Tu não me beneficiarás até o Pessach, se fores à casa de teu pai até a festa — se ela foi antes do Pessach, fica proibida em seu proveito até o Pessach; depois do Pessach, por não profanar sua palavra. Tu não me beneficiarás até a festa, se fores à casa de teu pai até o Pessach — e se ela foi antes do Pessach, fica proibida em seu proveito até a festa, e está permitida ir depois do Pessach. — No primeiro caso, o marido veda seu próprio proveito a ela "até o Pessach" — uma proibição com prazo curto e definido —, condicionada a ela ir à casa do pai em algum momento "até a festa" (Sucot, mais distante). Se ela for antes do Pessach, cumprindo a condição cedo, o voto se ativa e ela fica proibida do proveito dele até o Pessach chegar; mas se ela, tendo feito a viagem que ativou o voto, ainda assim continuar se beneficiando dele mesmo depois que o Pessach já passou — quando a proibição já deveria ter cessado —, ela retroativamente teria violado a condição de "não profanará sua palavra", pois o texto sugere que ela não deveria ter ido antes do Pessach se pretendia continuar se beneficiando logo depois. No segundo caso, a proibição do proveito é "até a festa" — o prazo mais longo —, condicionada a ela ir à casa do pai "até o Pessach" — o prazo mais curto. Se ela for antes do Pessach, o voto se ativa e ela fica proibida até a festa (Sucot) inteira; mas justamente por essa proibição já ser tão longa e severa, ela está livre para ir à casa do pai logo depois do Pessach, pois a condição do voto — ir até o Pessach — já não pode mais ser cumprida ou violada depois dessa data.
A própria expressão "não profanará sua palavra" da mishná é citação direta da lei dos votos em Bemidbar, no capítulo que também nomeia "a casa de seu pai" como o lugar de onde a jovem sai para o casamento — o mesmo destino mencionado nesta mishná.
A Torá formula a regra geral dos votos com a expressão exata "lo yachel devaro" — não profanará sua palavra — que a mishná cita literalmente ao descrever a consequência de a esposa se beneficiar do marido depois do prazo que ela mesma provocou; e o mesmo capítulo bíblico nomeia "beit avihá" — a casa de seu pai — como o lar de origem da jovem antes do casamento, precisamente o destino da viagem condicional discutida nesta mishná. A precisão gramatical exigida pela mishná — distinguir qual prazo qualifica a proibição e qual prazo qualifica a condição — reflete o mesmo rigor com que a Torá formula "ככל היוצא מפיו יעשה", tudo o que sai da boca deve se cumprir exatamente como formulado, sem margem para interpretação frouxa da ordem das palavras.
Bartenura fecha o Perek Zayin explicando com precisão a mecânica das duas cláusulas temporais em jogo em cada uma das duas formulações da mishná, sem citação direta correspondente na Mishné Torá.
Bartenura fixa o cenário: o marido, falando em algum momento depois de Sucot, veda seu proveito a ela até o próximo Pessach, sob a condição de que ela vá à casa do pai em qualquer momento até a festa (Sucot) seguinte. Bartenura acompanha então a mecânica de cada uma das duas formulações, mostrando como a posição da cláusula "até" determina se a proibição é curta e específica ou longa e ligada à duração inteira da condição.
Bartenura esclarece o ponto mais sutil do primeiro caso: a expressão "depois do Pessach, por não profanar sua palavra" não descreve uma nova proibição, mas uma transgressão retroativa — se ela continuar se beneficiando do marido depois do Pessach, mostra-se que já vinha se beneficiando indevidamente antes dele, revelando que a viagem à casa do pai não fez o efeito completo que o voto original exigia, e ela transgride "bal yachel" pelo proveito recebido antes do Pessach.
Bartenura fecha o Perek Zayin com a análise integral das duas formulações espelhadas, mostrando como a mesma técnica sintática da mishná anterior se aplica agora a um voto condicional de duas cláusulas.
Bartenura reúne, num único comentário, a leitura completa das duas formulações: na primeira, o prazo curto (até o Pessach) qualifica a proibição do proveito, e o prazo longo (até a festa) qualifica apenas a condição da viagem — por isso a proibição cessa no Pessach, mas se ela continuar se beneficiando depois disso, revela uma transgressão retroativa de "bal yachel". Na segunda formulação, invertendo os prazos entre proibição e condição, o resultado também se inverte: a proibição dura até a festa inteira, mas a condição da viagem só podia ser cumprida até o Pessach, liberando-a para ir depois disso sem qualquer nova consequência — pois depois do Pessach a condição do voto simplesmente deixou de estar em jogo. Com esta última distinção sintática, encerra-se o Perek Zayin, que abriu com a linguagem das categorias vegetais e fechou com a arquitetura precisa da própria frase do voto.