"Um dinar de ouro que subir primeiro em minha mão, eis que é consagrado" — e subiu um de prata — Beit Shammai dizem: é consagrado; e Beit Hilel dizem: não é consagrado. — Um homem, tendo tanto moedas de ouro quanto de prata à sua disposição, declara consagrado o primeiro dinar de ouro que lhe cair nas mãos. Contra sua expectativa, o primeiro a lhe cair nas mãos é um dinar de prata. Novamente, Beit Shammai consideram essa moeda de prata consagrada, e Beit Hilel não.
"Um barril de vinho que subir primeiro em minha mão, eis que é consagrado" — e subiu um de azeite — Beit Shammai dizem: é consagrado; e Beit Hilel dizem: não é consagrado. — O mesmo padrão se repete com um barril: o homem pretendia consagrar o primeiro barril de vinho que lhe chegasse às mãos, mas o primeiro a chegar foi um barril de azeite. A disputa entre as duas escolas permanece idêntica em todos os três casos apresentados neste e no mishná anterior.
Como no caso do boi da mishná anterior, esta disputa também se apoia na comparação com o versículo da permuta (temurá) — mas agora aplicada a objetos de consagração de valor monetário (kedushat damim), e não de consagração do próprio corpo do animal (kedushat haguf).
O dinar de ouro e o barril de vinho desta mishná têm, segundo Rambam, a mesma fonte e a mesma lógica da mishná anterior — a comparação com a permuta —, mas ilustram uma categoria distinta de consagração: enquanto o boi consagrado tinha "consagração do próprio corpo" (kedushat haguf), destinado ele mesmo ao altar, o dinar e o barril têm apenas "consagração de valor" (kedushat damim), destinados a ser vendidos ou usados em prol do Templo. A mishná ensina que a mesma disputa entre Beit Shammai e Beit Hilel sobre consagração por engano se estende igualmente a essa segunda categoria, sem distinção entre os dois tipos de consagração.
Rambam nota o propósito didático da mishná em trazer casos de ambas as categorias de consagração.
Rambam esclarece que, para Beit Hilel, mesmo se o vinho valesse mais do que o azeite — de modo que o barril que efetivamente chegou às mãos do homem tivesse valor superior ao que ele pretendia consagrar — ainda assim não haveria consagração, pois o critério não é o valor, mas a identidade exata do objeto pretendido: houve engano, e o engano invalida a consagração. E explica que a mishná trouxe tanto o exemplo do boi, que é consagração do próprio corpo, quanto os exemplos do dinar e do barril, que são consagração de valor, para mostrar que a disputa se aplica igualmente a ambas as categorias.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre os dois novos exemplos da mishná.
Rashi observa, sobre uma variante textual da baraita paralela, que o homem primeiro percebeu que a moeda ou o barril que lhe chegara às mãos não era o que pretendia consagrar, e só depois se recordou exatamente do que havia dito — detalhe que a Guemará usa para discutir se a ordem dos acontecimentos afeta a validade da consagração.
Rashi relata a discussão da Guemará sobre se uma pessoa, ao consagrar algo de modo condicional como nesta mishná, tende a consagrar o objeto de menor valor ("com olhar mesquinho") ou o de maior valor ("com olhar generoso") — questão que a Guemará tenta resolver comparando os valores relativos de bois pretos e brancos, dinares de ouro e prata, e barris de vinho e azeite, sem chegar a uma conclusão decisiva, de modo que a mishná é entendida como aplicável independentemente de qual objeto valha mais.
Rambam reafirma que o critério da disputa não é o valor relativo dos objetos, mas a exatidão entre o que foi pretendido e o que efetivamente ocorreu, e explica que a mishná trouxe deliberadamente um exemplo de cada categoria de consagração — do corpo do animal e do valor monetário — para abranger todos os casos possíveis.
Bartenura resume em poucas palavras o propósito didático da sequência: a primeira mishná, com o exemplo do boi, ensina o caso de algo com consagração do próprio corpo, enquanto esta mishná, com o dinar e o barril, ensina o caso de algo com consagração de valor — mostrando que a disputa entre Beit Shammai e Beit Hilel abrange as duas categorias por igual.