"Sou nazireu sob a condição de que eu beba vinho e me impurifique por mortos" — eis que este é nazireu, e proibido em tudo. "Sei que há nazireado, mas não sei que o nazireu é proibido em vinho" — eis que este é proibido; e Rabi Shimon permite. "Sei que o nazireu é proibido em vinho, mas pensava eu que os sábios me permitiriam, porque não posso viver senão com vinho, ou porque enterro os mortos" — eis que este é permitido; e Rabi Shimon proíbe. — No primeiro caso, a pessoa tenta condicionar seu próprio nazireado a poder continuar bebendo vinho e se impurificando — precisamente as duas proibições centrais do voto —; como toda condição contrária ao que está escrito na Torá é nula, o nazireado permanece pleno e a pessoa fica proibida em tudo, exatamente como qualquer outro nazireu. No segundo caso, a pessoa sabia que existe a instituição do nazireado, mas ignorava especificamente que ele proíbe vinho — segundo os sábios, mesmo esse conhecimento parcial basta para que o voto gere a proibição completa; Rabi Shimon discorda, sustentando que só se torna nazireu pleno quem assumiu conscientemente todas as proibições. No terceiro caso, a pessoa sabia perfeitamente que o nazireu não pode beber vinho, mas supunha, erroneamente, que os sábios abririam uma exceção para ela, por depender do vinho para viver ou por sua profissão exigir contato com mortos — aqui os sábios permitem, pois seu voto foi feito sob um engano evidente sobre uma condição implícita; Rabi Shimon, ao contrário, proíbe.
O princípio de que nenhuma condição pode anular o que está explicitamente escrito na Torá é o que sustenta o primeiro caso da mishná; os dois casos seguintes derivam do sistema dos "quatro votos" que os sábios dispensam de anulação formal.
A proibição do vinho e da impureza por contato com os mortos está escrita de modo explícito e absoluto na Torá; por isso ninguém pode, ao assumir o nazireado, condicionar seu voto a poder violá-las. A halachá geral de que "todo aquele que estabelece uma condição contrária ao que está escrito na Torá, sua condição é nula" — mas o ato principal permanece válido — explica por que a pessoa do primeiro caso se torna nazireu pleno, apesar de sua tentativa frustrada de se isentar das duas proibições centrais do voto.
A halachá segue os sábios (e não Rabi Shimon) em ambos os casos de disputa registrados na mishná.
Rambam confirma que ninguém discorda do primeiro caso, pois o princípio de que toda condição contrária à Torá é nula é aceito por unanimidade. Nos dois casos seguintes, Rambam explica que os sábios sustentam que quem se torna nazireu por qualquer uma das três proibições — vinho, corte de cabelo ou impureza — assume automaticamente todas elas; Rabi Shimon exige conhecimento consciente de todas as proibições para que o nazireado seja pleno. No terceiro caso, tratando-se de um voto feito sob engano sobre uma isenção que a pessoa supunha existir — um dos "quatro votos" que os sábios dispensaram de anulação formal —, Rambam esclarece que, segundo Rabi Shimon, mesmo esses votos exigem consulta a um sábio para que se tornem permitidos; a lei não segue Rabi Shimon em nenhum dos dois pontos.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre a mishná.
Rashi observa, sobre o primeiro caso, que a pessoa "assumiu o restante" — isto é, embora sua tentativa de se isentar do vinho e da impureza seja nula, ela continua obrigada a todas as demais restrições do nazireado, e por extensão, obrigada também às duas que tentou excluir, já que a condição inteira cai por terra. Sobre o segundo caso, Rashi explica a posição dos sábios: mesmo quem faz o voto conhecendo apenas uma das proibições — como o vinho — torna-se nazireu obrigado em todas elas, pois a essência do voto, uma vez pronunciada a palavra "nazireu", já traz consigo o pacote completo das restrições bíblicas, independentemente do que a pessoa sabia ou deixou de saber a respeito de seus detalhes. Rabi Shimon discorda: para ele, só se assume genuinamente aquilo que se conhece, e por isso a pessoa permanece nazireia apenas do que sabia — no caso, nada, pois nem sabia que o vinho era proibido.
Rambam explica que o terceiro caso pertence à categoria dos "votos de coação" — nidrei ones — um dos quatro tipos de voto que os sábios dispensaram de qualquer processo formal de anulação, porque a pessoa nunca teve, desde o início, a intenção genuína de assumir um voto que a impediria de viver ou de exercer sua profissão; seu erro sobre a permissão dos sábios já invalida o voto por dentro. Rabi Shimon discorda dessa categoria simplificada: para ele, mesmo os quatro votos de coação exigem, na prática, uma consulta formal a um sábio antes de se tornarem permitidos, e por isso ele proíbe até que isso aconteça.
Bartenura confirma que o primeiro caso é consensual: a condição de continuar bebendo vinho e se impurificando é nula por contrariar explicitamente a Torá, mas o voto de nazireado em si permanece de pé, e a pessoa fica proibida em tudo — como qualquer nazireu comum. Sobre a disputa dos dois casos seguintes, Bartenura resume que os sábios consideram nazireu pleno quem se vota a partir de qualquer uma das três proibições, mesmo ignorando as demais, enquanto Rabi Shimon exige a ciência de todas elas; e que a lei segue os sábios em ambos os pontos, contra Rabi Shimon.