A mishná examina o que acontece quando os restos da menachá — já separados do punhado e destinados ao consumo dos sacerdotes — se tornam impuros, são queimados ou se perdem, aplicando por analogia a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre o sacrifício pascal. Trata também da exigência de que o punhado seja consagrado em vaso de serviço antes da queima, contestada por Rabi Shimon, e fecha permitindo que a queima do punhado seja feita em duas etapas.
Se seus restos se tornaram impuros, se seus restos foram queimados, se seus restos se perderam — segundo o critério de Rabi Eliezer, é apta. E segundo o critério de Rabi Yehoshua, é inválida. — Depois de retirado o punhado, pode acontecer de os restos da menachá — destinados ao consumo dos sacerdotes — se tornarem impuros, serem queimados ou se perderem antes de serem comidos. A mishná aplica aqui, por analogia, a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre o sangue de um sacrifício animal cuja carne se perdeu: para Rabi Eliezer, o punhado ainda pode ser oferecido no altar mesmo sem restos remanescentes para o consumo sacerdotal; para Rabi Yehoshua, sem restos disponíveis para o consumo, o punhado perde sua função de habilitador e a menachá inteira se invalida.
Se não foi santificada em um vaso de serviço, é inválida. Rabi Shimon a declara apta. — O punhado precisa ser colocado em um recipiente sagrado do Templo (kli sharet) para ser consagrado antes da queima; sem isso, a maioria dos sábios considera a oferenda inválida. Rabi Shimon discorda e a declara apta mesmo sem o vaso de serviço, comparando a queima do punhado ao serviço da oferenda pelo pecado, que pode ser realizado com a mão do sacerdote diretamente.
Se queimou seu punhado duas vezes, é apta. — Se o sacerdote dividiu a queima do punhado em dois momentos — por exemplo, queimando metade de cada vez —, a oferenda ainda é apta, desde que cada uma das duas partes não seja inferior à medida mínima de uma azeitona.
Rambam explica a opinião de Rabi Eliezer: mesmo sem restos remanescentes, o punhado ainda pode ser queimado. Já Rabi Yehoshua sustenta que, se restar qualquer coisa dos restos — mesmo que parcialmente impura —, o punhado ainda pode ser queimado; mas se não restar absolutamente nada, a oferenda é inválida. Explica que Rabi Shimon a declara apta mesmo sem vaso de serviço e mesmo sem o próprio punhado ter sido colocado nele, comparando-a à oferenda pelo pecado, cuja aspersão de sangue é feita com o dedo do sacerdote diretamente, por analogia bíblica entre a menachá, a oferenda pelo pecado e a oferenda de culpa. Rambam decide a halachá conforme Rabi Yehoshua, não conforme Rabi Shimon.
Bartenura explica que "segundo o critério de Rabi Eliezer" remete à sua opinião sobre o sangue do sacrifício pascal: mesmo sem carne restante, o sangue ainda pode ser aspergido — assim também o punhado, mesmo sem restos, ainda pode ser queimado. "Segundo o critério de Rabi Yehoshua" remete à opinião oposta: sem carne não há aspersão de sangue — assim também sem restos o punhado é inválido; mas isso só se aplica quando absolutamente nada restou, mesmo impuro, pois havendo qualquer parte dos restos ainda existente, mesmo que impura, o punhado pode ser queimado. A halachá segue Rabi Yehoshua, não Rabi Shimon.
Rashi remete a origem da disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua ao tratado Pessachim (perek Keitzad Tzolin, 77a), sobre o sacrifício pascal: Rabi Eliezer sustenta que o sangue pode ser aspergido mesmo sem carne restante, e por analogia aqui o punhado pode ser queimado mesmo sem restos; Rabi Yehoshua sustenta a posição oposta — sem carne não há aspersão de sangue, e por analogia sem restos não há queima do punhado. Sobre "não em vaso de serviço", Rashi esclarece que se trata do punhado especificamente não ter sido consagrado em vaso de serviço — mas quanto ao início da preparação da menachá como um todo, ninguém discorda que é necessário um vaso, como se discute no capítulo das Duas Pães (Menachot 96a).