Seder Kodashim · Massechet Meilá · Perek Guimel · Mishná 7 de 8

As raízes, a nascente, a água do jarro de ouro e o salgueiro

שָׁרְשֵׁי אִילָן שֶׁל הֶדְיוֹט בָּאִין בְּשֶׁל הֶקְדֵּשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná reúne quatro casos em que um bem físico atravessa a fronteira entre o comum e o consagrado — raízes, uma nascente, a água destinada ao nissuch hamáim e o salgueiro do altar — e ensina que, em cada um, é a origem ou a localização presente do bem que determina se há meilá

As raízes de uma árvore de um particular que penetram na terra do consagrado, e as do consagrado que penetram na de um particular: não se desfruta delas nem há meilá nelas. A nascente que sai de dentro do campo do consagrado: não se desfruta dela nem há meilá nela. Saiu para fora do campo: desfruta-se dela. A água que está no jarro de ouro: não se desfruta dela nem há meilá nela. Foi colocada num frasco: há meilá nela. O salgueiro: não se desfruta dele nem há meilá nele. Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok, diz: os anciãos costumavam colocar dele em seus lulavim.

A mishná trata de bens cuja origem e localização não coincidem. Quando as raízes de uma árvore comum penetram no solo consagrado, ou as de uma árvore consagrada penetram no solo de um particular, a mishná segue a árvore, não o solo em que a raiz se encontra — e por isso, em ambos os casos, não há nem proibição de desfrute nem meilá, pois a raiz pertence à árvore de onde brota, ainda que fisicamente atravesse território de estatuto diferente. Já a nascente que brota em terreno comum mas passa por dentro de um campo consagrado segue a lógica inversa: enquanto flui dentro do campo do consagrado, não se pode desfrutar dela nem há meilá — pois embora a água em si seja comum, ela ainda não “saiu” do domínio físico do consagrado; mas assim que sai para fora do campo, pode-se desfrutar dela livremente, pois já não está mais dentro do território consagrado. O terceiro caso trata do ritual do nissuch hamáim, a libação de água em Sucot: a água trazida do Shilôach e guardada num jarro de ouro comum, ainda não consagrado para esse fim, não tem meilá; somente quando é colocada no frasco de ouro especificamente consagrado ao serviço é que passa a ter meilá plena. Por fim, o salgueiro (aravá) colocado junto ao altar durante os sete dias da festa não tem meilá nem se desfruta dele — mas Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok, relata que, antes de o ramo ser colocado junto ao altar, os anciãos costumavam retirar dele galhos para usar em seus próprios lulavim, mostrando que, até aquele momento, o salgueiro ainda não havia adquirido a santidade que o tornaria proibido.

שָׁרְשֵׁי אִילָן שֶׁל הֶדְיוֹט בָּאִין בְּשֶׁל הֶקְדֵּשׁ וְשֶׁל הֶקְדֵּשׁ בָּאִין בְּשֶׁל הֶדְיוֹט, לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִין. הַמַּעְיָן שֶׁהוּא יוֹצֵא מִתּוֹךְ שְׂדֵה הֶקְדֵּשׁ, לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִין. יָצָא חוּץ לַשָּׂדֶה, נֶהֱנִין מִמֶּנּוּ. הַמַּיִם שֶׁבְּכַד שֶׁל זָהָב, לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִין. נִתְּנוּ בִצְלוֹחִית, מוֹעֲלִין בָּהֶם. עֲרָבָה, לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִין. רַבִּי אֶלְעָזָר בְּרַבִּי צָדוֹק אוֹמֵר, נוֹתְנִין הָיוּ מִמֶּנָּה זְקֵנִים בְּלוּלְבֵיהֶם:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Meilá 3:7

Rambam explica que, quando há entre a árvore de um particular e o campo consagrado dezesseis côvados ou menos, não se desfruta nem há meilá nas raízes que penetram no campo consagrado; mas se há mais de dezesseis côvados entre os dois, há meilá nelas, pois deixam de ser consideradas parte da árvore e passam a ser tidas como pertencentes ao campo consagrado — e a mesma regra, invertida, vale quando a árvore é do consagrado e o campo é de um particular. E o que diz “a água que está no jarro de ouro” alude à água que se liba sobre o altar na festa de Sucot, como já explicamos no quarto capítulo de Sucá; e diz que ela não se conta entre as libações consagradas, havendo meilá nela, até que seja colocada no frasco de ouro. E quando cresce um salgueiro no campo do consagrado, por não ser vendável nem próprio a coisa alguma, não se desfruta dele nem há meilá segundo todos; e o que disse Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok, de que é permitido desfrutar dele, não é a halachá.

Bartenura · Meilá 3:7
שָׁרְשֵׁי אִילָן שֶׁל הֶדְיוֹט בָּאִין בְּשֶׁל הֶקְדֵּשׁ, לֹא נֶהֱנִים וְלֹא מוֹעֲלִים. דְּבָתַר אִילָן אָזְלִינַן. וְהָנֵי מִלֵּי כְּשֶׁאֵין בֵּין אִילָן שֶׁל הֶדְיוֹט לַקַּרְקַע שֶׁל הֶקְדֵּשׁ אֶלָּא שֵׁשׁ עֶשְׂרֵה אַמָּה אוֹ פָחוֹת. אֲבָל אִם יֶשׁ בֵּינֵיהֶן יוֹתֵר מִשֵּׁשׁ עֶשְׂרֵה אַמָּה, מוֹעֲלִין בַּשָּׁרָשִׁים הַגְּדֵלִים בִּשְׂדֵה הֶקְדֵּשׁ: הַמַּעְיָן שֶׁהוּא יוֹצֵא מִתּוֹךְ שְׂדֵה הֶקְדֵּשׁ. כְּגוֹן דְּמַעְיָן שֶׁל חֻלִּין הוּא וְנוֹבֵעַ בְּשָׂדֶה שֶׁל הֶדְיוֹט, אֶלָּא שֶׁנִּמְשָׁךְ וְיוֹצֵא וְעוֹבֵר בְּתוֹךְ שָׂדֶה שֶׁל הֶקְדֵּשׁ: הַמַּיִם שֶׁבְּכַד שֶׁל זָהָב. גַּבֵּי נִסּוּךְ הַמַּיִם, הָיָה מְמַלֵּא חָבִית שֶׁל זָהָב שֶׁאֵינָהּ מְקֻדֶּשֶׁת מִן הַשִּׁלּוֹחַ, וּבְאוֹתָן מַיִם לֹא נֶהֱנִים וְלֹא מוֹעֲלִין, דְּלֹא אִקַּדּוּשׁ לְנִסּוּךְ הַמַּיִם לִמְעִילָה עַד שֶׁיִּנָּתְנוּ לִצְלוֹחִית שֶׁל זָהָב דְּהַיְנוּ כְּלִי מְקֻדָּשׁ: נוֹתְנִים הָיוּ מִמֶּנָּה בְּלוּלָב. בַּתְּחִלָּה קֹדֶם שֶׁזְּקָפוּהָ:

Bartenura explica, sobre “as raízes de uma árvore de um particular que penetram na terra do consagrado, não se desfruta delas nem há meilá”: pois seguimos a árvore. E isto vale quando entre a árvore de um particular e a terra do consagrado não há mais de dezesseis côvados; mas se há mais de dezesseis côvados entre elas, há meilá nas raízes que crescem no campo do consagrado. Sobre “a nascente que sai de dentro do campo do consagrado”: por exemplo, uma nascente comum que brota em campo de um particular, mas que se estende e passa por dentro do campo do consagrado. Sobre “a água que está no jarro de ouro”: a respeito da libação de água, enchia-se um jarro de ouro ainda não consagrado com água do Shilôach, e nessa água não se desfruta nem há meilá, pois ela não se consagra para a libação de água a ponto de gerar meilá até que seja colocada no frasco de ouro, que é o utensílio consagrado. Sobre “os anciãos costumavam colocar dele em seus lulavim”: no início, antes de o ramo ser fincado junto ao altar.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Meilá 13b, sobre a Guemará desta mishná
מתני' שרשי אילן של הדיוט הבאין לשל הקדש לא נהנין ולא מועלין — דאזלינן בתר אילן ואילן בשל הדיוט קאי: ושל הקדש הבאין בשל הדיוט — נמי לא מועלין ולא נהנין הואיל ועיקרו קאי בשל הקדש: מעין היוצא בתוך שדה הקדש — שהמעין מתוך שדה של חולין הוא נובע אלא שיוצא ומושך בתוך שדה של הקדש לא נהנין ממנו כל זמן שהוא בתוך שדה של הקדש:

Rashi explica, sobre “raízes de árvore de um particular que penetram na do consagrado, não se desfruta delas nem há meilá”: pois seguimos a árvore, e a árvore está fundada em terra de um particular. Sobre “e as do consagrado que penetram na de um particular”: também não há meilá nem se desfruta delas, já que sua raiz principal está fundada em terra do consagrado. Sobre “a nascente que sai dentro do campo do consagrado”: pois a nascente brota de dentro de um campo comum, mas sai e se estende dentro do campo do consagrado — e, enquanto está dentro do campo do consagrado, não se desfruta dela.