Se apareceu marca na urdidura fixa, o tecido é puro. Se apareceu no tecido, a urdidura fixa é pura. Se apareceu num lençol, queima-se as franjas. Se apareceu nas franjas, o lençol é puro. Uma túnica em que apareceu uma marca protege as suas bordas, mesmo que sejam de púrpura.
Esta mishná continua o tema da urdidura fixa no tear versus o tecido já concluído, estabelecendo que os dois são tratados como domínios separados que não se combinam nem transmitem impureza um ao outro: se a marca aparece na parte ainda no tear, o tecido já pronto permanece puro; e inversamente, se a marca aparece no tecido já pronto, a urdidura ainda no tear permanece pura. A mishná trata então de um lençol com franjas nas pontas, os fios soltos deixados na tecelagem: se a marca aparece no corpo do lençol, deve-se queimar também as franjas junto com ele, pois são consideradas parte integrante da peça; mas se a marca aparece apenas nas franjas, o corpo do lençol permanece puro, pois as franjas, por serem meros apêndices soltos, não transmitem sua impureza de volta ao corpo principal. A mishná fecha com a regra mais notável do capítulo até aqui: uma túnica em que aparece uma marca — que deve ser queimada — protege suas bordas, as faixas decorativas costuradas nas bainhas, da queima, mesmo que essas bordas sejam de púrpura, um material nobre e caro. A Torá exclui explicitamente as bordas da ordem de queima, entendendo-se que a expressão repetida “de lã ou de linho” no versículo sobre a queima vem para ensinar que apenas o corpo de lã ou linho é queimado, não os ornamentos acrescentados.
“Sadin” (lençol) é o pequeno véu; e “nimin” (franjas) são os fios que ficam no início da peça e no seu final; e “umriot” (bordas) são as faixas decorativas. E a prova disso é o que disse: “e queimará a vestimenta, ou a urdidura, ou a trama, de lã ou de linho” — pois dizer “de lã ou de linho” ensina que é sobre eles que recai o que se queima e o que se deixa; e veio a tradição que se deixa dela as bordas que nela há, mesmo que sejam de púrpura, que é lã — para que não penses que elas só protegem da queima se forem de seda ou de ouro e semelhantes, e não se forem de lã ou linho.
Sobre “se apareceu a marca na urdidura fixa, o tecido é puro”: quando não se tecerá mais a partir dessa urdidura no tecido já feito.
Sobre “a urdidura fixa é pura”: isto é, o que não se cortará da urdidura junto com o tecido já feito.
Sobre “as franjas”: fios que estão no início do lençol e no seu final.
Sobre “protege as bordas”: a orla da vestimenta, que não se queima, pois está escrito “e queimará a vestimenta, de lã ou de linho” — e não seria necessário dizer “de lã ou de linho”, a não ser para te ensinar que não se queimam as bordas junto com elas.
Sobre “mesmo que sejam de púrpura”: para que não penses que só protege quando as bordas são de outro tipo, que não se torna impuro por nêgaim, como as de seda e de ouro — vem ensinar-nos que, mesmo sendo de púrpura, que é lã tingida, protege.