Seder Moed · Massechet Meguilá · Perek Dalet · Mishná 2 de 10

Quatro, cinco, seis, sete: o número de leitores por dia

בְּרָאשֵׁי חֳדָשִׁים וּבְחֻלּוֹ שֶׁל מוֹעֵד
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná continua fixando o número de pessoas chamadas à leitura da Torá em cada tipo de dia, formulando por fim o princípio geral que liga esse número à oferenda adicional própria de cada ocasião.

Nos primeiros dos meses e no meio dos dias da festa leem quatro; não se diminui deles nem se acrescenta a eles, e não se conclui com os Profetas. O que abre e o que fecha na Torá abençoa antes e depois dela.Em Rosh Chodesh e nos dias intermediários de uma festa, chamam-se exatamente quatro leitores à Torá — nem menos, nem mais —, e não se acrescenta leitura complementar dos Profetas. Como na mishná anterior, apenas o primeiro e o último leitor recitam bênção.

Este é o princípio: todo dia em que há oferenda adicional e não é festa, leem quatro. Em dia de festa, cinco. Em Yom Kipur, seis. No Shabat, sete. Não se diminui deles, mas se acrescenta a eles, e conclui-se com os Profetas. O que abre e o que fecha na Torá abençoa antes e depois dela.A mishná formula agora o princípio geral que rege todos os casos: o número de leitores cresce conforme a santidade do dia, medida pela presença de uma oferenda adicional no Templo. Nos dias comuns com oferenda adicional mas sem o estatuto pleno de festa — Rosh Chodesh e chol hamoed —, quatro leitores; numa festa propriamente dita, cinco; em Yom Kipur, o dia mais sagrado, seis; e no Shabat, sete. Ao contrário dos dias anteriores, nesses é permitido acrescentar mais leitores além do número mínimo, e se conclui a leitura com uma passagem complementar dos Profetas.

בְּרָאשֵׁי חֳדָשִׁים וּבְחֻלּוֹ שֶׁל מוֹעֵד, קוֹרִין אַרְבָּעָה, אֵין פּוֹחֲתִין מֵהֶן וְאֵין מוֹסִיפִין עֲלֵיהֶן, וְאֵין מַפְטִירִין בַּנָּבִיא. הַפּוֹתֵחַ וְהַחוֹתֵם בַּתּוֹרָה, מְבָרֵךְ לְפָנֶיהָ וּלְאַחֲרֶיהָ. זֶה הַכְּלָל, כָּל שֶׁיֵּשׁ בּוֹ מוּסָף וְאֵינוֹ יוֹם טוֹב, קוֹרִין אַרְבָּעָה. בְּיוֹם טוֹב, חֲמִשָּׁה. בְּיוֹם הַכִּפּוּרִים, שִׁשָּׁה. בְּשַׁבָּת, שִׁבְעָה. אֵין פּוֹחֲתִין מֵהֶן, אֲבָל מוֹסִיפִין עֲלֵיהֶן, וּמַפְטִירִין בַּנָּבִיא. הַפּוֹתֵחַ וְהַחוֹתֵם בַּתּוֹרָה, מְבָרֵךְ לְפָנֶיהָ וּלְאַחֲרֶיהָ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Bamidbar (Números) 29:7
וּבֶעָשׂוֹר לַחֹדֶשׁ הַשְּׁבִיעִי הַזֶּה מִקְרָא קֹדֶשׁ יִהְיֶה לָכֶם
E no décimo dia deste sétimo mês, convocação sagrada haverá para vós.

A Guemará busca uma fonte para o número seis de Yom Kipur e propõe que se deriva do termo "מִקְרָא קֹדֶשׁ" — "convocação sagrada" — aplicado a esse dia, entendendo-se que sua santidade excepcional, superior até à das outras festas, exige um leitor a mais do que os cinco de um yom tov comum. Já o número sete do Shabat funda-se na ideia de que, sendo o dia de maior santidade regular do calendário, e havendo tempo disponível — pois não há trabalho a fazer —, comporta o maior número de leitores; e a série decrescente de quatro, cinco, seis e sete espelha a hierarquia da própria oferenda adicional trazida no Templo em cada um desses dias.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam explica que o princípio geral da mishná é apenas um sinal mnemônico e resume os dias sem oferenda adicional que ficam fora da lista.

Rambam · Perush HaMishná, Meguilá 4:2
אָמְרוּ זֶה הַכְּלָל, סִימָן בְּעָלְמָא, לְפִי שֶׁאֵין לָנוּ יוֹם שֶׁיֵּשׁ בּוֹ מוּסָף וְאֵינוֹ יוֹם טוֹב אֶלָּא מַה שֶּׁנִּזְכַּר, וְכָל זֶה מְבֹאָר וֶאֱמֶת.
Quando a mishná diz "este é o princípio", trata-se apenas de um sinal mnemônico para memorizar a lista, e não de uma regra derivativa da qual se possam extrair novos casos — pois não há, de fato, nenhum outro dia com oferenda adicional que não seja festa além dos já mencionados, Rosh Chodesh e chol hamoed. Todo o restante do princípio é claro e correto: quatro para os dias com musaf que não são festa, cinco para festa, seis para Yom Kipur, sete para Shabat — cada categoria corresponde exatamente ao grau de santidade do dia.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica por que não se acrescentam leitores em Rosh Chodesh e chol hamoed, apesar de haver tempo disponível; Rashi detalha o número mínimo de versículos por leitor.

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Meguilá 4:2
בְּיוֹם הַכִּפּוּרִים שִׁשָּׁה: לְפִי שֶׁהוּא נִקְרָא מִקְרָא קֹדֶשׁ יוֹתֵר מִשְּׁאָר הַמּוֹעֲדִים.

"Em Yom Kipur, seis" — porque esse dia é chamado "convocação sagrada" com uma ênfase de santidade superior à das demais festas, refletida no versículo que o descreve, e por isso recebe um leitor a mais do que o número padrão de uma festa comum.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Meguilá 4:2
וְאֵין מוֹסִיפִין עֲלֵיהֶן. דִּבְרָאשֵׁי חֳדָשִׁים וּבְחֻלּוֹ שֶׁל מוֹעֵד נַמִּי אִיכָּא בִּטּוּל מְלָאכָה, דִּמְלֶאכֶת דָּבָר הָאָבֵד מֻתֶּרֶת.

"Não se acrescenta a eles" — porque tanto em Rosh Chodesh quanto nos dias intermediários da festa ainda há, em certa medida, interrupção do trabalho, já que apenas o trabalho relacionado a perdas iminentes é permitido nesses dias; por isso não convém prolongar demais a leitura pública, acrescentando mais leitores do que o necessário, para não sobrecarregar a comunidade que ainda precisa retornar às suas ocupações.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Meguilá 21b-22b
רִאשׁוֹן - מִן שְׁלֹשָׁה שֶׁקָּרָא אַרְבָּעָה פְּסוּקִים, מְשֻׁבָּח. וְכֵן שֵׁנִי, וְכֵן שְׁלִישִׁי. אִם לֹא עָשָׂה הָרִאשׁוֹן, וְעָשָׂה הַשֵּׁנִי, מְשֻׁבָּח.

"O primeiro" dos três leitores comuns, se leu quatro versículos em vez do mínimo de três, é digno de louvor; e o mesmo vale para o segundo e o terceiro leitor. Se o primeiro não o fez, mas o segundo leu os quatro, ainda assim é digno de louvor — o princípio geral é que sempre é preferível ler um pouco mais do que o estritamente exigido, desde que isso não prejudique a divisão equilibrada da porção entre os leitores subsequentes.