Morador de cidade que foi a uma cidade murada, e morador de cidade murada que foi a uma cidade, se está destinado a voltar ao seu lugar, lê conforme seu lugar; e se não, lê com eles. — Quem mora numa localidade sem muralha, cujo dia de leitura é o catorze de Adar, e viaja para uma cidade murada, cujo dia é o quinze, ou vice-versa: se pretende retornar ao seu lugar de origem antes do dia próprio de lá, lê conforme a regra de seu próprio lugar; mas se não pretende voltar a tempo, lê junto com os moradores do lugar onde se encontra.
E a partir de onde lê o homem a Meguilá e cumpre com isso sua obrigação? Rabi Meir diz: toda ela. Rabi Yehudá diz: a partir de "Havia um homem judeu" (Ester 2:5). Rabi Yossei diz: a partir de "Depois destas coisas" (Ester 3:1). — Os sábios discordam sobre o ponto mínimo a partir do qual, se alguém só consegue ler dali em diante, ainda assim cumpre sua obrigação: Rabi Meir exige a leitura completa, do início ao fim; Rabi Yehudá considera suficiente começar a partir do versículo que introduz Mordechai; e Rabi Yossei considera suficiente começar a partir do versículo que introduz o decreto de Hamã.
O próprio versículo que estabelece a leitura anual liga-a explicitamente à localidade — "cidade e cidade" —, o que a Guemará usa para fundamentar por que a obrigação da leitura acompanha o lugar onde a pessoa efetivamente estará no dia determinado, e não seu lugar de residência original. Quanto à discussão sobre a partir de onde ler, a Guemará busca a origem de cada opinião no próprio texto de Ester: Rabi Yehudá funda-se em "Havia um homem judeu" (Ester 2:5), onde começa propriamente a narrativa de Mordechai, e Rabi Yossei em "Depois destas coisas" (Ester 3:1), onde se inicia a ascensão de Hamã e o perigo que motiva todo o milagre — cada opinião identifica o ponto a partir do qual já se relata o núcleo do milagre de Purim.
Rambam fixa a regra prática — quando a pessoa lê conforme seu próprio lugar e quando lê com o lugar onde se encontra — e decide a halachá final sobre a partir de onde se lê.
Bartenura precisa os termos "morador de cidade" e "morador de cidade murada"; Rashi explica por que a intenção de retornar na própria noite do catorze é o critério decisivo.
"Morador de cidade que foi a uma cidade murada, e morador de cidade murada que foi a uma cidade" e assim por diante: quando sua intenção é retornar ao seu lugar já na noite do catorze — ainda que, no fim, não tenha efetivamente retornado —, ele lê conforme a regra de seu próprio lugar; e se não era essa sua intenção, lê com os moradores de onde efetivamente está.
"Morador de cidade" — refere-se a alguém cujo tempo próprio de leitura é o dia catorze de Adar, por morar numa localidade sem muralha desde os dias de Josué bin Nun. "Que foi a uma cidade murada" — cujo tempo próprio é o dia quinze, por se tratar de cidade cercada por muralha desde aquela época. A regra vale igualmente ao caso inverso: morador de cidade murada que vai a uma cidade sem muralha.
"Morador de cidade" — cujo tempo próprio de leitura é o dia catorze. "Que foi a uma cidade murada" — cujo tempo próprio é o dia quinze. "Se está destinado a voltar" — a Guemará precisa que o critério é a intenção de já estar de volta ao seu lugar na própria noite do catorze, antes do amanhecer: se pretende sair da cidade murada ainda naquela noite, mesmo que ainda esteja lá fisicamente, não é considerado "cercado por muralha para aquele dia" e lê conforme sua própria regra; mas se pretende permanecer ali durante o dia, mesmo que planeje voltar depois, já é considerado morador daquele lugar para os fins daquele dia.