Rabi Eliezer ben Yaakov diz: puxa-se a água de uma árvore a outra, contanto que não se regue o campo todo. As sementes que não beberam antes do Chol HaMoed não se regam no Chol HaMoed. Mas os sábios permitem tanto isto quanto aquilo. — Num campo plantado de árvores frutíferas, mesmo que não seja tecnicamente "sedento" a ponto de sofrer prejuízo imediato, é permitido conduzir a água que já está sob uma árvore até a árvore vizinha, pois esse pequeno desvio não representa esforço extra. Mas regar o campo inteiro, quando isso significa apenas conforto e não evita perda real, ultrapassa o que Rabi Eliezer ben Yaakov permite. Pela mesma lógica, sementes que nunca foram irrigadas antes da festa — que já cresciam apenas com a chuva — não sofrem prejuízo real se continuarem sem irrigação adicional durante o Chol HaMoed, e por isso ele as proíbe. Os sábios, porém, permitem regar tanto o campo inteiro quanto essas sementes, pois consideram que até o mero benefício, sem prejuízo iminente, justifica o trabalho nesses dias.
A mesma raiz que fundamenta a mishná anterior segue operando aqui: os sábios receberam de Devarim 16:8 o critério para distinguir trabalho proibido de trabalho permitido no Chol HaMoed, e aqui esse critério se refina ao nível de detalhe — quanto de esforço, e para qual grau de benefício, é tolerado. Rabi Eliezer ben Yaakov aplica o critério de forma restritiva, limitando a permissão ao que evita prejuízo real; os sábios o aplicam de modo mais amplo, permitindo também a mera melhoria, desde que o esforço em si seja pequeno — puxar água já disponível de uma árvore a outra, sem cavar ou tirar água com esforço.
Rambam fixa a halachá como a opinião de Rabi Eliezer ben Yaakov.
Bartenura explica por que, apesar da halachá seguir a opinião restritiva, um campo já úmido continua sendo exceção; Rashi liga esta mishná à discussão da Guemará sobre quem definiu a mishná anterior.
"Puxar a água de árvore em árvore" significa conduzir a água que já está junto à raiz de uma árvore até a raiz de outra. E se o campo inteiro já estivesse encharcado — úmido a ponto de a irrigação adicional não se notar como um trabalho novo —, seria permitido regá-lo por completo, pois nesse caso a rega não constitui um esforço perceptível como trabalho proibido.
Uma ressalva importante: um campo úmido — cuja terra é praticamente lama — pode ser regado no Chol HaMoed mesmo segundo Rabi Eliezer ben Yaakov, pois esse tipo de solo se assemelha às sementes que já beberam água antes da festa; a irrigação, nesse caso, apenas continua um processo já em curso, e não inicia algo novo. É a continuidade do cuidado já dado ao campo, não um esforço adicional evitável, o que determina a permissão.
Rashi esclarece que puxar a água de árvore em árvore se assemelha ao caso do campo sedento — onde há prejuízo real evitável —, mas regar o campo por inteiro se assemelha ao campo comum, onde não há esse prejuízo, apenas conforto. E sobre "os sábios permitem tanto isto quanto aquilo", Rashi identifica essa posição como a de Rabi Meir, já mencionada no início do tratado, que permite regar mesmo o campo comum a partir de uma fonte que ainda não jorrava antes — a posição mais permissiva entre as opiniões apresentadas no capítulo.