Três tosquiam, sendo a sua tosquia um preceito: o nazireu, o metzorá, e os levitas. E todos eles que tosquiaram sem navalha, ou que deixaram dois fios de cabelo, não fizeram nada.
Esta breve mishná reúne os três únicos casos na Torá em que o próprio ato de tosquiar o cabelo constitui, em si, um mandamento religioso: o nazireu, ao completar o seu voto; o metzorá, nos dois momentos já descritos nas mishnayot anteriores; e os levitas, cuja tosquia ocorreu uma única vez, no momento em que foram escolhidos para o serviço no deserto (Bemidbar 8:7), e que não se repete nas gerações seguintes. Em todos os três casos, a validade da tosquia depende de dois requisitos: que seja feita com uma navalha (e não com tesoura ou outro instrumento que arranque o pelo sem cortá-lo rente), e que remova a totalidade do pelo, sem deixar sequer dois fios remanescentes. Se qualquer uma dessas condições faltar, considera-se que a tosquia não foi realizada, e o preceito permanece não cumprido.
Tudo isto está claro no versículo. E, quanto aos levitas, disse-o na ocasião em que o Nome, exaltado seja, os escolheu no deserto para o Seu serviço (Bemidbar 8:7): "e farão passar a navalha sobre toda a sua carne, e lavarão as suas roupas, e se purificarão". E esta tosquia foi apenas no deserto, e não se pratica nas gerações seguintes.
Sobre "e os levitas": no momento em que foram escolhidos para o serviço no deserto, e não se pratica nas gerações seguintes.