Dois nazireus a quem um disse: vi um de vós que se impurificou, e não sei qual de vós — tosquiam e trazem sacrifício de impureza e sacrifício de pureza, e diz: se eu sou o impuro, o sacrifício de impureza é meu e o sacrifício de pureza é teu; e se eu sou o puro, o sacrifício de pureza é meu e o sacrifício de impureza é teu. — O Perek Chet abre com um caso concreto e delicado: dois nazireus que aceitaram juntos o voto de nazireado, sobre os quais uma testemunha isolada — mas confiável, pois não há quem a contradiga — afirma ter visto um deles se impurificar por contato com um morto, sem conseguir identificar qual dos dois foi. Como nenhum dos dois pode provar sua própria pureza, ambos devem agir como se pudessem ser o impuro: tosquiam-se (como exige a tosquia de impureza), e trazem juntos, em sociedade, tanto o sacrifício de impureza quanto o sacrifício de pureza — cada um declarando publicamente que, se for ele o impuro, aquele sacrifício específico lhe pertence, e o outro pertence ao companheiro, e vice-versa caso seja ele o puro. Esse mecanismo de declaração condicional recíproca permite que ambos cumpram suas obrigações sem que nenhum deles precise admitir, ou provar, qual efetivamente se impurificou.
E contam trinta dias, e trazem sacrifício de pureza, e diz: se eu sou o impuro, o sacrifício de impureza é meu e o sacrifício de pureza é teu, e este é meu sacrifício de pureza; e se eu sou o puro, o sacrifício de pureza é meu e o sacrifício de impureza é teu, e este é teu sacrifício de pureza. — A primeira tosquia e o primeiro par de sacrifícios não bastam para liberar os dois nazireus de suas restrições, pois cada um ainda poderia ser o impuro cuja tosquia recém-realizada foi, na verdade, a tosquia de impureza — o que exigiria recomeçar a contagem do zero. Por isso, ambos precisam contar mais trinta dias completos (o período mínimo padrão de um voto de nazireado indeterminado) e trazer um segundo sacrifício de pureza, repetindo a mesma fórmula condicional recíproca, agora esclarecendo que esse segundo sacrifício serve como o sacrifício de pureza definitivo de quem, afinal, for reconhecido como o puro — encerrando assim, por meio da dúvida compartilhada e resolvida em conjunto, o nazireado de ambos.
Morreu um deles — disse Rabi Yehoshua: que se busque alguém do mercado, que vote em correspondência a ele o nazireado, e diz: se eu era o impuro, eis que tu és nazireu desde já; e se eu era o puro, eis que tu és nazireu depois de trinta dias. E contam trinta dias, e trazem sacrifício de impureza e sacrifício de pureza, e diz: se eu sou o impuro, o sacrifício de impureza é meu e o sacrifício de pureza é teu; e se eu sou o puro, o sacrifício de pureza é meu e o sacrifício de impureza é em dúvida. E contam trinta dias e trazem sacrifício de pureza, e diz: se eu sou o impuro, o sacrifício de impureza é meu e o sacrifício de pureza é teu, e este é meu sacrifício de pureza; e se eu sou o puro, o sacrifício de pureza é meu e o sacrifício de impureza é em dúvida, e este é teu sacrifício de pureza. — Se um dos dois morrer antes que a dúvida seja resolvida, o sobrevivente fica numa situação impossível: não há mais como formular a declaração recíproca original, pois o falecido não pode mais receber nem trazer sacrifícios. Rabi Yehoshua propõe uma solução engenhosa — buscar um terceiro, um voluntário qualquer do mercado, disposto a assumir sobre si um nazireado condicional que espelhe exatamente a posição do falecido: se o falecido era o impuro, o novo voluntário se torna nazireu imediatamente, como continuação simbólica daquele nazireado que precisava ser completado; e se o falecido era o puro (cujo nazireado já estava, de fato, essencialmente completo), o voluntário só se torna nazireu depois de trinta dias — refletindo que, nesse caso, não havia mais nazireado pendente a ser continuado imediatamente. A partir daí, o sobrevivente e o novo voluntário repetem essencialmente o mesmo procedimento de sacrifícios condicionais recíprocos da primeira parte da mishná, com uma diferença: como o sacrifício de impureza do voluntário depende de uma cadeia dupla de incertezas (a identidade original do impuro, mais a condição da nova substituição), esse sacrifício específico permanece "em dúvida" — formulação técnica que, como esclarece a Guemará, indica um sacrifício cuja condição de oferenda fica sem solução plena.
Disse-lhe Ben Zoma: e quem lhe daria ouvidos, para votar em correspondência a ele o nazireado? Mas antes traz sacrifício de pecado de ave e sacrifício de elevação de gado, e diz: se eu era impuro, o sacrifício de pecado é de minha obrigação e o de elevação é voluntário; e se eu era puro, o de elevação é de minha obrigação e o de pecado é em dúvida. E conta trinta dias e traz sacrifício de pureza, e diz: se eu era impuro, o primeiro sacrifício de elevação foi voluntário e este é obrigatório; e se eu era puro, o primeiro sacrifício de elevação foi obrigatório e este é voluntário, e este é o resto de meu sacrifício. Disse Rabi Yehoshua: eis que este traz seus sacrifícios pela metade. Mas os sábios concordaram com Ben Zoma. — Ben Zoma rejeita a proposta de Rabi Yehoshua por sua premissa social mesma: quem, realisticamente, aceitaria assumir voluntariamente sobre si um voto de nazireado, com todas as suas restrições, apenas para resolver a dúvida jurídica de um estranho? Em vez de depender de um voluntário improvável, Ben Zoma propõe que o próprio sobrevivente resolva a questão sozinho, por meio de sacrifícios formulados em termos de dúvida desde o início: um sacrifício de pecado de ave (que, ao contrário do sacrifício de gado, pode ser oferecido mesmo em caso de incerteza) e um sacrifício de elevação de gado, cada um declarado condicionalmente como obrigatório ou voluntário conforme a identidade real do impuro se revelar depois. Rabi Yehoshua objeta que essa solução tem uma consequência estranha: o nazireu acaba trazendo seus sacrifícios "pela metade" — parte como obrigação, parte como doação voluntária, dividida entre dois momentos distintos —, o que lhe parece uma forma pouco elegante de cumprir uma obrigação que deveria ser unificada. Apesar dessa objeção, a mishná registra que os sábios, ao final, preferiram a solução prática e realista de Ben Zoma à solução elegante mas socialmente inviável de Rabi Yehoshua — encerrando a primeira mishná do Perek Chet com a halachá decidida a favor de Ben Zoma.
A confiabilidade de uma única testemunha para estabelecer o estado de impureza remonta ao mesmo princípio geral que rege, em outro contexto, o testemunho isolado sobre um pecado desconhecido.
Rashi observa que a expressão "lhe for dado a conhecer" é lida na Guemará de forma ampla — "de qualquer maneira" —, incluindo o relato de uma única testemunha, desde que não haja quem a contradiga; é esse princípio geral, aplicado ao contexto do nazireado, que confere credibilidade ao relato da testemunha única desta mishná, tornando-o suficiente para colocar os dois nazireus em situação de dúvida real de impureza, e não em mera suspeita descartável. Bartenura acrescenta a condição implícita de que a testemunha não estivesse fisicamente junto aos dois no momento do fato, pois nesse caso a dúvida se resolveria a favor da pureza pelo princípio de que a dúvida de impureza em local de trânsito público tende à leniência — regra derivada do caso da sotá em Bemidbar 5:13.
Rambam, no Perush HaMishná, situa o caso dentro do princípio geral de dúvida de impureza e confirma que a halachá segue Ben Zoma.
Rambam explica o princípio geral por trás de toda a mishná: dúvida de impureza em local de trânsito público (reshut harabim) tende à pureza, enquanto dúvida de impureza em local privado (reshut hayachid), quando há no máximo duas pessoas envolvidas — como o caso da sotá e seu suposto amante —, tende à impureza. Por isso, a mishná precisa esclarecer que a testemunha viu a impureza de fora, sem estar junto aos dois nazireus no momento; caso contrário, sendo eles dois numa situação equiparável a local privado, a regra padrão exigiria tratá-los como duvidosamente impuros sem alternativa. Rambam conclui, de forma explícita, que a halachá segue Ben Zoma — quem sobrevive resolve sozinho a dúvida com sacrifícios formulados condicionalmente, sem depender de um voluntário externo.
Perush de Rashi sobre a Guemará, abrindo o Perek Chet, além de Rambam e Bartenura.
Rashi esclarece que a mishná trata especificamente de dois nazireus que aceitaram o voto juntos, e que o relato de uma única testemunha basta para estabelecer a dúvida de impureza, com base na leitura ampla de "lhe for dado a conhecer seu pecado" na Torá. Rashi observa também um ponto prático importante: mesmo depois da primeira tosquia e do primeiro par de sacrifícios, os dois ainda não estão autorizados a beber vinho, pois subsiste a possibilidade de que a tosquia recém-realizada tenha sido, na verdade, a tosquia de impureza de cada um — daí a necessidade de contar mais trinta dias antes de qualquer liberação completa.
Rashi confirma que a proposta de Rabi Yehoshua consiste literalmente em pedir a um estranho que assuma um nazireado que espelhe exatamente o do falecido, e explica a objeção prática de Ben Zoma: realisticamente, ninguém se disporia a fazer isso, de modo que o sobrevivente deve simplesmente completar seu próprio nazireado sozinho, trazendo o sacrifício de pecado de ave — que, por sua natureza, pode ser oferecido mesmo em condição de dúvida — sem depender de terceiros.
Rambam recorda a composição técnica dos dois conjuntos de sacrifícios em jogo: o sacrifício de impureza do nazireu consiste em duas rolinhas ou dois pombinhos — um para oferenda de elevação e outro para oferenda de pecado — mais um cordeiro para oferenda de culpa; o sacrifício de pureza, por sua vez, consiste em um cordeiro para oferenda de elevação, uma cordeira para oferenda de pecado, e um carneiro para oferenda de paz. É a partir dessa composição completa que se compreende a complexidade dos desdobramentos condicionais descritos na mishná, tanto na proposta de Rabi Yehoshua quanto na de Ben Zoma.
Bartenura explica exatamente por que a objeção de Rabi Yehoshua a Ben Zoma faz sentido: se o nazireu se revela, ao final, ser o puro, então sua primeira oferenda de elevação — trazida ainda em condição de dúvida — acaba servindo como sua obrigação, e só depois ele traz a oferenda de pecado e as de paz, completando o conjunto padrão de sacrifícios de pureza em dois momentos separados, em vez de um único ato completo. Ainda assim, Bartenura confirma que os sábios não se incomodaram com essa fragmentação e a halachá segue Ben Zoma — encerrando a solução prática que evita depender de um voluntário externo.