Uma vestimenta isolada que se misturou com outras — todas são puras. Se a cortou e a transformou em estofa, é pura, e é permitido tirar proveito dela. E a definitivamente impura que se misturou com outras — todas são impuras. Se a cortou e a transformou em estofa, é impura, e é proibido tirar proveito dela.
Esta última mishná do capítulo trata de dois casos de mistura envolvendo vestimentas de status incerto. No primeiro, uma vestimenta isolada (mesugar) — cujo status de impureza ainda não foi definitivamente decidido, apenas suspeito — mistura-se fisicamente com outras vestimentas puras, a ponto de não se poder identificar qual delas é a marcada. Nesse caso, todas as vestimentas permanecem puras: a impureza de nêgaim, ao contrário de outras impurezas mais graves, não se aplica a um caso de dúvida quando ainda não houve certificação definitiva — só a certeza torna impuro. Se, em vez disso, essa vestimenta isolada for cortada em pedaços pequenos, menores que a medida mínima de três por três, mas sem se separarem completamente uns dos outros, e transformada em estofa, ela se torna pura de forma definitiva, e é permitido até mesmo tirar proveito dela — pois deixou de ter a forma e a medida de uma vestimenta suscetível. O segundo caso é o oposto: uma vestimenta definitivamente impura (muchlat, já certificada como tal pelo sacerdote, e não apenas suspeita) que se mistura com outras vestimentas puras — nesse caso, todas se tornam impuras, pois, uma vez que uma impureza certa já se estabeleceu, uma dúvida posterior não basta para purificar. Mesmo se essa vestimenta certificada for cortada e transformada em estofa, ela permanece impura, e é proibido tirar qualquer proveito dela, pois a Torá ordena expressamente que a vestimenta certificada como impura seja queimada.
Isto é evidente, pois a vestimenta marcada, definitivamente impura, é proibida quanto ao proveito, por dizer Ele, exaltado seja (ali): “no fogo será queimada”.
Sobre “a vestimenta isolada”: que tinha nela uma marca, e a tingiu, e a marca não é mais reconhecível nela.
Sobre “todas são puras”: pois é a marca certa que torna impuro, e não torna impuro o duvidoso.
Sobre “e a transformou em estofa”: pedaços pequenos, menores que três por três, mas que não se separaram completamente.
Sobre “todas são impuras”: pois, uma vez que já ficou obrigada à impureza, a dúvida não a purifica.
Sobre “é impura e é proibido tirar proveito dela”: pois requer queima.
Com esta décima segunda mishná, encerra-se o Perek Yud-Alef de Massechet Negaim. O capítulo abriu passando da tzaraat da cabeça e da barba para a tzaraat das vestimentas, excluindo as vestimentas dos não judeus e os couros de animais marinhos (11:1), e tratou da mistura de fibras — lã de camelo com lã de ovelha, linho com cânhamo (11:2). Examinou o debate tanaítico sobre couros, vestimentas e casas tingidas (11:3), definiu os matizes de verde e vermelho que tornam a vestimenta impura e as regras de mudança de cor (11:4), descreveu o procedimento das duas semanas de isolamento e as marcas que escurecem (11:5), e tratou do destino do remendo colocado sobre o lugar da marca cortada (11:6). Narrou o debate entre Rabi Eliézer e Rabi Yehudá ben Beterá sobre a peça de verão listrada, fechando com as medidas do alastramento próximo, distante e recorrente (11:7). Desceu ao nível dos fios soltos, definindo quando a urdidura e a trama se tornam suscetíveis e a medida mínima de um novelo (11:8), tratou da transferência de fio entre novelos e da urdidura já montada no tear (11:9), e das relações entre o tecido pronto, a urdidura no tear, e as franjas e bordas de um lençol e de uma túnica (11:10). Estendeu a impureza de nêgaim a objetos aptos à impureza de morto, como a vela de um navio e o odre de pastor (11:11), e fechou com as regras da vestimenta isolada e da definitivamente impura misturadas com outras (11:12).
O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Yud-Bet de Massechet Negaim, que passará das leis da tzaraat das vestimentas para as leis da tzaraat das casas.