O que brota protege da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento, reunido, disperso, enclausurado e não enclausurado. E o que ficou protege da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento, reunido, disperso e enclausurado; mas não protege quando está à margem, a menos que esteja distante do cabelo em pé o espaço de dois pelos. Um amarelo e outro preto, um amarelo e outro branco — não protegem.
Depois de tratar do pelo amarelo, a mishná volta-se ao pelo preto, que tem o efeito oposto: em vez de causar impureza, protege contra ela. Distinguem-se dois tipos de pelo preto conforme sua origem temporal: o que “brota” (ha-tzomeach), crescendo diretamente na tinha depois que esta já apareceu; e o que “ficou” (ha-mishoar), isto é, o pelo preto natural que já existia no local antes que a tinha se formasse, e simplesmente permaneceu ali sem cair. O pelo que brota protege em qualquer configuração espacial — reunido em um ponto, disperso em dois, no centro ou à margem da tinha — pois, tendo nascido depois da tinha, sua própria existência já demonstra que aquele ponto específico não está sujeito ao processo da praga. Já o pelo que apenas ficou remanescente exige uma condição adicional: se está à margem da tinha, só protege quando distante da borda externa — do cabelo saudável que cerca toda a área afetada, chamado aqui de “o que está em pé” (ha-kamá) — pelo espaço de pelo menos dois pelos; caso contrário, ele se confunde com o próprio contorno da tinha e não é reconhecível como proteção autônoma. Por fim, a mishná esclarece que a proteção exige dois pelos pretos válidos: se um dos dois pelos é amarelo ou branco, mesmo estando ao lado de um pelo preto, a combinação não protege — pois a proteção depende especificamente da presença de dois pelos pretos, e não de qualquer par de pelos que não seja inteiramente amarelo.
Já te fiz saber que a tinha é a remoção do pelo de parte da cabeça ou de parte da barba; e se havia nesse lugar dois pelos de pelo amarelo fino, ela é impura, e assim se a tinha se estendeu na cabeça ou na barba. Se havia com esse pelo amarelo dois pelos pretos, é impura; e se esse pelo amarelo é brotado na tinha, chama-se “o que brota”; e se ficou na tinha junto com os dois pelos pretos, e não cresceu junto com o pelo amarelo, chama-se “o que ficou” — e ambos protegem.
E o sentido de “protegem” é que, quando havia junto ao pelo amarelo esse pelo preto, essa tinha é pura. E a diferença entre eles é que o que brota, quando brota, protege; e o que ficou, quando permanece dentro da tinha até estar enclausurado, protege; mas se está à margem da tinha, não protege, pois isso seria como a própria forma da tinha, que faz calvo um lugar e deixa o pelo ao redor. E se esse pelo preto que está à margem da tinha está distante do conjunto do pelo da cabeça ou da barba, também protege — e é a isso que se refere “até estar distante do que está em pé o espaço de dois pelos”.
Ainda esclareceu que, quanto ao que se diz sobre o pelo preto brotado nela, é necessário que sejam dois pelos ou mais, e ambos pretos; mas se um é branco ou amarelo e o outro preto, não protegem.
Sobre “o que brota protege”: pelo preto que brotou na tinha.
Sobre “da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento”: pois se foi certificado impuro por pelo amarelo ou por alastramento, e brotaram nele dois pelos pretos, é puro.
Sobre “reunido”: os dois em um só lugar.
Sobre “disperso”: um a leste da praga e outro a oeste.
Sobre “e o que ficou”: quando esses dois pelos pretos precederam a tinha — como quando, ao se formar a tinha na cabeça ou na barba do tamanho de um grão, permaneceram dentro da tinha dois pelos pretos.
Sobre “e enclausurado”: se estão enclausurados no meio da tinha, protegem; mas se estão à margem, não protegem.
Sobre “até estar distante do que está em pé”: até que esses dois pelos estejam distantes dos pelos que cercam a tinha na medida de dois pelos. E os pelos ao redor da tinha são chamados “o que está em pé” (kamá). E quando esses pelos estão distantes do que está em pé o espaço de dois pelos, são considerados como enclausurados dentro da praga.
Sobre “um amarelo e outro preto”: quanto ao amarelo que precedeu a tinha, que não é sinal de impureza, foi necessário dizer que não se combina com o preto para proteger da mão do pelo amarelo e da mão do alastramento. E a mishná, sem especificar, segue Rabi Eliezer ben Yaakov, que diz logo adiante que o pelo amarelo que precede a tinha não torna impuro nem protege.