Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Yud · Mishná 4 de 10

O pelo amarelo que precede a tinha

שֵׂעָר צָהֹב שֶׁקָּדַם אֶת הַנֶּתֶק טָהוֹר
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Quatro posições tannaíticas sobre o status do pelo amarelo que existia antes de a tinha se formar naquele local

Pelo amarelo que precedeu a tinha é puro. Rabi Yehudá torna impuro. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: não torna impuro nem protege. Rabi Shimon diz: tudo o que não é sinal de impureza na tinha é sinal de pureza na tinha.

Esta breve mishná retoma, de modo direto, a questão já latente na mishná anterior — o status do pelo amarelo que existia no local antes mesmo de a tinha se formar ali. O tanná kama (opinião anônima, sem atribuição) declara simplesmente que tal pessoa é pura: um pelo amarelo anterior à tinha não é considerado sinal de impureza, em concordância com a posição de Rabi Yehudá exposta na mishná anterior sobre a exigência de que o pelo seja “revertido”. Mas aqui o próprio Rabi Yehudá é citado discordando dessa conclusão e declarando impuro — posição que parece tensionar com o que ele mesmo disse antes, e que os comentadores harmonizam notando que, para Rabi Yehudá, a exigência de “reversão” vale apenas onde a Torá emprega essa linguagem explicitamente, e não necessariamente aqui. Rabi Eliezer ben Yaakov propõe uma terceira via, intermediária: o pelo amarelo anterior não torna impuro — pois lhe falta o requisito temporal —, mas tampouco protege como faria um pelo preto, permanecendo assim juridicamente neutro. Rabi Shimon, por fim, formula um princípio geral mais amplo: tudo que não constitui sinal de impureza na tinha passa automaticamente a ser considerado sinal de pureza — de modo que, para ele, o pelo amarelo anterior não apenas deixa de contaminar, mas ativamente purifica, funcionando como o pelo preto protetor descrito na mishná anterior.

שֵׂעָר צָהֹב שֶׁקָּדַם אֶת הַנֶּתֶק, טָהוֹר. רַבִּי יְהוּדָה מְטַמֵּא. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב אוֹמֵר, לֹא מְטַמֵּא וְלֹא מַצִּיל. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, כֹּל שֶׁאֵינוֹ סִימַן טֻמְאָה בַנֶּתֶק, הֲרֵי הוּא סִימַן טָהֳרָה בַנָּתֶק:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 10:4
כְּבָר קָדַם לְךָ דַּעַת רַבִּי מֵאִיר שֶׁהוּא יִסְבֹּר בְּשֵׂעָר צָהֹב שֶׁקָּדַם…

Já te precedeu a opinião de Rabi Meir, que sustenta a respeito do pelo amarelo que precedeu a tinha que não é sinal de impureza; e ele diz aqui que tudo o que não é sinal de impureza protege, e seu status será como o do pelo (preto). E já dissemos que a halachá é como Rabi Yehudá.

Bartenura · Negaim 10:4
רַבִּי יְהוּדָה מְטַמֵּא. כְּדִתְנַן לְעֵיל דְּרַבִּי יְהוּדָה מְטַמֵּא הָפוּךְ וְלֹא הָפוּךְ…

Sobre “Rabi Yehudá torna impuro”: conforme ensinamos acima, que Rabi Yehudá torna impuro tanto revertido quanto não revertido.

Sobre “Rabi Eliezer ben Yaakov diz: não torna impuro nem protege”: Rabi Eliezer ben Yaakov e Rabi Shimon vêm explicar a palavra do tanná kama, que disse “puro”. Rabi Eliezer ben Yaakov entende que o “puro” dito pelo tanná kama significa apenas que não torna impuro, mas não protege. E Rabi Shimon entende que “puro” significa puro e protetor. E acima já decidimos que a halachá é como Rabi Yehudá.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.