Pelo amarelo que precedeu a tinha é puro. Rabi Yehudá torna impuro. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: não torna impuro nem protege. Rabi Shimon diz: tudo o que não é sinal de impureza na tinha é sinal de pureza na tinha.
Esta breve mishná retoma, de modo direto, a questão já latente na mishná anterior — o status do pelo amarelo que existia no local antes mesmo de a tinha se formar ali. O tanná kama (opinião anônima, sem atribuição) declara simplesmente que tal pessoa é pura: um pelo amarelo anterior à tinha não é considerado sinal de impureza, em concordância com a posição de Rabi Yehudá exposta na mishná anterior sobre a exigência de que o pelo seja “revertido”. Mas aqui o próprio Rabi Yehudá é citado discordando dessa conclusão e declarando impuro — posição que parece tensionar com o que ele mesmo disse antes, e que os comentadores harmonizam notando que, para Rabi Yehudá, a exigência de “reversão” vale apenas onde a Torá emprega essa linguagem explicitamente, e não necessariamente aqui. Rabi Eliezer ben Yaakov propõe uma terceira via, intermediária: o pelo amarelo anterior não torna impuro — pois lhe falta o requisito temporal —, mas tampouco protege como faria um pelo preto, permanecendo assim juridicamente neutro. Rabi Shimon, por fim, formula um princípio geral mais amplo: tudo que não constitui sinal de impureza na tinha passa automaticamente a ser considerado sinal de pureza — de modo que, para ele, o pelo amarelo anterior não apenas deixa de contaminar, mas ativamente purifica, funcionando como o pelo preto protetor descrito na mishná anterior.
Já te precedeu a opinião de Rabi Meir, que sustenta a respeito do pelo amarelo que precedeu a tinha que não é sinal de impureza; e ele diz aqui que tudo o que não é sinal de impureza protege, e seu status será como o do pelo (preto). E já dissemos que a halachá é como Rabi Yehudá.
Sobre “Rabi Yehudá torna impuro”: conforme ensinamos acima, que Rabi Yehudá torna impuro tanto revertido quanto não revertido.
Sobre “Rabi Eliezer ben Yaakov diz: não torna impuro nem protege”: Rabi Eliezer ben Yaakov e Rabi Shimon vêm explicar a palavra do tanná kama, que disse “puro”. Rabi Eliezer ben Yaakov entende que o “puro” dito pelo tanná kama significa apenas que não torna impuro, mas não protege. E Rabi Shimon entende que “puro” significa puro e protetor. E acima já decidimos que a halachá é como Rabi Yehudá.