Depois das duas medidas de seco, a mishná passa às sete medidas de líquido que existiam no Templo — o hin e suas frações, e o log e as suas —, trazendo duas opiniões que questionam essa lista: a de Rabi Eliezer bar Tzadok, sobre marcas gravadas no próprio hin, e a de Rabi Shimon, que nega a existência do hin como recipiente à parte.
Sete medidas de líquido havia no Templo: o hin, e o meio hin, e o terço do hin, e o quarto do hin; o log, e o meio log, e o quarto do log. — A mishná enumera as sete medidas oficiais para líquidos usadas no Templo — quatro derivadas do hin (a maior unidade) e três derivadas do log (a menor), cobrindo as diferentes quantidades de vinho e azeite exigidas pelas diversas oferendas e libações.
Rabi Eliezer bar Tzadok diz: havia marcas no hin — até aqui para o novilho, até aqui para o carneiro, até aqui para o cordeiro. — Para Rabi Eliezer bar Tzadok, o hin, o meio hin, o terço e o quarto do hin não eram quatro recipientes separados, senão um único recipiente do tamanho de um hin inteiro, com marcas gravadas em sua parede interna indicando o nível correspondente à quantidade de vinho ou azeite exigida por cada tipo de animal.
Rabi Shimon diz: não havia ali hin algum. E para que serviria o hin? Senão que havia uma medida extra, de log e meio, com a qual se media a oferenda de refeição do Sumo Sacerdote — log e meio pela manhã, e log e meio entre as tardes. — Rabi Shimon discorda de ambas as posições anteriores: para ele, o hin como recipiente nunca existiu de fato no Templo em uso corrente, pois nenhuma oferenda regular o exigia por inteiro; a sétima medida da lista era, na realidade, um recipiente de log e meio, criado especificamente para medir o azeite da oferenda diária do Sumo Sacerdote, dividida em duas porções iguais, manhã e tarde.
Rambam explica que esta medida, o hin, não temos hoje nenhum objeto com que a comparar — e é isso que Rabi Shimon aponta ao perguntar "para que servia o hin?": foi Moshé quem a confeccionou no deserto e com ela mediu o azeite para o óleo da unção, como está dito "um hin de azeite de oliva"; por isso os Sábios disseram que, havendo o hin existido no Tabernáculo, aquela mesma medida nunca saiu do Templo. Rabi Shimon, por sua vez, sustenta que, não havendo hoje nada com que medi-lo, não se fabrica outro, pois todos concordam que não se faz óleo da unção novo enquanto não se esgotar o que Moshé fez. Quanto à lei da Torá sobre as libações: meio hin para o novilho, um terço do hin para o carneiro e um quarto do hin para o cordeiro — adiante se explicará com que se media o log, o meio log e o quarto de log. E "marcas" (shenatot) significa sinais gravados. E a lei não segue nem Rabi Elazar nem Rabi Shimon.
Bartenura explica que, segundo Rabi Eliezer bar Tzadok, não havia ali senão o hin, e nele havia sinais — pregos ou entalhes — marcando "até aqui para o novilho" (o meio hin), "até aqui para o carneiro" (o terço do hin) e "até aqui para o cordeiro" (o quarto do hin); e a lei não segue Rabi Eliezer. Sobre "para que servia o hin", explica que nada no Templo exigia um hin inteiro: nunca se precisou dele senão uma única vez, nos dias de Moshé, para o óleo da unção — e aquele óleo permanece existindo até hoje, de modo que não havia necessidade de um hin. A "medida extra" existia para completar as sete medidas da lista; e a oferenda de refeição do Sumo Sacerdote exigia três logim de óleo — um log e meio pela manhã, um log e meio entre as tardes.
Rashi explica que, segundo Rabi Eliezer bar Rabi Tzadok, não havia ali quatro medidas separadas, senão apenas o hin, que tinha marcas gravadas nele servindo de sinais — "até aqui" para o novilho — e assim também havia marcas para o log e para o meio log. Sobre a objeção de Rabi Shimon, "para que servia o hin?", observa que, de fato, ele nunca foi necessário senão uma única vez, nos dias de Moshé, para medir o óleo da unção, como está dito "um hin de azeite de oliva"; por isso a "medida excedente" de um log e meio vinha completar as sete medidas, sendo aquela com que se media o óleo para a oferenda do Sumo Sacerdote, que necessitava de três logim, como já se explicou, ao acrescentar-lhe óleo.