Quem fez voto de nazireado e consultou um sábio, que confirmou o voto — conta a partir do momento em que fez o voto. — Se alguém tem dúvida se suas palavras efetivamente constituíram um voto válido de nazireado, e um sábio, ao ser consultado, confirma que sim, o voto é válido desde o início — e a contagem dos trinta dias do nazireado começa a partir do momento original do voto, e não a partir da consulta ao sábio, ainda que a pessoa não tenha se comportado como nazireu durante o intervalo.
Consultou um sábio, que anulou o voto — se tinha um animal separado para seus sacrifícios, este sai e pasta no rebanho. — Se, ao contrário, o sábio determina que as palavras da pessoa não constituíram voto algum de nazireado, então qualquer animal que ela já tivesse separado, com a intenção de oferecê-lo como sacrifício ao final do nazireado, perde toda consagração e retorna à condição de animal comum, podendo pastar livremente junto com o resto do rebanho.
Disseram Beit Hilel a Beit Shammai: não reconhecem vocês que este é um caso de consagração por engano, de modo que o animal sai e pasta no rebanho? Disseram-lhes Beit Shammai: não reconhecem vocês que quem se enganou e chamou ao nono "décimo", e ao décimo "nono", e ao décimo primeiro "décimo", que este é consagrado? — Beit Hilel argumentam que, se mesmo Beit Shammai concordam que o animal separado por um voto de nazireado inválido sai para pastar livremente — reconhecendo, assim, que uma consagração baseada em engano não vale —, então eles deveriam admitir a mesma lógica no caso do boi, do dinar e do barril das mishnayot anteriores. Beit Shammai respondem com um contra-argumento: no processo de separar o dízimo do gado, quando o dono passa os animais um a um sob uma vara e, por engano, chama o nono animal de "décimo", o décimo de "nono", e o décimo primeiro de "décimo", a halachá reconhece como consagrados justamente os três animais nomeados por engano — provando que a consagração por engano pode, sim, valer.
Disseram-lhes Beit Hilel: não foi a vara que o consagrou! E se ele tivesse se enganado e pousado a vara sobre o oitavo e sobre o décimo segundo, teria feito algo? Mas é o texto que consagrou o décimo — ele mesmo consagrou o nono e o décimo primeiro. — Beit Hilel rejeitam a comparação: a consagração do nono e do décimo primeiro, quando chamados por engano de "décimo", não decorre do ato de colocar a vara sobre eles, pois se o dono tivesse se enganado ainda mais e pousado a vara sobre o oitavo ou o décimo segundo animais, chamando-os de "décimo", isso não os teria consagrado — a distância é grande demais. O que realmente consagra o nono e o décimo primeiro é uma decisão explícita do próprio versículo bíblico, que consagra o décimo animal e, por extensão textual, os dois animais adjacentes a ele quando há engano na contagem — um caso especial e limitado, que nada prova sobre a validade geral da consagração por engano nos demais casos.
O argumento final de Beit Shammai, e a réplica de Beit Hilel, giram em torno do versículo que institui o dízimo do gado, contado sob a vara do pastor.
A halachá recebida por tradição, apoiada em uma leitura amplificada deste versículo, ensina que quando o dono, ao contar seus animais sob a vara, se engana e chama o nono animal de "décimo" — ou o décimo de "nono", ou o décimo primeiro de "décimo" —, todos os três se tornam consagrados como dízimo, e não apenas o efetivamente décimo na contagem correta. Rambam explica, no Perush HaMishná, que essa consagração do nono e do décimo primeiro não depende da intenção do dono, mas exclusivamente da contagem verbal — mesmo que ele soubesse tratar-se do nono, e ainda assim o chamasse "décimo" por brincadeira ou distração, a consagração se aplicaria, pois "o texto é quem consagra", e não a intenção do dono, ao contrário da consagração comum, que depende inteiramente da vontade de quem consagra.
Rambam explica o mecanismo prático da contagem regressiva imposta ao nazireu cujo voto foi confirmado após um período de dúvida.
Rambam explica que, embora a mishná diga que a pessoa "conta desde o momento em que fez o voto", na prática ela deve, por decreto rabínico e como medida de rigor adicional, prolongar seu nazireado por tantos dias quanto durou o período em que se comportou como se estivesse livre, sem observar as restrições — de modo que o resultado prático se aproxima de contar apenas a partir do momento da consulta ao sábio. Mas a obrigação de base, segundo a Torá, é a que a mishná enuncia explicitamente: os dias de nazireado contam desde o próprio momento do voto.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre o debate entre Beit Shammai e Beit Hilel.
Rashi descreve o cenário concreto por trás da mishná: alguém que, tendo feito voto de nazireado, passou a duvidar de sua validade, e nesse ínterim descumpriu as restrições — bebeu vinho e se contaminou por contato com um morto —, e somente depois foi consultar os sábios para saber se estava de fato ligado ao voto.
Rashi esclarece a lógica precisa da resposta de Beit Hilel: a consagração do nono e do décimo primeiro animais não decorre simplesmente do fato de a vara ter passado sobre eles com a palavra errônea "décimo" — pois, se fosse assim, o mesmo deveria valer para o oitavo e o décimo segundo, caso o erro fosse ainda maior, o que não é o caso. A verdadeira causa é uma decisão do próprio texto bíblico, que consagra especificamente os dois animais adjacentes ao décimo real quando há engano na contagem, e nada além disso — tratando-se, portanto, de uma lei totalmente particular ao dízimo do gado.
Rambam explica a diferença fundamental entre o dízimo do gado e a consagração comum: enquanto a consagração comum depende inteiramente da intenção de quem consagra, o dízimo do gado depende apenas da contagem verbal — sempre que o dono diz "décimo" ao animal correspondente, sejam quais forem suas intenções internas, este se torna consagrado. Por isso a Torá estende essa consagração ao nono e ao décimo primeiro quando o dono se enganou na contagem e os chamou de "décimo", mas não ao oitavo e ao décimo segundo, que estão fora do alcance do erro plausível na contagem.
Bartenura explica por que, neste caso específico, até mesmo Beit Shammai concordam que o animal separado sai para pastar livremente: uma vez que o sábio determinou que a pessoa nunca foi de fato nazireu, suas palavras designando um animal "para meus sacrifícios de nazireado" não têm efeito algum, pois é como alguém que não deve trazer uma oferenda pelo pecado e mesmo assim diz "este animal é para minha oferenda pelo pecado" — a designação, nesse caso, simplesmente não se aplica a nada, e não se trata propriamente de um caso de "consagração por engano" no sentido debatido nas mishnayot anteriores.