E estes são os votos de aflição da alma: disse ela — konam, os frutos do mundo sobre mim — este pode anular. Os frutos desta província sobre mim — traz-lhe de outra província. Os frutos deste vendedor sobre mim — não pode anular; mas se seu sustento não vinha senão dele, este pode anular. Palavras de Rabi Yosei. — Rabi Yosei, tendo rejeitado os exemplos do tanna kama na mishná anterior, oferece agora sua própria escala do que constitui verdadeira aflição da alma, medida por um critério prático e não meramente formal: o quanto a privação realmente restringe as opções de vida da mulher. Se ela veda sobre si os frutos do mundo inteiro, essa é uma privação absoluta e irremediável — não há como contorná-la, e por isso qualifica-se plenamente como aflição da alma, autorizando o marido a anular. Se ela veda apenas os frutos de uma província específica, a privação é apenas parcial — o marido pode trazer-lhe frutos de outra região, e por isso o voto permanece vigente sem necessidade de anulação, pois não há aflição real. O mesmo raciocínio se aplica, em escala ainda menor, ao voto contra os produtos de um único vendedor: normalmente ele pode simplesmente comprar de outro vendedor, e por isso não há aflição que justifique a anulação — a menos que, excepcionalmente, aquele vendedor específico seja sua única fonte possível de sustento (por exemplo, por conceder-lhe crédito quando nenhum outro concede), caso em que a privação volta a ser real e absoluta, e o voto pode ser anulado.
A mesma expressão bíblica "le'anot nafesh" que abriu o capítulo continua sendo a régua de medida usada por Rabi Yosei — mas agora aplicada com um rigor que exige privação prática real, e não apenas formal, para que o marido tenha poder de anular.
Toda a mishná está estruturada como uma definição extensiva (positiva) da expressão bíblica "le'anot nafesh", em contraste com a definição do tanna kama na mishná anterior. Rabi Yosei aplica um teste prático rigoroso: a aflição da alma exigida pelo versículo só se configura quando a proibição do voto é absoluta e sem alternativa viável — como no caso dos "frutos do mundo inteiro", onde não há para onde se voltar. Sempre que existe uma alternativa razoável — outra província, outro vendedor —, a ausência de sofrimento real retira o voto da categoria protegida pelo versículo, e ele permanece vigente até que a própria mulher, ou eventualmente um sábio (em outro contexto), o resolva.
Rambam, no Perush HaMishná, situa esta mishná dentro do debate mais amplo sobre a extensão da opinião de Rabi Yosei ao longo de todo o capítulo, e nota o cuidado retórico da mishná ao repetir seu nome no final.
Rambam explica que todos concordam que o marido pode anular votos "entre ele e ela" (relacionados diretamente à vida conjugal), mas há disputa sobre os votos de aflição da alma. Ele generaliza a conclusão prática: praticamente não há voto ou juramento que a esposa possa fazer que o marido não consiga, de alguma forma, anular — com uma única exceção notável, que será vista na mishná seguinte, quando ela jura que ninguém (ou pessoas específicas) não se beneficiem dela. Rambam nota também um detalhe retórico da mishná: ao repetir explicitamente "palavras de Rabi Yosei" no final desta mishná, depois de já tê-lo citado no início do capítulo, a mishná sinaliza que todo o restante do capítulo — não apenas esta mishná — deve ser lido como refletindo a posição específica de Rabi Yosei, e não necessariamente a lei final.
Sobre esta mishná específica, a folha 79a da Guemará concentra sua atenção no comentário do capítulo anterior; por isso o perush aqui se apoia em Rambam e Bartenura, que detalham com precisão a escala de Rabi Yosei entre privação absoluta e parcial.
Rambam resume o esquema conceitual completo por trás desta mishná: existe uma distinção fundamental entre votos "gerais e universais" (kelali, olami) — como "os frutos do mundo" — e votos "não gerais e não universais" — como os de uma província ou de um vendedor específico. Os primeiros sempre se qualificam como aflição da alma; os segundos, apenas quando a alternativa é impraticável na prática, como no caso do vendedor que concede crédito exclusivo. Rambam nota que essa distinção entre "amplo e estreito" percorre grande parte do debate talmúdico ao longo de todo o capítulo.
Bartenura explica o caso limite do vendedor único: a razão pela qual esse vendedor específico se torna a única fonte de sustento possível é que ele é o único disposto a vender-lhe fiado, confiando que ela (ou seu marido) pagará quando tiver recursos — nenhum outro vendedor no mercado lhe concede esse crédito. Bartenura nota que toda esta mishná — e, segundo ele, todo o restante do capítulo — segue consistentemente a posição de Rabi Yosei, que distingue sistematicamente entre aflição grande e pequena, entre um dia e um período mais longo; e conclui, de forma direta, que a halachá não segue essa linha: o marido, na prática, anula qualquer voto de aflição da alma, seja ela grande ou pequena, breve ou duradoura.