Não se deixa o leito na rua, para que não se torne costumeiro o elogio fúnebre; e nunca o leito de uma mulher, por respeito. As mulheres cantam lamentos no Chol HaMoed, mas não batem palmas. Rabi Ishmael diz: as que estão próximas do leito batem palmas. — Deixar o leito com o corpo do falecido parado na rua por tempo prolongado atrairia multidões para o elogio fúnebre público, um gesto que a mishná já identificou, no capítulo anterior, como incompatível com a alegria do Chol HaMoed — por isso a prática é proibida, para que não se torne hábito recorrente. No caso de uma mulher falecida, a proibição é ainda mais absoluta, sem exceção, por respeito à sua dignidade, evitando a exposição pública prolongada do corpo. Quanto às carpideiras, o canto de lamentos — uma prática vocal, mais discreta — permanece permitido mesmo no Chol HaMoed, mas o gesto físico de bater palmas, mais chamativo e associado ao elogio fúnebre formal, é proibido. Rabi Ishmael suaviza essa proibição para as mulheres que já estão fisicamente próximas ao leito no momento do enterro, permitindo-lhes esse gesto de dor mais imediata.
A tradição observa que a Torá relata a morte e o sepultamento de Miriam quase na mesma respiração — "morreu ali... e ali foi sepultada" —, sem qualquer intervalo narrativo entre os dois eventos, e dessa justaposição deriva o princípio geral de que a sepultura deve seguir a morte o mais rapidamente possível, sem demora desnecessária. É esse mesmo princípio que fundamenta a proibição de deixar o leito do falecido exposto na rua por tempo prolongado: quanto mais o corpo permanece à vista pública, mais se distancia do ideal bíblico de sepultamento imediato, e mais se aproxima do espetáculo público que a mishná deseja evitar no Chol HaMoed.
Rambam esclarece o alcance da proibição sobre o leito de uma mulher, e confirma que a halachá não segue Rabi Ishmael.
Bartenura explica o motivo do respeito devido à mulher falecida e o verbo técnico do bater de palmas; Rashi confirma a leitura da Guemará sobre o costume histórico dos leitos de prata e ouro.
Rambam remete de volta ao Perek Alef, onde o princípio de não banalizar o elogio fúnebre durante os dias intermediários da festa já havia sido estabelecido — mostrando que esta mishná, ao final do tratado, retoma e aplica um fio condutor que percorre toda a obra desde seu início.
Bartenura conecta diretamente a proibição ao versículo sobre Miriam, confirmando que o princípio de sepultar logo após a morte é o que fundamenta a proibição de deixar qualquer leito parado na rua. E define o verbo técnico "metapchot" com precisão: significa bater uma palma contra a outra — o gesto físico visível que se distingue do simples canto vocal do lamento, permitido mesmo às demais mulheres.
Rashi acrescenta um motivo adicional e prático para a proibição absoluta sobre o leito de uma mulher: além do respeito geral devido a ela, há a preocupação específica com o fluxo de sangue que pode ocorrer no corpo após a morte — uma consideração de dignidade que reforça, e não substitui, o princípio geral já estabelecido a partir do versículo de Miriam.