A mishná trata de misturas envolvendo menachot e punhados em diferentes estágios: duas menachot ainda inteiras que se misturam antes da retirada do punhado; um punhado já retirado que se mistura com uma menachá inteira ou com restos; e, por fim, o poder da lâmina frontal (tzitz) do sumo sacerdote de tornar aceitável o punhado que se tornou impuro — mas não o que saiu de sua área designada no Templo.
Duas menachot das quais ainda não foi tirado o punhado, e se misturaram uma com a outra — se é possível tirar o punhado desta por si só e daquela por si só, são aptas. E se não, são inválidas. — Quando duas oferendas de farinha, ainda antes da etapa da retirada do punhado, se misturam fisicamente, a validade depende de se ainda é possível, na prática, retirar um punhado inteiro pertencente exclusivamente a cada uma — por exemplo, se caíram em lados opostos do recipiente. Se essa separação ainda é possível, ambas permanecem aptas; se não, ambas se invalidam, pois o punhado de cada oferenda deve vir de sua própria farinha.
O punhado que se misturou com uma menachá da qual ainda não foi tirado o punhado — não se deve queimá-lo. E se o queimou, esta da qual foi tirado o punhado é considerada cumprida para o dono, e aquela da qual não foi tirado o punhado não é considerada cumprida para o dono. — Quando um punhado já retirado, pronto para a queima, se mistura com uma menachá ainda inteira, a princípio não se deve queimar essa mistura, pois nela há farinha que ainda não teve seu punhado retirado corretamente. Mas, se o sacerdote a queimou de qualquer forma, a oferenda original — cujo punhado já fora corretamente retirado antes da mistura — cumpre sua função para o dono; já a segunda menachá, cujo punhado nunca foi propriamente retirado dela mesma, não se considera cumprida.
Se o seu punhado se misturou com seus próprios restos, ou com os restos de outra — não se deve queimá-lo. E se o queimou, é considerada cumprida. — Se um punhado já retirado se mistura de volta com os restos, destinados ao consumo dos sacerdotes e não ao altar, a princípio não se deve queimar essa mistura, pois ela conteria restos, que é proibido queimar. Mas, se o sacerdote os queimou, retroativamente a oferenda se considera cumprida para o dono.
Se o punhado se tornou impuro e o sacerdote o ofereceu, a lâmina frontal o torna aceitável. Se ele saiu de sua área designada e o sacerdote o ofereceu, a lâmina frontal não o torna aceitável — pois a lâmina frontal torna aceitável o que está impuro, mas não torna aceitável o que saiu. — A mishná fecha com o poder de retificação da tzitz — a lâmina de ouro sobre a testa do sumo sacerdote (Êxodo 28). Se o punhado contraiu impureza ritual antes de ser oferecido, a tzitz carrega essa falha e permite que a oferenda seja aceita mesmo assim. Mas se o punhado saiu de sua área designada, o pátio do Templo, antes de ser trazido de volta e oferecido, a tzitz não tem poder de retificar essa falha específica, porque seu poder bíblico de aceitação se limita à impureza, não ao ato de sair do local designado.
Rambam remete à explicação já dada em Zevachim sobre o poder da tzitz de tornar aceitável o que está impuro, mas não o que saiu de sua área designada, e observa que o restante da mishná é compreensível para quem já domina os princípios explicados anteriormente sobre a retirada do punhado e a queima dos restos.
Bartenura explica que "se é possível tirar o punhado desta por si só" se refere ao caso em que as duas menachot caíram em lados opostos do recipiente, restando farinha suficiente e não misturada para uma retirada completa de cada uma, citando a fonte de Torat Kohanim: "de sua farinha", e não da farinha de outra. Explica que a proibição de queimar o punhado misturado com menachá inteira se aplica porque a queima só é mandamento quando feita a partir de um punhado puro e completo de uma única oferenda. Sobre os restos misturados com o punhado, funda a proibição de queimá-los em Levítico 2: "não os queimareis como oferenda ígnea ao Eterno". Quanto à tzitz, cita Êxodo 28: "Arão carregará a iniquidade das coisas sagradas" — e explica que ela carrega apenas a iniquidade da impureza, cujo lado mais leve é ter sido permitida coletivamente no caso do tamid diário; mas não carrega a iniquidade de sair da área designada, porque o versículo especifica "para aceitação diante do Eterno".
Rashi, ao chegar a esta mishná na Guemará (23a), remete à explicação já dada anteriormente (22a) sobre o mesmo tipo de caso — duas menachot misturadas antes da retirada do punhado. Mais adiante (25a), ao comentar a cláusula final sobre a tzitz, precisa que, quando ela torna aceitável o punhado impuro, tanto a queima do punhado quanto o consumo dos restos pelos sacerdotes ficam permitidos — a menachá inteira é considerada apta.