Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Yud · Mishná 3 de 10

O pelo preto que protege da tinha

הַצּוֹמֵחַ מַצִּיל מִיַּד הַשֵּׂעָר צָהֹב
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Detalha em que condições o pelo preto — seja o que brota na tinha, seja o que já existia antes dela — protege contra o pelo amarelo e o alastramento

O que brota protege da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento, reunido, disperso, enclausurado e não enclausurado. E o que ficou protege da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento, reunido, disperso e enclausurado; mas não protege quando está à margem, a menos que esteja distante do cabelo em pé o espaço de dois pelos. Um amarelo e outro preto, um amarelo e outro branco — não protegem.

Depois de tratar do pelo amarelo, a mishná volta-se ao pelo preto, que tem o efeito oposto: em vez de causar impureza, protege contra ela. Distinguem-se dois tipos de pelo preto conforme sua origem temporal: o que “brota” (ha-tzomeach), crescendo diretamente na tinha depois que esta já apareceu; e o que “ficou” (ha-mishoar), isto é, o pelo preto natural que já existia no local antes que a tinha se formasse, e simplesmente permaneceu ali sem cair. O pelo que brota protege em qualquer configuração espacial — reunido em um ponto, disperso em dois, no centro ou à margem da tinha — pois, tendo nascido depois da tinha, sua própria existência já demonstra que aquele ponto específico não está sujeito ao processo da praga. Já o pelo que apenas ficou remanescente exige uma condição adicional: se está à margem da tinha, só protege quando distante da borda externa — do cabelo saudável que cerca toda a área afetada, chamado aqui de “o que está em pé” (ha-kamá) — pelo espaço de pelo menos dois pelos; caso contrário, ele se confunde com o próprio contorno da tinha e não é reconhecível como proteção autônoma. Por fim, a mishná esclarece que a proteção exige dois pelos pretos válidos: se um dos dois pelos é amarelo ou branco, mesmo estando ao lado de um pelo preto, a combinação não protege — pois a proteção depende especificamente da presença de dois pelos pretos, e não de qualquer par de pelos que não seja inteiramente amarelo.

הַצּוֹמֵחַ מַצִּיל מִיַּד הַשֵּׂעָר צָהֹב וּמִיַּד הַפִּשְׂיוֹן, מְכֻנָּס, וּמְפֻזָּר, מְבֻצָּר, וְשֶׁלֹּא מְבֻצָּר. וְהַמְשֹׁאָר מַצִּיל מִיַּד שֵׂעָר צָהֹב וּמִיַּד הַפִּשְׂיוֹן, מְכֻנָּס, וּמְפֻזָּר, וּמְבֻצָּר. וְאֵינוֹ מַצִּיל מִן הַצַּד, עַד שֶׁיְּהֵא רָחוֹק מִן הַקָּמָה מְקוֹם שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת. אַחַת צְהֻבָּה וְאַחַת שְׁחֹרָה, אַחַת צְהֻבָּה וְאַחַת לְבָנָה, אֵינָן מַצִּילוֹת:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 10:3
כְּבָר הוֹדַעְתִּיךָ שֶׁהַנֶּתֶק הוּא הֲסָרַת הַשֵּׂעָר מִקְצָת הָרֹאשׁ וּמִקְצָת הַזָּקָן…

Já te fiz saber que a tinha é a remoção do pelo de parte da cabeça ou de parte da barba; e se havia nesse lugar dois pelos de pelo amarelo fino, ela é impura, e assim se a tinha se estendeu na cabeça ou na barba. Se havia com esse pelo amarelo dois pelos pretos, é impura; e se esse pelo amarelo é brotado na tinha, chama-se “o que brota”; e se ficou na tinha junto com os dois pelos pretos, e não cresceu junto com o pelo amarelo, chama-se “o que ficou” — e ambos protegem.

E o sentido de “protegem” é que, quando havia junto ao pelo amarelo esse pelo preto, essa tinha é pura. E a diferença entre eles é que o que brota, quando brota, protege; e o que ficou, quando permanece dentro da tinha até estar enclausurado, protege; mas se está à margem da tinha, não protege, pois isso seria como a própria forma da tinha, que faz calvo um lugar e deixa o pelo ao redor. E se esse pelo preto que está à margem da tinha está distante do conjunto do pelo da cabeça ou da barba, também protege — e é a isso que se refere “até estar distante do que está em pé o espaço de dois pelos”.

Ainda esclareceu que, quanto ao que se diz sobre o pelo preto brotado nela, é necessário que sejam dois pelos ou mais, e ambos pretos; mas se um é branco ou amarelo e o outro preto, não protegem.

Bartenura · Negaim 10:3
הַצּוֹמֵחַ מַצִּיל. שֵׂעָר שָׁחֹר שֶׁצָּמַח בַּנֶּתֶק…

Sobre “o que brota protege”: pelo preto que brotou na tinha.

Sobre “da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento”: pois se foi certificado impuro por pelo amarelo ou por alastramento, e brotaram nele dois pelos pretos, é puro.

Sobre “reunido”: os dois em um só lugar.

Sobre “disperso”: um a leste da praga e outro a oeste.

Sobre “e o que ficou”: quando esses dois pelos pretos precederam a tinha — como quando, ao se formar a tinha na cabeça ou na barba do tamanho de um grão, permaneceram dentro da tinha dois pelos pretos.

Sobre “e enclausurado”: se estão enclausurados no meio da tinha, protegem; mas se estão à margem, não protegem.

Sobre “até estar distante do que está em pé”: até que esses dois pelos estejam distantes dos pelos que cercam a tinha na medida de dois pelos. E os pelos ao redor da tinha são chamados “o que está em pé” (kamá). E quando esses pelos estão distantes do que está em pé o espaço de dois pelos, são considerados como enclausurados dentro da praga.

Sobre “um amarelo e outro preto”: quanto ao amarelo que precedeu a tinha, que não é sinal de impureza, foi necessário dizer que não se combina com o preto para proteger da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento. E a mishná, sem especificar, segue Rabi Eliezer ben Yaakov, que diz logo adiante que o pelo amarelo que precede a tinha não torna impuro nem protege.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.