isso.
— Esta mishná continua diretamente o caso da anterior, tratando ainda das leis do zav e da emissão seminal, antes de a mishná seguinte retomar o tema das idades. Um sacerdote que está no meio de uma refeição de terumá — a porção sagrada reservada aos sacerdotes — e sente em seu corpo o estremecimento característico de uma emissão seminal iminente, encontra-se diante de um dilema: se parar de comer e sair correndo, perderá a terumá que já tem na boca; mas, se a emissão sair, ele se tornará impuro e desqualificado para continuar comendo. A mishná ensina que, nesse momento preciso, ele deve segurar o membro — impedindo fisicamente a saída da emissão — e engolir o que já está mastigando, permanecendo puro. Este é um caso excepcional: em circunstâncias normais, segurar o membro para reter uma emissão é conduta reprovável, associada pelos sábios ao pecado da geração do dilúvio; mas aqui, como a semente já se desprendeu do corpo internamente, não há mais risco de novo estímulo, e a ação serve apenas para preservar a pureza da terumá já ingerida. A segunda parte da mishná estabelece um princípio quantitativo: tanto o fluxo do zav quanto a emissão seminal, quando saem do próprio corpo da pessoa, tornam impuros em qualquer quantidade, por ínfima que seja — mesmo do tamanho de um grão de mostarda ou menor; a exigência de uma quantidade mínima, do tamanho de uma lentilha, aplica-se apenas a quem toca essas substâncias fora do corpo, não a quem as emite.
Rambam explica: permitiram-lhe aqui segurar o membro, porque ele já emitiu a semente, e assim ele não acrescentará mais pensamento (que poderia gerar nova emissão). E disseram “tornam impuros em qualquer quantidade” referindo-se à emissão de sêmen e ao fluxo do zav, pois o zav e quem teve emissão seminal, se emitiram qualquer quantidade que seja, tornam-se impuros; mas quem toca em sêmen só se torna impuro quando o toque alcança o tamanho de uma lentilha, como já explicamos.
Bartenura explica: sobre “sentiu que seus membros estremeceram” — que a emissão de sêmen se desprendeu de seu corpo. Sobre “segura o membro” — e, ainda que todo aquele que segura o membro para urinar seja como quem traz o dilúvio ao mundo, aqui, como a emissão já se desprendeu, ele não voltará a se esquentar para desprender mais naquele mesmo momento. Sobre “tornam impuros” — o fluxo do zav e a emissão de sêmen. Sobre “em qualquer quantidade” — para a pessoa da qual saem; mas quem os toca só se torna impuro quando o toque alcança o tamanho de uma lentilha.
Rashi explica: sobre “sentiu que seus membros estremeceram” — que a emissão de sêmen já se desprendeu de seu corpo.