Quem lê a Meguilá pode fazê-lo em pé ou sentado. Se um a leu, ou se dois a leram, cumpriram. Lugar onde costumam abençoar, abençoe; e onde não costumam, não abençoe. — Ao contrário da leitura da Torá em público, que exige estar de pé, a Meguilá pode ser lida tanto em pé quanto sentado, à escolha de quem lê. E, se dois leitores a lerem juntos em voz alta simultaneamente, ambos cumprem sua obrigação — não se aplica aqui o princípio de que duas vozes não são audíveis como uma. Quanto à bênção antes e depois da leitura, a prática segue o costume de cada localidade.
Na segunda e na quinta e no Shabat pela tarde leem três, não se diminui deles nem se acrescenta a eles, e não se conclui com os Profetas. O que abre e o que fecha na Torá abençoa antes e depois dela. — Nos dias regulares de leitura pública da Torá — segunda-feira, quinta-feira e a oração da tarde de Shabat — chamam-se exatamente três pessoas à leitura, nem menos nem mais; e não se acrescenta, nesses dias, uma leitura complementar dos Profetas. O primeiro dos três leitores recita a bênção antes de começar sua leitura, e o último recita a bênção depois de concluir a sua — os leitores intermediários não recitam bênção alguma.
A Guemará contrasta este versículo — no qual Moshé, ensinando a Torá ao povo, permanece sentado enquanto o povo fica de pé — com a exigência de que a leitura pública da Torá em si seja feita de pé, derivando por analogia que também a leitura em si, sendo mais formal, exige postura mais rigorosa que a Meguilá. A Guemará explica que a leitura da Meguilá, por não ter o mesmo grau de solenidade formal da leitura da Torá em público, permite maior flexibilidade quanto à postura, refletindo a diferença de caráter entre o preceito rabínico de Purim e a leitura bíblica da própria Torá.
Rambam explica por que a bênção da Meguilá é sempre recitada antes dela, independentemente do costume local sobre a bênção final.
Bartenura explica por que dois leitores simultâneos cumprem a obrigação apesar do princípio de que duas vozes não se ouvem como uma; Rashi detalha a instituição de Ezra sobre a leitura de segunda e quinta-feira.
"O que abre e o que fecha na Torá abençoa antes e depois dela" — isto é claro: o primeiro dos leitores chamados recita a bênção antes de sua própria leitura, e o último recita a bênção depois da sua, encerrando a leitura pública com essa moldura de bênçãos que abrange toda a sequência de leitores intermediários.
"Se dois a leram" — juntos, simultaneamente, em voz alta. "Cumpriram" — e não se aplica aqui o princípio geral segundo o qual duas vozes falando ao mesmo tempo não podem ser distintamente ouvidas por quem escuta; por se tratar de uma leitura muito querida ao povo, que se esforça para escutá-la com atenção redobrada, considera-se que os ouvintes conseguem, sim, acompanhar ambas as vozes.
"Na segunda e na quinta pela manhã e no Shabat pela tarde" — foi Ezra quem instituiu que se lesse a Torá publicamente nesses dias, para que o povo não passasse mais de três dias sem ouvir a leitura da Torá. E aqui a mishná nos ensina que os três leitores chamados nesses dias correspondem à divisão tradicional: um cohen, um levita e um israelita comum, na ordem própria de precedência.