"Sou nazireu, e sobre mim arcar com o corte de outro nazireu" — e seu amigo ouviu e disse "e eu, e sobre mim arcar com o corte de outro nazireu": se eram perspicazes, cortam um ao outro; e se não, cortam de outros nazireus. — A primeira pessoa faz dois compromissos numa única frase: torna-se nazireu ela mesma, e além disso se obriga a trazer as oferendas do dia do corte de cabelo de um nazireu qualquer — um compromisso financeiro adicional e independente do próprio voto. Seu amigo, ao ouvir isso, responde "e eu" e repete a fórmula inteira, assumindo também os dois compromissos. Se ambos forem perspicazes — capazes de perceber que, no momento em que o segundo disse "e eu", o primeiro ainda não havia completado seu próprio nazireado e portanto ainda não tinha kkorte algum para custear —, cada um pode identificar o outro como o nazireu cujo corte lhe cabe pagar, cumprindo reciprocamente seus votos apenas um pelo outro, sem gasto extra. Mas se não forem perspicazes o bastante para essa identificação recíproca, cada um precisa custear as oferendas de corte de um terceiro nazireu qualquer, além de arcar com as próprias.
O compromisso de arcar com as oferendas de outro nazireu não é, em si, um voto de nazireado, mas um voto financeiro comum, cuja obrigação de cumprimento deriva do princípio geral de que a palavra da pessoa a compromete.
O compromisso de trazer os sacrifícios do corte de cabelo de outro nazireu é um voto financeiro válido, independente do voto de nazireado que o acompanha. Por isso a mishná avalia separadamente cada compromisso: o nazireado de cada amigo recai sobre ele mesmo, e a obrigação de arcar com o corte de um nazireu pode, dependendo da interpretação exata das palavras, recair sobre o próprio amigo que fez o voto paralelo.
Quando dois amigos fazem, em sequência, o mesmo duplo voto — nazireado próprio e compromisso de arcar com o corte de outro nazireu —, a chave da halachá está em identificar exatamente a quem cada um se referiu.
Rambam explica que "sobre mim arcar com o corte de um nazireu" significa comprometer-se a trazer as oferendas exigidas no dia em que outro nazireu completa seu voto e faz a tosa ritual. Quando os dois amigos são suficientemente perspicazes para perceber que a referência de cada um recai sobre o próprio companheiro — que também se tornou nazireu naquele instante —, nenhum dos dois perde recurso algum: ao custear o corte do outro, cada um já cumpre integralmente seu próprio voto adicional, sem precisar buscar um terceiro nazireu.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre a mishná.
Rashi define com precisão o compromisso adicional: a pessoa se obriga a ficar "no lugar" de outro nazireu, trazendo por ele as oferendas exigidas no dia de seu corte de cabelo. Quando ambos os amigos são perspicazes o bastante para reconhecer que a referência de cada um recai sobre o outro, cada um traz as oferendas do corte do companheiro, e ambos ficam isentos de custear qualquer oferenda adicional; se não são perspicazes o bastante para chegar a essa identificação recíproca, cada um continua obrigado a encontrar um terceiro nazireu qualquer para cumprir seu compromisso.
Rambam acrescenta uma nota de precisão lexical: se o amigo, ao ouvir a declaração do primeiro, tivesse dito apenas "e eu" — sem repetir a cláusula completa "e sobre mim arcar com o corte de um nazireu" —, ele teria assumido apenas o nazireado simples, sem o compromisso financeiro adicional. É precisamente porque a mishná registra que o segundo amigo repetiu a frase inteira que se entende que ele assumiu ambos os compromissos, tal como o primeiro.
Bartenura observa a sutileza temporal do caso: no exato momento em que o primeiro amigo fez seu voto — comprometendo-se a arcar com o corte de "um nazireu" — o segundo amigo ainda não havia se tornado nazireu, de modo que a referência do primeiro não poderia, a rigor, apontar diretamente para ele. Mesmo assim, quando os dois são perspicazes o bastante para perceber a intenção recíproca por trás da sequência dos votos, cada um pode identificar o outro retroativamente como o nazireu de referência, e cada um libera o outro de seu compromisso, sem necessidade de buscar terceiros.