Um nazireado sem prazo especificado dura trinta dias. Se cortou o cabelo, ou se bandidos o cortaram, anula-se trinta dias. O nazireu que cortou o cabelo, seja com tesoura seja com navalha, ou que arrancou o quanto for, fica obrigado. — Quando alguém faz um voto de nazireado sem mencionar sua duração, a lei fixa o período em trinta dias. Se, durante o nazireado, seu cabelo é cortado — mesmo contra sua vontade, por bandidos que o forçam —, isso anula a contagem, e ele precisa aguardar trinta novos dias de crescimento de cabelo antes de poder completar seu nazireado com a tosquia da pureza. Quanto à transgressão propriamente dita, o nazireu que corta o próprio cabelo — com qualquer instrumento, tesoura ou navalha — ou que arranca até mesmo um único fio, já incorre em culpa.
O nazireu pode esfregar e separar o cabelo com a mão, mas não pentear. Rabi Ishmael diz: não deve lavar com barro, porque este solta o cabelo. — Embora não possa cortar ou arrancar fios, o nazireu tem permissão para cuidar da limpeza de seu couro cabeludo: pode esfregá-lo e separar mechas com as próprias mãos, já que esse ato não visa remover cabelo, mesmo que ocasionalmente algum fio solto caia. O que lhe é vedado é usar um pente, instrumento cuja ação inevitavelmente arranca fios presos, tornando-se um ato de remoção intencional. Rabi Ishmael acrescenta um alerta específico: certos tipos de barro usados para lavar o cabelo têm o efeito de soltá-lo de forma tão certeira quanto um pente, e por isso devem ser evitados.
A proibição central de corte de cabelo remonta ao mandamento de deixar crescer livremente o cabelo durante todo o nazireado.
É desse duplo mandamento — a proibição de que a navalha passe pela cabeça, e o preceito positivo de deixar o cabelo crescer livremente — que a tradição deriva tanto a proibição de qualquer corte, por instrumento que seja, quanto a exigência de trinta dias de crescimento renovado sempre que o cabelo é cortado, já que a expressão "פֶּרַע" — cabelo crescido livremente — é entendida, por tradição recebida, como o crescimento mínimo de trinta dias.
Rambam explica o mecanismo da anulação de trinta dias e os limites entre ação intencional e não intencional na remoção de cabelo.
Rambam esclarece que "esfregar" é o ato de coçar com a mão, e "separar" é fazê-lo com as unhas ou com um instrumento — ambos permitidos apenas na condição de que não haja intenção de remover cabelo, seguindo o princípio de que um ato sem intenção de transgredir, mesmo que produza um resultado proibido como efeito colateral, é permitido. Já pentear com um pente é vedado, pois esse instrumento inevitavelmente arranca fios presos, o que equivale a uma ação intencional. E a halachá segue Rabi Ishmael quanto ao barro que solta o cabelo.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi observa que a mishná se aplica tanto a corte voluntário quanto forçado, e a qualquer momento do nazireado, seja este longo ou curto. Explica ainda que a razão da anulação de trinta dias, e não de qualquer outro período, é que o crescimento mínimo de cabelo reconhecido pela tradição nunca é inferior a trinta dias. E define "סִפְסֵף" como arrancar uma pequena porção de cabelo do couro cabeludo.
Rashi traz a fonte bíblica da palavra חוֹפֵף — do versículo sobre a bênção de Binyamin, onde o termo significa esfregar ou coçar —, e explica que "separar" é o ato de afastar mechas de cabelo umas das outras com os dedos, sem recorrer a um pente.
Bartenura explica por que a mishná repete a regra da duração padrão de trinta dias, já mencionada implicitamente antes: fá-lo para poder encadear a regra seguinte, sobre a anulação por corte de cabelo. E quanto à proibição de pentear, explica que o pente é proibido porque seu uso resulta inevitavelmente na remoção de fios — o que a linguagem talmúdica chama de "פְּסִיק רֵישֵׁיהּ", uma consequência certa e inevitável de um ato, que é tratada como intencional mesmo sem essa intenção declarada.