Abrindo o Perek Yud — o famoso “Perek Rabi Yishmael”, dedicado à colheita cerimonial da cevada nova para a oferenda do Ómer (sichat ha-ómer) —, esta mishná apresenta duas disputas: quantos seá de cevada eram colhidos para produzir o issarón (décimo de efá) da oferenda, e quantas pessoas e utensílios eram usados na colheita, conforme o dezesseis de Nissan caísse em Shabat ou em dia comum.
Rabi Yishmael diz: o Ómer, em Shabat, vinha de três seá, e em dia comum, de cinco. E os Sábios dizem: tanto em Shabat quanto em dia comum, vinha de três. — Segundo Rabi Yishmael, em Shabat colhia-se menos cevada — apenas três seá — para reduzir o trabalho no dia sagrado, ainda que isso exigisse peneirá-la mais para render a mesma quantidade de farinha fina; em dia comum, sem essa restrição, colhia-se mais — cinco seá — e peneirava-se menos. Os Sábios, porém, sustentam que a quantidade colhida era sempre a mesma, três seá, tanto em Shabat quanto em dia comum.
Rabi Chanina, o vice dos sacerdotes, diz: em Shabat era colhida por um só, com uma só foice e em um só cesto; e em dia comum, por três, com três cestos e três foices. E os Sábios dizem: tanto em Shabat quanto em dia comum, por três, com três cestos e três foices. — Nesta segunda disputa o tema já não é a quantidade de cevada, mas o número de colhedores e utensílios: Rabi Chanina reduz tudo a um único homem em Shabat, por causa da solenidade do dia, autorizando três apenas em dia comum; os Sábios, novamente, mantêm o número de três tanto em Shabat quanto em dia comum, sem distinção entre os dois.
Rambam explica que a colheita do Ómer ocorre apenas na noite de dezesseis de Nissan, como se explicará, e às vezes cairá em Shabat; e já mencionou que toda obrigação com tempo fixo suplanta o Shabat e a impureza. E aquilo que a Escritura obriga — que a colham com três pessoas — é para que o trabalho se conclua rapidamente, como se explicará depois; e a halachá segue os Sábios.
Bartenura explica que, quando o dezesseis de Nissan caía em Shabat, o Ómer suplantava o Shabat, pois todo sacrifício de tempo fixo suplanta o Shabat e a impureza; e o Ómer vinha de três seá, pois colhiam três seá de cevada e as peneiravam até reduzi-las a um issarón escolhido. Se o dezesseis de Nissan caía em dia comum, colhiam cinco seá — pois é preferível multiplicar um só trabalho, peneirando três seá muitas vezes, do que multiplicar vários trabalhos: colher, escolher, moer e peneirar duas seá a mais; e em Shabat trazia-se de três. E a halachá não é como Rabi Yishmael. Quanto a colher “com três pessoas, três cestos e três foices”, era para tornar pública a colheita do Ómer na noite seguinte ao quinze de Nissan, por causa dos saduceus, que diziam que o Ómer só vem no primeiro dia da semana.
Rashi explica que, se o dezesseis de Nissan caísse em Shabat, o Ómer produzia um issarón a partir de três seá — pois colhiam três seá de cevada e as peneiravam até reduzi-las a um issarón escolhido. E, se o dezesseis de Nissan caísse em dia comum, colhiam cinco seá, peneirando de cada seá um pouco daquela flor de farinha fina que sai primeiro, a escolhida, extraindo de cinco seá um issarón — conforme está escrito: “e o ómer é a décima parte da efá”.