Quem disse "Eis que sou nazireu" e tornou-se impuro no trigésimo dia, anula tudo. Rabi Eliezer diz: não anula senão sete. "Eis que sou nazireu por trinta dias" — tornou-se impuro no trigésimo dia, anula tudo. — Como vimos, quem assume o nazireado sem especificar sua duração pode tosar já no trigésimo dia, pois parte de um dia conta como o dia inteiro, e por isso, aos olhos dos sábios, esse dia já está do lado de fora da contagem, dentro do período em que a impureza teria o mesmo efeito devastador que teria se ocorresse durante os trinta dias propriamente ditos: ela anula toda a contagem anterior, obrigando a pessoa a recomeçar do zero. Rabi Eliezer discorda: para ele, esse mesmo princípio de que parte do dia conta como o dia inteiro significa que a pessoa já está, no trigésimo dia, tecnicamente depois do término formal do nazireado, e a impureza que ocorre depois do término anula apenas sete dias — o mínimo necessário para trazer o sacrifício em pureza. Mas quando a pessoa especificou "trinta dias" em seu voto, exigindo dias completos e inteiros, o trigésimo dia ainda pertence integralmente à contagem mesmo segundo Rabi Eliezer, e por isso todos concordam que a impureza nesse dia anula tudo.
O versículo que determina a anulação da contagem por impureza é a base de toda a disputa entre os sábios e Rabi Eliezer.
Rabi Eliezer deriva sua posição de outro versículo, "Esta é a lei do nazireu, no dia em que se completarem os dias de seu nazireado" (Bemidbar 6:21): a Torá chama o dia da completude de "lei do nazireu" comum, ou seja, do nazireado padrão de trinta dias. Por isso, quando a impureza ocorre precisamente no dia da completude, Rabi Eliezer aplica a essa impureza o tratamento dado à impureza que ocorre depois do término do nazireado — que anula apenas sete dias, o mínimo necessário para a purificação —, e não o tratamento da impureza ocorrida durante os dias da contagem, que anula tudo por força do versículo "os dias anteriores cairão".
A halachá segue os sábios contra Rabi Eliezer em todos os casos discutidos neste perek.
Rambam resume a lógica da disputa e conclui explicitamente que a halachá segue os sábios em todos os detalhes deste tema: quem não especificou a duração do nazireado e se tornou impuro no trigésimo dia anula toda a contagem, e não apenas sete dias como sustentava Rabi Eliezer.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi explica a razão prática por trás da posição de Rabi Eliezer: como ele entende que a impureza no trigésimo dia ocorre tecnicamente depois do término do nazireado — pois considera que o nazireado sem especificação dura, na prática, apenas vinte e nove dias completos, com o trigésimo já contando como o dia seguinte —, essa impureza recebe o tratamento mais brando de sete dias, o suficiente para permitir que a pessoa traga seu sacrifício em pureza. Já no segundo caso, quando a pessoa declarou "trinta dias" exigindo dias completos, Rashi confirma que nem Rabi Eliezer discorda: todos concordam que se anula tudo, pois ali o trigésimo dia ainda está dentro da contagem propriamente dita.
Rambam apresenta a disputa em termos gerais: para os sábios, a impureza no dia da completude tem o mesmo efeito devastador da impureza ocorrida durante a contagem, anulando tudo; para Rabi Eliezer, ela anula apenas o equivalente a um nazireado padrão sem especificação, ou seja, sete dias no caso mais simples. Rambam encerra reafirmando que a halachá segue os sábios.
Bartenura acrescenta que, mesmo segundo os sábios, o princípio de que parte do dia conta como o dia inteiro só se aplica ordinariamente para permitir a tosa — não para tratar a impureza como se já tivesse ocorrido depois do término; por isso a impureza no trigésimo dia continua sendo tratada como impureza dentro da contagem, e anula tudo. Bartenura conclui, como Rambam, que em toda essa disputa a halachá segue os sábios.