A mishná abre o Perek Guimel examinando o efeito da intenção indevida (fora do tempo devido) quando ela recai sobre um item atípico — pensar em comer o que normalmente se queima, ou queimar o que normalmente se come —, e quando ela recai sobre uma quantidade inferior à medida mínima de uma azeitona. Em ambos os casos a oferenda permanece apta, exceto pela invalidação de Rabi Eliezer no primeiro caso; e a mishná fecha esclarecendo que as intenções de comer e de queimar não se somam entre si para completar a medida.
Quem tira o punhado da menachá com a intenção de comer algo que não é de seu costume comer, ou de queimar algo que não é de seu costume queimar — é apto. — O punhado (kômetz) é a porção retirada da menachá e queimada no altar; o restante é comido pelos sacerdotes. A mishná examina o caso em que, no momento de tirar o punhado, o sacerdote formou intenção indevida de tempo errado — mas dirigida a um item que normalmente não é objeto desse tipo de consumo: por exemplo, pensar em comer o próprio punhado, que normalmente é queimado, não comido, ou pensar em queimar os restos, que normalmente são comidos, não queimados. Como a intenção recai sobre algo fora do padrão usual, os sábios a consideram desconsiderada, sem poder de invalidar.
Rabi Eliezer invalida. — Rabi Eliezer discorda: para ele, a intenção sobre o item invertido — pensar em comer o que normalmente se queima, ou queimar o que normalmente se come — ainda assim desqualifica a oferenda, embora sem o grau pleno de pigul que acarreta karet.
Com a intenção de comer algo que é de seu costume comer, ou de queimar algo que é de seu costume queimar, porém menos que uma azeitona — é apto. — Aqui a intenção já recai sobre o item correto — os restos para comer, o punhado para queimar —, mas em quantidade inferior à medida mínima de uma azeitona (kazáyit), abaixo da qual a intenção não tem poder de invalidar.
Com a intenção de comer como metade de uma azeitona e de queimar como metade de uma azeitona — é apto, porque o comer e o queimar não se somam. — Mesmo que as duas intenções, somadas, cheguem à medida de uma azeitona inteira, a mishná ensina que a intenção de comer fora do tempo e a intenção de queimar fora do tempo pertencem a categorias distintas e não se combinam para completar a medida mínima que invalida.
Rambam explica que "algo que não é de seu costume comer" refere-se ao próprio punhado e ao incenso — que normalmente são queimados, não comidos —, e "algo que não é de seu costume queimar" refere-se aos restos, que normalmente são comidos, não queimados. Recorda que o pigul pleno só se forma quando a intenção indevida recai sobre o item em seu uso correto — comer o que se come, queimar o que se queima —, porém fora do tempo devido, como indica o versículo que une, sob uma só expressão de "comer", tanto o consumo humano quanto o consumo do altar. Rabi Eliezer deriva dessa união bíblica que a intenção também se transfere entre as duas categorias; os sábios entendem que a união serve apenas para igualar a medida mínima entre o comer e a queima. Rambam decide a favor dos sábios.
Bartenura explica cada termo: "com a intenção de comer" significa fora do tempo devido; "algo que não é de seu costume comer" é o punhado e o incenso; "algo que não é de seu costume queimar" são os restos, que costumam ser comidos, não queimados. A oferenda permanece apta porque essa intenção não é considerada relevante. Localiza a fonte de Rabi Eliezer em Levítico 7, onde o versículo fala em "comer" tanto a respeito do consumo humano quanto do consumo do altar — daí ele inferir que a intenção transita de uma categoria para a outra. Os sábios entendem que essa união bíblica serve apenas para equiparar a medida mínima de ambas em uma azeitona. Conclui que a halachá segue os sábios.
Rashi comenta a sugia da Guemará sobre esta mishná: nota que a cláusula "com a intenção de comer algo que é de seu costume comer... menos que uma azeitona, é apto" pareceria redundante, já que a mishná do primeiro perek (Menachot 12b) já ensinara que a intenção de comer metade de azeitona e queimar metade de azeitona é apta. Explica que essa repetição é necessária por causa de Rabi Eliezer: ainda que ele invalide, por decreto rabínico, a intenção sobre o item invertido — para não a confundir com a intenção sobre o item correto —, ele não estende esse decreto ao caso de menos que uma azeitona, pois não há risco de confundir uma quantidade insuficiente com uma quantidade completa.