E fica obrigado pelo vinho isoladamente, pelas uvas isoladamente, pelos caroços isoladamente, e pelas películas isoladamente. — Embora a mishná anterior tenha ensinado que vinho, uvas, caroços e películas se somam entre si para compor a medida mínima de uma azeitona quando consumidos em pequenas quantidades, cada uma dessas quatro substâncias constitui, por si só, uma categoria distinta de proibição. Assim, se o nazireu consome a medida completa de uma azeitona de cada uma delas separadamente, incorre em quatro transgressões distintas, e não em uma só.
Rabi Elazar ben Azaryá diz: não fica obrigado até que coma dois caroços e sua película. Estes são os caroços e estes são as películas: os caroços são as partes externas, as películas são as partes internas — palavras de Rabi Yehudá. Rabi Yossi diz: para que você não erre, é como o chocalho de um animal — a parte externa é o "zog", e a interna, o "inbal". — Rabi Elazar ben Azaryá sustenta que caroços e películas não são categorias autônomas de proibição, mas se combinam entre si: só há transgressão quando se consome ao menos dois caroços junto com a película que os envolve. Quanto à identificação de qual parte da uva é o caroço e qual é a película, Rabi Yehudá e Rabi Yossi divergem: para Rabi Yehudá, os caroços — חַרְצַנִּים — são a camada externa da uva, e as películas — זַגִּים — são a semente interna; Rabi Yossi inverte essa identificação, comparando a uva ao chocalho preso ao pescoço de um animal, cuja peça externa oca se chama זוֹג, e cujo badalo interno que produz o som se chama עִנְבָּל — de modo que, para ele, os זַגִּים são a casca externa da uva, e os חַרְצַנִּים, a semente interna.
A fonte de todas as subdivisões desta mishná é o mesmo versículo que enumera os produtos da videira proibidos ao nazireu.
O versículo distingue expressamente "tudo o que é feito da videira do vinho" — a categoria geral, da qual deriva a soma de todas as substâncias — dos "caroços" e da "película" — mencionados como um par específico dentro dessa categoria geral, e é dessa estrutura de generalização e especificação que a Guemará deriva tanto a obrigação separada para cada substância quanto a posição de Rabi Elazar ben Azaryá, que exige a combinação de caroço e película para haver transgressão.
Rambam decide a halachá entre Rabi Yehudá e Rabi Yossi quanto à identificação de caroços e películas.
Rambam explica a imagem do chocalho: o objeto pendurado ao pescoço do animal é composto de duas partes — o sino oco, chamado זוֹג, e a peça sólida que bate contra suas paredes internas, produzindo o som, chamada עִנְבָּל. E decide a halachá como Rabi Yossi: os חַרְצַנִּים são as sementes internas da uva, e o זָג é a casca externa. Quanto a Rabi Elazar ben Azaryá, a halachá não o segue — basta comer o equivalente a uma azeitona de caroços ou de películas, cada um separadamente, para incorrer em transgressão, como nas demais proibições alimentares da Torá.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi explica que, embora uvas frescas e secas sejam a mesma espécie, elas recebem dois nomes distintos conforme seu estado — daí a razão pela qual a Guemará as trata como categorias que se somam mas também obrigam separadamente. Sobre a posição de Rabi Elazar ben Azaryá, Rashi nota que sua formulação — "dois caroços e sua película" — pressupõe que cada película envolve dois caroços, confirmando a identificação de Rabi Yossi. Rashi ainda glosa os termos aramaicos usados na Guemará: פּוֹרְצָנִין, que sugere a parte interna, e עִיצוּרִין, ligado ao ato de espremer o líquido, sugerindo a parte externa.
Rambam explica que a base textual de Rabi Elazar ben Azaryá está na própria expressão bíblica "desde os caroços", no plural, cujo mínimo em hebraico é dois — daí sua exigência de que se coma ao menos dois caroços com sua película para haver transgressão. Como citado acima em Halachot, a halachá segue Rabi Yossi quanto à identificação das partes, e rejeita a exigência de combinação de Rabi Elazar ben Azaryá.
Bartenura confirma a leitura de Rabi Yossi sobre o versículo: o plural "caroços" indica ao menos dois, unidos por uma única película. E explica a imagem do chocalho de modo direto: a peça externa do chocalho de um animal é chamada זוֹג, o que fundamenta a identificação de que, na uva, a casca externa é o זָג, e a semente interna, o חַרְצָן — a posição que a halachá adota.