Abre-se pelos dias festivos e pelos sábados. No princípio diziam: esses dias ficam permitidos e todos os demais dias ficam proibidos — até que veio Rabi Akiva e ensinou que o voto cujo parte foi liberada, é liberado por inteiro. — Quando alguém jura, por exemplo, não comer carne ou não beber vinho por um determinado período, o sábio pode lembrá-lo de que sábados e festas exigem alegria através de comida e bebida — e que ele certamente não pretendia jurar contra esse mandamento. Originalmente, os sábios entendiam que essa abertura liberava apenas os próprios dias sagrados, deixando o resto do voto intacto. Rabi Akiva revolucionou essa lógica: como o voto inteiro foi pronunciado como uma única declaração unificada, uma vez provado que uma parte dele foi feita por engano, todo o voto se revela um erro desde a raiz, e cai por inteiro.
O fundamento da abertura pelos dias sagrados é o mandamento profético de tratar o sábado como delícia — uma alegria que inclui, segundo a tradição, comida farta e vinho, tornando implausível que um voto de abstinência pretendesse incluí-los.
O versículo "chamarás ao sábado delícia" é a base pela qual o sábio pergunta ao votante: se soubesses que o sábado, dentro do período do teu voto, exige de ti alegria através de comida e bebida, terias mesmo jurado incluí-lo? Como quase ninguém pretende, ao fazer um voto de abstinência, violar deliberadamente o mandamento de honrar o sábado com fartura, essa abertura é aceita sem disputa — mas a verdadeira inovação da mishná está no passo seguinte de Rabi Akiva, que transforma essa liberação pontual de um único dia em fundamento para desfazer o voto inteiro.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o mecanismo do voto parcialmente liberado, e sua explicação cobre também o próximo mishná sobre múltiplas pessoas vedadas.
Rambam ilustra o caso típico: alguém jurou não beber vinho ou não comer carne por certo número de dias, sem perceber que um sábado ou uma festa cairia dentro desse período — dias em que a fartura de comida e vinho é uma obrigação, conforme "chamarás ao sábado delícia". A resposta afirmativa do votante libera esses dias. Rambam confirma que a inovação de Rabi Akiva — de que a liberação de parte do voto libera o voto inteiro — é a halachá vigente, e nota que esse princípio contrasta com a posição de Rabi Shimon sobre juramentos múltiplos, tratada na mishná seguinte.
Rashi explica a mecânica da disputa sobre "dias permitidos" e "dias proibidos"; Bartenura detalha a lógica de Rabi Akiva sobre por que o voto inteiro cai quando uma parte se revela erro.
Rashi esclarece a posição original, anterior a Rabi Akiva: os sábios sabiam liberar especificamente os próprios sábados e festas contidos no período do voto, mas mantinham proibido todo o restante dos dias, como se cada dia do voto fosse uma unidade jurídica independente, passível de liberação isolada.
Rambam, comentando conjuntamente as mishnayot 9:6 e 9:7, explica que a mishná seguinte, sobre quem veda proveito a várias pessoas nomeadas uma a uma ("a este, um sacrifício, e a este, um sacrifício"), reflete a posição de Rabi Shimon — que trata cada vedação como um juramento distinto, exigindo abertura própria para cada uma — mas essa não é a halachá final sobre juramentos em geral. Ainda assim, quanto ao caso específico de "a este e a este", a lei aceita que cada nome requer sua própria abertura.
Bartenura explica a lógica revolucionária de Rabi Akiva: o votante nunca pretendeu fazer dez ou vinte votos separados, um para cada dia — ele fez um único voto, pensado como uma unidade contínua e indivisível, com a intenção de que o voto inteiro se cumprisse exatamente como planejado. Uma vez que se prova que essa intenção original já continha um erro quanto a uma parte do período — os dias sagrados —, revela-se que o próprio ato de vontade por trás de todo o voto estava viciado, e por isso ele cai por inteiro, não apenas na parte corrigida.