Nos primeiros dos meses e no meio dos dias da festa leem quatro; não se diminui deles nem se acrescenta a eles, e não se conclui com os Profetas. O que abre e o que fecha na Torá abençoa antes e depois dela. — Em Rosh Chodesh e nos dias intermediários de uma festa, chamam-se exatamente quatro leitores à Torá — nem menos, nem mais —, e não se acrescenta leitura complementar dos Profetas. Como na mishná anterior, apenas o primeiro e o último leitor recitam bênção.
Este é o princípio: todo dia em que há oferenda adicional e não é festa, leem quatro. Em dia de festa, cinco. Em Yom Kipur, seis. No Shabat, sete. Não se diminui deles, mas se acrescenta a eles, e conclui-se com os Profetas. O que abre e o que fecha na Torá abençoa antes e depois dela. — A mishná formula agora o princípio geral que rege todos os casos: o número de leitores cresce conforme a santidade do dia, medida pela presença de uma oferenda adicional no Templo. Nos dias comuns com oferenda adicional mas sem o estatuto pleno de festa — Rosh Chodesh e chol hamoed —, quatro leitores; numa festa propriamente dita, cinco; em Yom Kipur, o dia mais sagrado, seis; e no Shabat, sete. Ao contrário dos dias anteriores, nesses é permitido acrescentar mais leitores além do número mínimo, e se conclui a leitura com uma passagem complementar dos Profetas.
A Guemará busca uma fonte para o número seis de Yom Kipur e propõe que se deriva do termo "מִקְרָא קֹדֶשׁ" — "convocação sagrada" — aplicado a esse dia, entendendo-se que sua santidade excepcional, superior até à das outras festas, exige um leitor a mais do que os cinco de um yom tov comum. Já o número sete do Shabat funda-se na ideia de que, sendo o dia de maior santidade regular do calendário, e havendo tempo disponível — pois não há trabalho a fazer —, comporta o maior número de leitores; e a série decrescente de quatro, cinco, seis e sete espelha a hierarquia da própria oferenda adicional trazida no Templo em cada um desses dias.
Rambam explica que o princípio geral da mishná é apenas um sinal mnemônico e resume os dias sem oferenda adicional que ficam fora da lista.
Bartenura explica por que não se acrescentam leitores em Rosh Chodesh e chol hamoed, apesar de haver tempo disponível; Rashi detalha o número mínimo de versículos por leitor.
"Em Yom Kipur, seis" — porque esse dia é chamado "convocação sagrada" com uma ênfase de santidade superior à das demais festas, refletida no versículo que o descreve, e por isso recebe um leitor a mais do que o número padrão de uma festa comum.
"Não se acrescenta a eles" — porque tanto em Rosh Chodesh quanto nos dias intermediários da festa ainda há, em certa medida, interrupção do trabalho, já que apenas o trabalho relacionado a perdas iminentes é permitido nesses dias; por isso não convém prolongar demais a leitura pública, acrescentando mais leitores do que o necessário, para não sobrecarregar a comunidade que ainda precisa retornar às suas ocupações.
"O primeiro" dos três leitores comuns, se leu quatro versículos em vez do mínimo de três, é digno de louvor; e o mesmo vale para o segundo e o terceiro leitor. Se o primeiro não o fez, mas o segundo leu os quatro, ainda assim é digno de louvor — o princípio geral é que sempre é preferível ler um pouco mais do que o estritamente exigido, desde que isso não prejudique a divisão equilibrada da porção entre os leitores subsequentes.