Disse Rabi Eliezer em nome de Rabi Yehoshua: toda impureza derivada do morto pela qual o nazireu tosquia, são responsáveis por ela quanto à entrada no Templo; e toda impureza derivada do morto pela qual o nazireu não tosquia, não são responsáveis por ela quanto à entrada no Templo. — Depois de catalogar, nas duas mishnayot anteriores, as impurezas "maiores" (que exigem tosquia, anulação e sacrifício) e as "menores" (que exigem apenas aspersão), esta mishná final revela que essa mesma linha divisória serve também para outra área do direito, distinta do nazireado: a responsabilidade penal — punível com karet, extirpação, se intencional, ou com sacrifício variável se involuntária — de quem entra impuro no recinto do Templo. Rabi Eliezer, transmitindo o ensinamento de seu mestre Rabi Yehoshua, afirma que as duas listas coincidem exatamente: toda impureza séria o bastante para exigir tosquia do nazireu é também séria o bastante para gerar responsabilidade por entrar impuro no Templo, e toda impureza branda o bastante para dispensar a tosquia é também branda o bastante para não gerar essa responsabilidade.
Disse Rabi Meir: que não seja esta mais leve que o réptil. Disse Rabi Akiva: eu debati diante de Rabi Eliezer: se um osso do tamanho de um grão de cevada, que não impurifica o homem sob a tenda, o nazireu tosquia por seu contato e por seu carregamento; um quarto de log de sangue, que impurifica o homem sob a tenda, não é justo que o nazireu tosquie por seu contato e por seu carregamento? Disse-me: o que é isso, Akiva? Não se debate aqui com kal vachomer. E quando vim e apresentei essas palavras diante de Rabi Yehoshua, disse-me: bem disseste, mas assim disseram: é halachá. — Rabi Meir contesta brevemente a regra de Rabi Eliezer com um argumento de menor para maior: se até a impureza do réptil (sheretz), notoriamente leve, já gera responsabilidade por entrar no Templo, seria estranho que uma impureza derivada do morto — em princípio mais grave — ficasse isenta dessa responsabilidade apenas por não exigir tosquia do nazireu. Rabi Akiva então relata uma tentativa anterior, ainda mais elaborada, de aplicar um raciocínio por kal vachomer (a fortiori) à mesma questão: já que o osso do tamanho de um grão de cevada — que nem sequer impurifica por cobertura — obriga o nazireu a tosquiar por simples contato ou carregamento, com muito mais razão deveria obrigá-lo o quarto de log de sangue, que é impureza mais forte, pois impurifica até por cobertura. Rabi Eliezer rejeitou o raciocínio de Rabi Akiva de plano, com o princípio de que não se pode construir um kal vachomer sobre uma medida que é, ela mesma, apenas uma halachá recebida no Sinai, sem base lógica explícita na Torá — e portanto imune a esse tipo de extrapolação. Mas quando Rabi Akiva mais tarde apresentou o mesmo argumento a Rabi Yehoshua, este validou a lógica formal do raciocínio, embora confirmasse que, na prática, a regra permanece como uma halachá recebida, não dedutível por kal vachomer — encerrando assim o Perek Zayin com uma reflexão sobre os próprios limites do raciocínio jurídico diante da tradição recebida.
O paralelo de Rabi Meir com a impureza do réptil remonta à responsabilidade por entrar no Templo em estado de impureza, prevista explicitamente na Torá para o contato com um réptil morto.
Rambam observa que a Torá prevê explicitamente responsabilidade — punível por sacrifício variável (korban olê vê-yored) em caso de erro, ou karet em caso de intenção — para quem, impuro por contato com um réptil morto, comesse de coisas sagradas ou entrasse no Templo; é dessa base textual explícita que Rabi Meir extrai seu argumento contra Rabi Eliezer, e é sobre a mesma base que Rabi Akiva tenta, sem sucesso, construir seu raciocínio por kal vachomer a partir do osso do tamanho de um grão de cevada — que, ao contrário do réptil, não tem base explícita na Torá, sendo antes uma halachá recebida no Sinai. O Perek Zayin se fecha, assim, demarcando o limite exato entre o que pode ser deduzido por lógica jurídica e o que só pode ser recebido como tradição.
Rambam, no Perush HaMishná, explica por que o raciocínio de Rabi Akiva falha tecnicamente e confirma a regra final como halachá recebida.
Rambam explica que o princípio jurídico decisivo é que não se deriva um kal vachomer de uma halachá recebida no Sinai — apenas de leis com base textual explícita na Torá. Como a impureza do osso do tamanho de um grão de cevada não tem fonte textual explícita, sendo transmitida como halachá recebida, o raciocínio de Rabi Akiva — por mais logicamente correto que fosse em sua estrutura — não pode ser usado para estender a responsabilidade penal ao quarto de log de sangue. É exatamente esse ponto que Rabi Yehoshua confirma ao dizer "bem disseste, mas assim disseram: é halachá" — validando a forma do argumento de Akiva, mas mantendo o resultado como tradição recebida, não como dedução.
Perush de Rashi sobre a Guemará, encerrando o Perek Zayin, além de Rambam e Bartenura.
Rashi explicita o raciocínio de Rabi Meir em forma de kal vachomer completo: se mesmo a impureza do réptil — pela qual o nazireu não precisa fazer absolutamente nada — já gera responsabilidade por entrar no Templo, quanto mais deveria gerá-la uma impureza derivada do morto, que já é séria o bastante para exigir o processo completo de aspersão no terceiro e sétimo dia, mesmo quando essa impureza específica não chega a exigir a tosquia do nazireu.
Rashi observa uma nuance técnica no argumento de Rabi Akiva: embora sua lógica devesse, a rigor, estender-se também à impureza por cobertura (ohel), ele limitou seu kal vachomer apenas ao contato e ao carregamento, porque a categoria da qual ele parte — o osso do tamanho de um grão de cevada — não impurifica por cobertura; assim, o raciocínio comparativo só podia ser construído dentro dos limites das categorias efetivamente compartilhadas entre as duas impurezas comparadas.
Bartenura esclarece que "responsabilidade por entrar no Templo" significa, concretamente, que quem entra impuro no recinto sagrado, ou come de coisas consagradas antes de se purificar, é punido com karet se agiu intencionalmente, ou obrigado a um sacrifício de valor variável conforme sua condição financeira se agiu por engano. Bartenura conclui, encerrando o perek, que a resposta final de Rabi Yehoshua a Rabi Akiva — "assim disseram: é halachá" — na verdade reafirma exatamente a mesma posição já expressa por Rabi Eliezer ao rejeitar o kal vachomer: a regra é tradição recebida, não dedução lógica, ainda que a lógica de Akiva estivesse formalmente correta.