A quinta e última mishná do Perek Dalet fecha o capítulo com a oferenda diária de frigideira do sumo sacerdote (chavitin): sempre trazida como um issarón inteiro dividido ao meio, nunca como duas metades separadas; o caso do sacerdote que morre logo após sacrificar sua metade da manhã, deixando duas metades perdidas; e a disputa entre Rabi Shimon e Rabi Yehudá sobre de quem vem a oferenda quando não se nomeia sucessor.
A oferenda de frigideira do sumo sacerdote não vinha em metades; mas ele traz um issarón inteiro, divide-o ao meio, e sacrifica metade pela manhã e metade à tarde. — A mishná fecha o capítulo com a oferenda diária de farinha do sumo sacerdote, chamada de “frigideira” (chavitin) por seu modo de preparo: embora sacrificada em duas metades, uma pela manhã e outra à tarde, ela nunca é trazida já dividida de casa; o sumo sacerdote traz o issarón (medida de farinha) inteiro e o divide ele mesmo antes de oferecê-lo.
E o sacerdote que sacrificou a metade pela manhã e morreu, e nomearam outro sacerdote em seu lugar, este não traga meio issarón de sua casa, nem a metade do issarón do primeiro; mas traga um issarón inteiro, divida-o ao meio, e sacrifique uma metade, e a outra metade se perde. Assim, duas metades são sacrificadas, e duas metades se perdem. — A mishná examina o caso em que o sumo sacerdote morre logo depois de sacrificar sua metade da manhã: o sucessor não pode simplesmente completar com sua própria metade a oferenda do falecido, nem trazer apenas meio issarón de sua própria casa — deve trazer um issarón inteiro e novo, dividi-lo, e sacrificar apenas uma das metades; a metade restante do primeiro sacerdote, já sem função, perde-se, assim como a segunda metade do sucessor que não chega a ser sacrificada nesse dia.
Se não nomearam outro sacerdote, de quem era ela sacrificada? Rabi Shimon diz: da comunidade. Rabi Yehudá diz: dos herdeiros. E ela era sacrificada inteira. — A mishná fecha o capítulo com o caso em que nenhum sucessor foi nomeado: de quem sai o issarón diário da oferenda de frigideira? Rabi Shimon a atribui ao tesouro da comunidade; Rabi Yehudá, aos herdeiros do sumo sacerdote falecido. Em ambos os casos, porém, concordam que ela continua sendo trazida como um issarón inteiro, e não pela metade.
Rambam aplica o mesmo princípio ao caso em que a metade restante da oferenda do sacerdote falecido se torna impura: também nesse caso o sucessor traz um issarón inteiro e o divide, oferecendo apenas a metade útil — a outra metade se perde. Sobre a origem da oferenda quando não se nomeia sucessor, traz a prova de Rabi Yehudá de que os herdeiros são obrigados a trazê-la, do versículo “de seus filhos a fará” — indicando que a trazem às próprias custas —, e nota que o versículo diz “a fará”, no singular referido ao issarón inteiro, e não “a metade dela”. Rabi Shimon extrai sua posição do versículo “estatuto perpétuo, será queimada por completo”, exigindo que seja íntegra. A halachá segue Rabi Yehudá.
Bartenura identifica a oferenda de frigideira do sumo sacerdote com a menachá diária mencionada em Vayikrá 6 — “sobre a frigideira, com azeite, será feita” —, trazida em metades, mas nunca a partir de duas metades separadas do issarón: o sacerdote sempre traz o issarón inteiro de sua casa e o divide ele mesmo. Explica que, quando morre um sacerdote que já sacrificou sua metade da manhã, o sucessor não pode complementar com a metade restante do primeiro, pois cada issarón deve vir inteiro da casa de quem o traz; por isso, duas metades distintas se perdem. Sobre a origem quando não há sucessor nomeado, explica a posição de Rabi Shimon — que ela vem da comunidade, do tesouro público, do imposto anual da câmara — e a de Rabi Yehudá — que vem dos herdeiros, do versículo “e o sacerdote ungido em seu lugar, dentre seus filhos, a fará”. Em ambos os casos ela é sacrificada inteira, um issarón completo, e não pela metade. A halachá segue Rabi Yehudá, que ela vem dos herdeiros.
Rashi explica que o nome “chavitim” (frigideiras) vem do versículo de Vayikrá 6, que descreve a menachá diária do sumo sacerdote como preparada “sobre a frigideira, com azeite”. Sobre “não vinham em metades”, explica que o sacerdote nunca traz de sua própria casa meio issarón pela manhã e meio issarón à tarde separadamente — ainda que ela seja de fato sacrificada em metades, como indica o versículo “metade dela pela manhã” —, mas sim um issarón inteiro trazido de uma só vez e dividido por ele mesmo. Sobre “e era sacrificada inteira”, explica que, quando trazida da comunidade, cada uma das duas metades diárias provém de um issarón completo, e não de um único issarón dividido entre responsáveis diferentes.