Esta mishná distingue dois níveis de permissão do grão novo: a oferenda do Ómer permite seu consumo em todo o país, enquanto os dois pães de Shavuot permitem, além disso, trazer oferendas do grão novo dentro do próprio Templo.
O Ómer permitia [o grão novo] no país, e os dois pães, no Templo. Não se trazem oferendas de refeição, nem primícias, nem a oferenda de rebanho, antes do Ómer; e se trouxe, é inválida. Antes dos dois pães, não se traga; e se trouxe, é válida. — Enquanto o Ómer libera o consumo comum do grão novo em todo o território, é preciso esperar pelos dois pães de Shavuot para que o próprio Templo aceite oferendas feitas com farinha da colheita nova. Por isso, trazer qualquer oferenda de refeição, primícias ou a oferenda que acompanha sacrifícios de animais, do grão novo, antes do Ómer, invalida-a por completo; mas, entre o Ómer e os dois pães, embora não se deva fazê-lo de saída, se já foi trazida a oferenda é válida, pois o grão novo já está permitido para uso comum, faltando apenas sua plena aceitação no Templo.
Rambam explica que “permitia no país” significa que tornava permitido comer aquilo que é permitido em todos os lugares comuns, isto é, o grão novo, sendo isso lei da Torá, como já dissemos; e “os dois pães no Templo” significa que permitia trazer, do grão novo, aquilo que se traz ao Templo: depois da oferenda dos dois pães é permitido trazer qualquer tipo de oferenda de refeição, mas antes dos dois pães não é permitido trazer, de saída, oferenda do grão novo, pois foi dito a respeito dos dois pães “e oferecereis uma oferenda de refeição nova”. E o que se disse, que se alguém transgrediu e trouxe antes do Ómer não cumpriu, mas antes dos dois pães, se trouxe cumpriu, é porque a ninguém é permitido colher antes da colheita do Ómer, como se explicará agora; e depois da colheita do Ómer é permitido a qualquer pessoa colher o que quiser.
Bartenura explica que “o Ómer permitia no país” significa comer o grão novo em todos os lugares; e “os dois pães no Templo”, porque antes dos dois pães não se traz oferenda de refeição da colheita nova, pois está escrito a respeito dos dois pães “oferenda de refeição nova”, que deve ser nova para todas as oferendas. “Oferenda de rebanho” é a oferenda de libações que acompanha o sacrifício de um animal. “E se trouxe”, antes do Ómer, “é inválida”, pois o grão novo não foi permitido de modo algum, nem sequer para o particular. “Mas antes dos dois pães não se traga, e se trouxe, é válida”, pois já foi permitido de modo geral para o particular.
Rashi explica que “oferendas de refeição” inclui a oferenda de refeição da sotá; “oferenda de rebanho” é a oferenda de libações do animal; e que “antes dos dois pães não se traga oferendas” se deve a que, a respeito dos dois pães, está escrito “oferenda de refeição nova”, devendo ela ser nova para todas as oferendas e primícias. “E se trouxe, é válida” — a Guemará explica o motivo.