Os touros queimados e os bodes queimados — há meilá neles desde que foram consagrados. Foram abatidos — tornaram-se aptos a ser desqualificados por tevul iom, por mechussar kipurim e por pernoite. Foi aspergido seu sangue — são responsáveis sobre eles por causa de pigul, notar e impureza. E há meilá neles na casa das cinzas, até que a carne se dissolva.
Depois de tratar as duas ofertas de ave, a mishná retorna às ofertas de animal com um caso extremo de santidade suprema: os touros queimados e os bodes queimados — como o touro trazido pelo Sumo Sacerdote por seu próprio erro e o touro trazido pela congregação por um erro coletivo de idolatria (Vaicrá 4) —, cujo sangue é aspergido dentro do Santuário, mas cuja carne inteira, sem exceção alguma para os sacerdotes, é levada para fora do acampamento e ali queimada por completo. Aqui, o terceiro estágio é marcado pela aspersão do sangue (hazaá), que fixa, como de costume, a responsabilidade por pigul, notar e impureza. Mas, precisamente porque não há para estas ofertas nenhuma “hora de permissão” aos sacerdotes, a meilá que se instalou desde a consagração jamais cessa por completo: ela persiste mesmo depois que a carne é levada ao local de queima fora do acampamento, e só termina quando a carne, sob o efeito do fogo, se dissolve inteiramente — a mishná usa a expressão vívida de que ela se torna oca, esponjosa, consumida até a última fibra.
Rambam explica que “se dissolva” (yutach) deriva de nêtach (dissolução), isto é, até que a carne se torne oca e suas partes se transformem no fogo até se assemelhar a uma esponja do mar; e isso ocorre na carne depois que ela é completamente queimada.
Bartenura explica que, nos touros queimados, não há para os sacerdotes permissão alguma.
Rashi explica, sobre “os touros queimados e os bodes queimados”: são ofertas de santidade suprema e não há neles permissão para os sacerdotes, e a aspersão de seu sangue os fixa em pigul, se alguém pensou nisso no momento do abate; e, como não há neles permissão para os sacerdotes, há meilá neles na casa das cinzas, no próprio lugar de sua queima. Sobre “até que a carne se dissolva”: até que a carne se consuma e se torne cinza, pois isso é o cumprimento de seu preceito.